Você está preparado para conhecer a loja do futuro?

Você está preparado para conhecer a loja do futuro?

Por: Jacques Meir 5.664 views

SXSW traz uma discussão incrível sobre o futuro da loja física. Confira temas e tendências que impactarão a experiência do consumidor e o mercado

Mais de 8 mil lojas foram fechadas nos EUA em 2017 (o número, no Brasil, infelizmente foi maior) e a tendência não apresenta sinal de reversão. Qual é a causa das lojas convencionais perderem valor para os consumidores? Há futuro para elas? E como será? O desafio é portentoso, na medida em que a loja física passa a ser um local de exercício de escolhas e de extensões de contextos de marca.

Confira a edição online da revista Consumidor Moderno!

O painel “O futuro do varejo físico em um mundo pós-digital”, reuniu Jaime Bettencourt, Vice-Presidente Sênior de Desenvolvimento de Negócios da Mood Media, Christiana DiMattesa, Diretora de Marketing de Varejo da Under Armour, Megan Kohut, Vice-Presidente de e-commerce da joalheria Kendra Scott e Joe Pine, co-fundador da Strategic Horizons para discutir justamente essa mudança nos padrões que caracterizam o varejo físico, de canais de distribuição de produtos para centros de experiências. Como mediador, um dos maiores especialistas em disrupção de consumo, o americano Joe Pine.

As essas não precisam ir às lojas, elas precisam querer ir? E por que têm que querer ir? Muito provavelmente porque buscam experiências. A economia de hoje é baseada em serviços, e isso faz com que as pessoas estejam interessas em três fatores: preço, preço, preço. Mas quantos varejistas estão dispostos a tornar seu negócio voltado para serviços? Varejo por si só é uma corrida sem freios para a customização.

O que o cliente compra hoje em dia?

“As pessoas querem usar muito bem o seu tempo e isso precisa ser entendido por todas as empresas do mundo”, destaca Joe Pine. Ele afirma que a competição é global, pelo tempo, pela atenção escassa e pelo dinheiro consumível. A experiência é o marketing por si só de agora. “Lojas que não ofereçam experiências são inúteis, simplesmente”, provoca o especialista.

O varejo está no limiar de repensar pelo que ele cobra: e para cobrar mais, precisa oferecer mais do que produtos, do que serviços, precisa oferecer experiências. E quando olhamos para o varejo brasileiro, tão espremido pelas dificuldades econômicas do país, e agora por consumidores que se enquadram nesse modelo, vemos um quadro realmente desafiador.

Entretenimento experiencial

A Under Armour parece ter entendido o recado de Joe Pine e vem progressivamente transformando suas lojas em grandes centros de entretenimento baseado em esporte. Shows, aulas, dinâmicas, workshops e toda sorte de eventos são realizados nas lojas para mobilizar comunidades e gerar motivação para que consumidores dirijam-se às lojas. Christina DiMattesa diz que às lojas estão trabalhando diariamente para encontrar formas de se conectar com seus consumidores. “Quem é a comunidade, como se comportam, seus desejos, tudo isso ajuda a criar formas de se conectar com as pessoas”, defende a executiva.

Kohout também defende a mesma linha de atuação, de aproximação com a comunidade, da criação de histórias que criem vínculos das lojas com seu entorno. Pine diz que é imprescindível fazer com que as pessoas experimentem e vivenciem produtos antes de comprá-los. E depois da conversão, a conversação e as conexões continuam. É necessário acentuar conexões emocionais e humanas para criar vantagens competitivas reais e permanentes. Caso contrário, tudo o que os varejistas terão serão caçadores de ofertas.

Um novo status para os colaboradores

A rede Kendra Scott trabalha intensamente com consumidores embaixadores da marca, e faz o mesmo com seus colaboradores, criando um exército de fãs que atraem pessoas novas para a história da marca frequentemente. Colaboradores podem se tornar um guia da criação de experiências, podem ser valorizados como pessoas capazes de criar e recriar as histórias da marca.

O colaborador é um influenciador em pessoal. Um influenciador que trabalha para a empresa e que pode ser um mobilizador de pessoas, fãs e clientes.

Consistência de marca

O que une a experiência da rede varejistas nos diferentes canais é a marca. Ela dá sentido, a partir de diferentes componentes para criar uma história consistente. Fazer com que a marca oriente a experiência, com que seus valores retratem a maneira pela qual os consumidores compram e voltam para a loja é uma das estratégias mais vencedoras para superar os desafios da multicanalidade. A marca permite também compreender o consumidor e integrá-lo à estratégia.

Joe Pine encerra o painel falando de varejistas que fizeram o movimento contrário, de puramente on-line para a abertura de lojas físicas. A ideia é criar experiências que possam transfigurar as possibilidades da tecnologia digital no ambiente físico. Assim, clientes encontram formas de vivenciar a marca e sua proposta de modo mais pleno.

Um exemplo é o modelo das lojas da Under Armour que ainda serão abertas. Ao invés de tapumes tradicionais alertando que serão inauguradas em algum dia, a rede varejista inseriu tótens para imersões em Realidade Virtual para que os consumidores conheçam a loja previamente. Ikea oferece tablets com recursos de Realidade Aumentada para que os clientes sintam os ambientes que podem criar com os móveis que estão exibidos na loja.

Carregando...

Carregando... por favor, aguarde.