Qual é o perfil do consumidor pós-crise? O presidente da GfK responde

Qual é o perfil do consumidor pós-crise? Presidente da GfK responde

Por: André Jankavski 2.596 views

Mesmo com a crise dando sinais que está no fim, Felipe Mendes afirma que o brasileiro está querendo ficar em casa. E as empresas precisam lidar com isso

Pelo menos nos números, o Brasil começa a sair da crise profunda em que entrou nos últimos anos. O desemprego, que chegou a alcançar 14% da população, vem diminuindo aos poucos. A inflação está abaixo do piso da meta. O PIB, finalmente, vai apresentar um resultado positivo – pequeno, é verdade. A pergunta que fica, agora, qual será o perfil do consumidor pós-crise.

Para Felipe Mendes, presidente da GfK no Brasil, os resultados positivos ainda não foram suficientes para trazer a confiança do consumidor de volta.

Alguns empresários também estão reticentes com o que vai acontecer, muito por conta da persistente crise política. Isso não quer dizer, no entanto, que oportunidades não existem. Segundo Mendes, as pessoas estão ficando mais em casa, o que traz o desafio para as empresas se inserirem nesse ambiente.

“As pessoas estão percebendo que se não têm dinheiro para se divertir fora do lar, podem fazer o mesmo dentro de casa”, afirma ele.

Na entrevista a seguir, o presidente da empresa alemã de estudos de mercado, que estará no CONAREC deste ano, fala das mudanças comportamentais dos brasileiros e também de como os millennials estão ajudando a transformar o mercado.

O consumidor voltou a ter confiança com a melhora dos índices econômicos?

Ainda não. Quando a crise estava se desenhando, as pessoas acreditavam que conseguiriam driblá-la trocando por marcas mais baratas, mas não foi o que aconteceu. Elas cortaram categorias que eram símbolos dos bons momentos, como iogurtes. Neste ano, os consumidores perceberam que não haverá melhoras substanciais e ainda estão preocupados com o futuro.

E há oportunidades mesmo em meio ao clima de desconfiança?

Em pesquisas, é possível analisar que o principal corte foi de itens de lazer. As pessoas deixaram de viajar e de investir em bens físicos. Logo, tem o outro lado da moeda. As pessoas estão percebendo que se não têm dinheiro para se divertir fora do lar, podem fazer o mesmo dentro de casa. O desafio das empresas, agora, é entrar na casa dos consumidores.

Essa tendência é algo que vai se perpetuar por um tempo?

Entendo que sim. Além da crise, o Brasil sofre com a questão de segurança. Existe uma preocupação muito grande, em algumas regiões, de sair de casa. Com isso, as pessoas começam a fazer festas e eventos sociais em casa. E realizam que estão gastando menos para ter o mesmo tipo de lazer. As empresas estão percebendo esse movimento. É possível contratar serviços de um boteco dentro da sua casa, por exemplo.

E como as empresas estão se comportando com todas essas mudanças?

Estamos percebendo que as empresas estão mudando o pensamento e que perceberam que não podem ficar paradas. Mas, ao mesmo tempo, o índice de confiança de algumas categorias caem (nota do autor: o Índice de Confiança do Empresário Industrial caiu 1,3 ponto em julho) por conta da crise política. Então, estão todos trabalhando, mas de olho no que está acontecendo ao redor e observando essas novas tendências de consumo.

E como os millennials estão lidando com esses momentos?

O Brasil consumiu muito na época do crédito e renda. Por isso, o brasileiro se acostumou a andar de carro e a viajar. Os millennials, por meio da economia compartilhada, conseguem manter um padrão similar. Usam um carro que não é dele, mas que vem pelo Uber, e alugam um quarto que não é de hotel, porém que foi encontrado no Airbnb. E eles não usam essas ferramentas apenas porque são modernas. Essa economia colaborativa não existe apenas por conta da mudança e praticidade, mas porque é econômica.

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