Blockchain: você talvez não saiba direito o que é, mas ele já é onipresente

O blockchain nasceu como forma de assegurar as transações de criptomoedas, bitcoin à frente. Mas sua ideia é tão boa que muita gente quer usar de formas diferentes. Entenda

Por: - 5 meses atrás

As experiências do blockchain aplicadas à mídia e ao entretenimento tem motivado reflexões profundas na indústria. É hora de compreender os benefícios e desafios dessa tecnologia ainda desconhecida em negócios diferentes do financeiro. Essa foi a premissa do painel “Blockchain: Pilots and Learnings” que aconteceu no SXSW. Tod Mc Donald, Co-fundador da R3 Participações, Kelly Olson, Diretor de Distruibuição da Intel, Gregory Reed, Vice-Presidente de Parcerias Tecnológicas da Universal Pictures e Benji Rogers, CEO da Pledge Music & dot Blockchain fizeram um animado painel sobre as possibilidades e aplicações dessa nova tecnologia.

Blockchain na música

Rogers disse que tomou conhecimento com o poder do blockchain em um evento na Espanha e percebeu as implicações e a segurança que a tecnologia poderiam transmitir nos processos de streaming de música. Ele diz que a tecnologia de streaming que está por trás de apps como Spotify e Apple Music é baseada em protocolos de 27 anos atrás. Portanto, é quase obsoleta em termos tecnológicos. O blockchain permite que novos protocolos poderiam facilitar e acelerar a transmissão e a qualidade dos serviços de streaming, com maior segurança.

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Para o co-fundador da R3, Tod McDonald, após a crise de 2008, protocolos de segurança como o blockchain são balas de prata para trazer mais segurança para o mercado financeiro, com informações mais confiáveis e asseguradas.

No caso da indústria de cinema e séries, Gregory Reed também vê a tecnologia como forma de democratizar e facilitar o acesso e transmissão digital de conteúdos de filmes e séries. A ideia de usar uma tecnologia nova e de alto nível para unificar a cadeia de valor, incluindo o armazenamento, a distribuição e a segurança do consumidor são bem-vindos.

Ecossistemas seguros

É interessante ver como um protocolo de segurança, criado para uma transação financeira ser desacoplado dessa origem e entendido como instrumento para assegurar contratos. O que o blockchain assegura é identidade e autoridade, ou direitos autorais, para indústrias baseadas em FTP, tecnologia de envio de e-mails em indústrias de entretenimento que hoje movimentam bilhões e bilhões de dólares. Não faz mais sentido.

Mas o desafio proposto para quem não conhece o blockchain é: como você vende o conteúdo e o remunera no YouTube? Como autentica o conteúdo? O blockchain ajuda a forma ecossistemas seguros de cadeias de valor digitais, nas quais a indústria de entretenimento têm seu modelo de negócio desenhado e indexado.

60 bilhões de músicas

Olson comenta que há mais de 60 bilhões de músicas circulando no mundo digital. E a rede aberta infelizmente não reconhece a identidade dos autores e traz a informação precisa do consumidor. O blockchain pode autenticar toda essa escala, ineficiente por muitas razões atualmente. As regras do protocolo são mais simples do que parecem: os dados de quem é autor da música são públicos, os intérpretes também. Mas como ter absoluto controle sobre os direitos autorais devidos por cada reprodução desses bilhões de músicas na rede? O blockchain assegura que todos os artistas serão pagos se suas músicas forem encriptadas pelo protocolo.

O fato é que a tecnologia deixa “pistas” claras de execução, reprodução, download, cópia e qualquer forma de audição ou transmissão de uma obra autoral. McDonald afirma que o blockchain pode permitir inclusive acomodar os sete diferentes tipos de royalties que são devidos aos artistas – cada formato ou canal de reprodução pede um tipo de royalty.

Compartilhamento veloz

“Vivemos em um mundo que compartilha tudo em velocidade absurda”, afirma Benji Rogers. Ele diz que não há atualmente um ativo que permita identificar ou fazer frente à essa velocidade de compartilhamento que existe hoje, por exemplo, uma música “virgem”, ainda não executada: quando ela cai na rede, como ter certeza de que ela será remunerada corretamente?

Privacidade e escalabilidade conectadas são promessas do blockchain. Controle, transparência e informação precisa desde a primeira inserção na rede, para evitar fraudes e malfeitos. Nesse sentido, como se comporta o ecossistema diante da tecnologia? McDonald pergunta: “quem poderia ser contra uma mudança desse nível?”, os custos com causas e processos seriam violentamente reduzidos. Não será necessário mais contratar advogados para que uma música de Beyoncé, com sete autores, receba seu direito autoral por conta de uma só execução que não recolheu royalties.

Onipresença

A situação repete-se com maior ênfase e alcance na indústria de filmes, com suas fichas técnicas quilométricas. “A beleza do blockchain é similar a de uma rede social: os participantes podem assinar a transação, ignorar a transação, ou abandonar a transação. O que valida o caráter social da rede é que sempre há gente disposta a validar um conteúdo por meio de um curtida, o que no caso do blockchain significa que há pessoas dispostas a validar transações”, comenta Rogers.

Um sistema descentralizado como ele permite desconstruir tecnologias e processos obsoletos ou incompatíveis com a transformação digital que vivemos hoje em dia. Para os consumidores, finalmente, o Blockchain pode representar a facilidade de escolher de que forma quer pagar e acessar o conteúdo: a moeda, o meio de pagamento, a origem, o banco, a fonte, não importa onde eles estejam. E todas as informações acerca do conteúdo consumido estarão disponíveis e registradas para consulta. Em larga medida, o blockchain reduzirá a pirataria.

O blockchain representa uma das inovações mais inteligentes já surgidas para validar conteúdos, transações e identidades nas redes. Suas aplicações são ilimitadas e serão largamente experimentadas inclusive em processos de escore de crédito, tomadas de financiamento, inadimplência, contratos e toda forma de transação que precise de validação, identidade, controle e transparência. Deve ser acompanhado de perto porque fará parte de nossa vida de forma onipresente.