O apetite por inovação do iFood

Em entrevista à Consumidor Moderno, Carlos Eduardo Moyses, CEO do iFood, fala sobre as estratégias da empresa e o perfil de quem pede comida online. Confira

Por: - 8 meses atrás

Foi-se o tempo em que o iFood podia ser descrito pura e simplesmente como um site e um aplicativo de delivery de comida. Com três milhões de pedidos por mês nos mais de 15 mil restaurantes cadastrados pelo País, a empresa – uma food tech, nas palavras do seu ex-CFO e mais novo CEO, Carlos Eduardo Moyses –, tem fome de inovação. Os mais de 400 colaboradores da empresa, por exemplo, escolhem onde sentar e trabalham em ambientes abertos e integrados para facilitar a troca entre as equipes. A inovação também está presente na forma de se comunicar com os clientes.

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A empresa é conhecida por inovar em suas ações. No começo do ano, o iFood lançou uma campanha no Twitter que interagia com o perfil do usuário, sugerindo refeições de acordo com as condições climáticas (uma sopa para os dias frios, por exemplo), ou mesmo eventos esportivos. “Esse formato de anúncio permite estabelecer um relacionamento mais próximo e uma comunicação mais eficiente com nossos consumidores”, diz Moyses.

Na entrevista a seguir, o executivo fala, ainda, sobre o Next, uma nova divisão da companhia que tem como objetivo desenvolver softwares e serviços para tornar mais fácil a vida dos donos de restaurantes e lanchonetes. Confira:

Carlos Eduardo Moyses assumiu como CEO do iFood no início de 2017. Foto: Divulgação

Qual é o perfil do cliente do iFood?

É bem abrangente. O consumidor iFood é ávido por soluções práticas de alimentação e não abre mão da qualidade dos pedidos que recebe em casa. Diversificação e comodidade ainda são os grandes pilares de quem opta pelo delivery online.

Em um mundo cada vez mais comandado pelos millennials, como a empresa lida com esse novo consumidor?

O comportamento do consumidor mudou muitos nos últimos anos. Se antes a pizza dominava o mercado de delivery, hoje outros tipos de comida ganham espaço, como o hambúrguer e a comida japonesa. Além disso, a exigência aumentou muito. Isso se deve ao fato de os consumidores – em especial os millennials –, estarem cada vez mais conectados. Eles querem ter o poder de escolha e de comparação, informações em tempo real, acompanhamento do processo, facilidade no pagamento e personalização. Com essas mudanças, é preciso focar na melhoria do serviço o tempo todo.

Como vocês impactam os clientes?

Os clientes querem, mais que um app, um serviço completo de curadoria. Por isso, no segundo semestre de 2016, lançamos a opção Descobrir, uma funcionalidade inédita no setor para ajudar os indecisos.

E como funcionam essas recomendações?

O Descobrir exibe listas de restaurantes a partir de contextos variados, como: “Em família”, “Pé na Jaca” e “Romântico”. Isso tudo, com o objetivo de levar os consumidores a novas descobertas de restaurantes e tipos de cozinha, engajá-los e servir como um guia gastronômico.

De que forma ter por trás empresas como Movile e Just Eat ajudou o iFood a conquistar a liderança de mercado?

Com o apoio de nossos investidores, conseguimos investir em um time talentoso que tem em seu DNA a constante busca pela inovação. Nossas equipes respiram o ambiente de uma food tech e, com este foco, estão o tempo todo pensando em como melhorar a experiência de nossos consumidores.

O iFood gera mais de 3 milhões de pedidos por mês em cerca de 100 cidades brasileiras. Como acompanham a excelência dos serviços?

Entendemos que os avanços no relacionamento com os consumidores devem ser constantes, principalmente no setor da tecnologia, no qual estamos inseridos. Ouvir o consumidor é a melhor forma de entender onde estão estas oportunidades e o melhor meio de não se acomodar.

Qual a importância do big data e do analytics na estratégia de negócios do iFood?

Costumamos dizer que não fazemos nada que não possamos mensurar. Analisar o comportamento de nossos usuários por meio do cruzamento de todas as informações que temos do mercado de delivery é o nosso diferencial para inovar no mercado de food tech.

Vocês pretendem atingir mais de 25 mil estabelecimentos até o final do ano. Quais são os grandes desafios da companhia hoje?

Atrair cada vez mais novos parceiros, e atender cidades aonde ainda não chegamos. Queremos dar continuidade à expansão o iFood, e por isso, entre outras inovações, criamos uma área especializada no relacionamento com os parceiros, para ajudá-los no desenvolvimento e manutenção de seus negócios.

O iFood criou, no começo do ano, a Next, uma frente de negócio que vai desenvolver softwares e serviços para conectar restaurantes a fornecedores. Como está esse projeto?

O Next inclui uma série de ações para nos aproximar ainda mais de nossos parceiros. Dentro dele, temos o NextShop, que oferece produtos e serviços, como embalagens a um preço menor; o chat, que permite um contato direto e mais rápido com a nossa equipe; além de diagnóstico da marca e um relatório de desempenho. O próximo passo será oferecer serviços como revisão da área de entrega, reengenharia do cardápio e estratégias para melhorar as vendas.

O senhor considera o UberEats uma ameaça?

O iFood sempre teve concorrentes de níveis nacionais, globais e regionais. Acreditamos que a concorrência é saudável e mantém o mercado aquecido. O iFood é reconhecido por sempre se antecipar às tendências. Em setembro do ano passado, por exemplo, adquirimos a Spoon Rocket, do Vale do Silício, que tem como foco restaurantes selecionados e que, até então, não contavam com serviço de delivery.  Neste caso, a entrega, personalizada, é feita em até 35 minutos, para atender a esse público mais exigente. Iniciativas como esta e o Next mostram o nosso investimento constante na ampliação de nossos negócios.

O que o usuário do iFood pode esperar da empresa nos próximos anos?

O iFood é uma das maiores e mais inovadoras companhias de food tech do mundo. Vamos trabalhar para proporcionar uma experiência diferenciada ao consumidor, e agregar mais valor aos restaurantes parceiros, que são fundamentais para nosso negócio. O que posso adiantar é que teremos uma série de novidades ao longo do ano; algumas delas, inclusive, inéditas no Brasil.

Como funciona a parceria entre o iFood e os restaurantes?

Quando o restaurante se associa ao iFood, ele passa a ter acesso a uma ferramenta tecnológica e a uma base forte de clientes. O iFood cobra uma taxa de 12% em cima dos pedidos gerados pelo aplicativo. Ou seja, essa taxa é cobrada apenas sobre os pedidos gerados pelo iFood, aos quais o restaurante não teria acesso sem a parceria. Não somos apenas intermediários, mas facilitadores e estamos nos estruturando para oferecer cada vez mais um serviço de consultoria.

Quais são suas fontes de inspiração e referência? Quem o inspira?

O mundo está cheio de líderes inspiradores e temos acesso a muita literatura hoje em dia, mas, sem dúvida, os empresários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira revolucionaram o empreendedorismo brasileiro, conquistaram o mundo e a mim.