Histórias de futuros passados: teríamos um trem atômico?

No passado, a criação de um trem atômico era uma aposta para o futuro. Como essa questão é vista hoje? Confira o que Peter Kronstrom, do CIFS, tem a dizer

Por: - 11 meses atrás

A história é cheia de exemplos de contos de um futuro que nunca aconteceu ou acabou sendo completamente diferente do que a maioria das pessoas esperava. Um deles diz respeito ao transporte do futuro. Na era atômica dos anos 1950, uma resposta parecia clara: o trem atômico. A ideia, da Associação Americana de Ferrovias (AAR, na sigla em inglês), surgiu em 1948 e foi promovida por Dr. Lyle Borst, professor da Universidade de Utah.

Em 1954, Borst desenhou os primeiros rascunhos para um trem atômico chamado “X-12”. O reator, com uranium-235, permitiria que ele funcionasse por meses sem precisar parar para abastecer. Ele teria cerca de 50 metros e 360 toneladas (200 delas só para o escudo que protegeria da radiação do reator).

Os americanos puderam ler tudo isso em um exemplar de 1954 da revista Life, que descrevia o trem como um sonho dos designers. Na União Soviética, os trens atômicos também estavam na agenda, e isso foi destaque quando a URSS anunciou, em 1956, o objetivo de colocar trens movidos à energia nuclear nos trilhos.

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No começo, eles tropeçaram em questões econômicas. No caso do X-12, o custo estimado era de US$ 1,2 milhão, mais do que o dobro do preço de um trem a diesel na época. Além disso, a escolha de uranium-235 também constituía uma despesa significativa e um problema de segurança. Nos anos 1960, o otimismo sobre energia nuclear começou a desaparecer, e só em 1964 Dr. Borst teve sua invenção patenteada. Uma patente que nunca foi posta em prática.

Naquela época, o custo da energia elétrica também já tinha diminuído e as ferrovias do futuro passaram a ser elétricas. Mas em 2011, a RZhD (via férrea russa) anunciou que estava trabalhando em um trem atômico com a Rosatom, uma organização estatal sem fins lucrativos para energia nuclear. Da perspectiva do presente, um trem desses ainda tem o potencial de reduzir as emissões de carbono dos transportes, o que poderia ser uma motivação para explorar o assunto. Ainda assim, o projeto parece vago.

Outra proposta discutida é o SCMagley, um trem magnético que levita cerca de 10 centímetros acima dos trilhos. Em outubro de 2016, este trem bateu o recorde de transporte terrestre mais rápido, a mais de 600 km/h em um percurso de 1,8 km. No entanto, ele tem custos altos. Ainda assim, podemos esperar, claro, os próximos passos da RZhD e da Rosatom. Talvez eles ressuscitem o otimismo dos anos 1950. No entanto, o silêncio sobre o projeto desde 2011 levanta a questão se haverá realmente um projeto ou se o trem atômico continuará para sempre inexistente. O tempo dirá.