Responda 5 vezes: você tem empatia? 

Responda 5 vezes: você tem empatia? 

Por: Jacques Meir 894 views

SXSW mostra o trabalho do Laboratório de Empatia. Uma inovação para mudar a forma com que agimos na política, na tecnologia e até na mídia.

A Universidade de Columbia criou um laboratório de storytelling digital, com o objetivo de desenvolver protótipos para ativação de empatia. A motivação é colaborar com agentes de mudança social na produção de novos formatos de mídia, utilizando Realidade VIrtual, Realidade Aumentada, Internet das Coisas e Inteligência Artificial.

Uma demonstração desse trabalho foi apresentada no painel “Laboratório de Empatia” no SXSW, a partir de uma parceria da própria Universidade com a Refinery 29, empresa global de produção de conteúdos em vídeo. As séries e conteúdos da empresa atingem uma audiência de mais 40 milhões de pessoas globalmente.

O painel girou em torno de uma espécie de Workshop que demonstrasse a frustração e o desestímulo gerado pela ausência de empatia. O workshop foi interessante por permitir que centenas de participantes de origens diferentes, a audiência do painel, trabalhassem em formatos simples para criar uma linguagem universal que estimulasse uma reflexão.

A dinâmica foi conduzida por Jon Bulette, Diretor de Criação da Refinery 29, Lance Weiler, Diretor de Aprendizado Experiencial e Criatividade Aplicada na Universidade de Colúmbia, Magalis Martínez Videuax, produtora de produtos criativos e interativos e Sarah Henry, estrategista de UX (User Experience) para a Accela, empresa de tecnologia para cidadania e governo.

O workshop fez os participantes dividirem-se em duplas e instados a escrever, um para o outro, 5 vezes seguidas sobre o que gostariam de dizer em uma situação de bullying, seja como vítima, seja como o ofensor. A experiência revelou diversos desdobramentos emocionais. A cada nova resposta, o assunto ganhava mais clareza.

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Logo depois, alguns voluntários foram convidados a contar experiências de assédio moral, derivadas das lembranças registradas no papel. A partir de uma plateia tão diversificada, com pessoas das mais diferentes localidades e países, a questão colocada ganhou diversos pontos comuns. Uma linguagem começou a ser construída. Um formato de storytelling colaborativo no qual relevância cultural, liberdade de expressão, igualdade e respeito combinados, geraram uma experiência enriquecedora e forças de mudança. Empatia, enfim.

O Laboratório de Empatia da Universidade de Colúmbia é, em si, um protótipo aberto a todos que queiram participar, e tem o objetivo de identificar pessoas transformadoras capazes de criar espaços de empatia nos mais diversos ambientes. Empatia pressupõe sempre o trabalho em grupo, sempre o exercício intenso da conversação, sempre a diluição da hierarquia. O laboratório quer ser uma alternativa à cultura do Vale do Silício, não necessariamente saudável. Um dos projetos já desenvolvidos no laboratório é a revolução da paciência, no qual o storytelling foi usado para inserir compaixão e compreensão entre membros de uma comunidade. Em poucas palavras, o laboratório de empatia é uma aceleradora para a humanidade. Ele reúne diversas técnicas para criar inovações profundas que impactam projetos que perpassem política, educação, saúde, tecnologia e a mídia.

Após essa explicação, Lance Weiler, responsável pelo Laboratório de Empatia, conduziu então uma dinâmica na qual os participantes tiveram de usar uma folha de papel e de forma muito simples retrataram como se sentiram em um momento ruim.

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A empatia parece ser o grande campo de disciplina e de desenvolvimento da gestão de agora em diante. As rupturas observadas ao longo de 2016, a eleição de Trump, Brexit, impeachment no Brasil explicitaram a necessidade da criação de lideranças mais empáticas que possam criar sistemas mais abertos, menos opressivos e que tragam mais sentido para a vida das pessoas, justamente em áreas que fracassam sistematicamente nessa entrega para as pessoas.

Para finalizar, o resultado do workshop com cerca de 250 pessoas diferentes, de culturas e países diferentes: 70% acusaram terem sido vítimas de bullying, prioritariamente no trabalho. E 70% buscaram suportaram esse bullying sem nenhum tipo de intervenção.

Pelo jeito, mais do que nunca, o mundo corporativo precisa de empatia.

*Jacques Meir é Diretor Executivo de Conhecimento, Conteúdo e Comunicação do Grupo Padrão 

 

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