As reações à gravação de uma conversa privada pela Alexa

Assistente virtual da Amazon foi assunto de um debate sobre privacidade nos Estados Unidos. Alexa gravou e enviou uma conversa aleatória. Entenda o caso

Por: - 3 meses atrás

Neste mês, um casal de Portland, nos Estados Unidos, teve sua conversa gravada pela assistente virtual da Amazon, a Alexa. O episódio repercutiu na imprensa norte-americana. Nas redes sociais, usuários falaram em espionagem. Segundo a empresa de Seattle, tudo não passou de uma grande coincidência.

O caso

Na ocasião, o casal usava o alto-falante inteligente da Amazon que obedece a comandos de voz e se conecta com mais de 15 mil aplicativos. O aparelho da série Echo gravou uma conversa de Danielle (que não quis revelar seu sobrenome à TV norte-americana) e seu marido. Além disso, o equipamento enviou o conteúdo registrado para um de seus contatos.

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Eles souberam do problema quando a pessoa que recebeu a gravação ligou para o casal contando o que aconteceu. A princípio, o marido desconfiou da versão, que veio de um de seus funcionários. “Mas aí a pessoa disse ‘Você ficou lá conversando sobre pisos de madeira’. E nós dissemos: ‘você realmente nos ouviu”, disse Danielle em entrevista ao canal de TV local Kiro7.

De acordo com a Amazon, este tipo de ocorrência é extremamente rara. A empresa de Jeff Bezos disse que o Echo “acordou” quando percebeu na conversa de fundo uma palavra que soa como “Alexa”. Em seguida, o equipamento também ouviu a solicitação “enviar mensagem”.

Em nota, a empresa afirmou que a Alexa disse em voz alta: “para quem?” e ainda ouviu o nome do contato. A Amazon explicou que houve um pedido de confirmação antes do envio da mensagem. “Por mais improvável que seja essa série de eventos, estamos avaliando opções para tornar esse caso ainda menos provável”, completa a nota.

Repercussão

O caso teve grande eco, tanto na imprensa norte-americana quanto nos veículos brasileiros. Nas redes sociais, há quem defenda que a assistente pessoal Alexa esteja espionando os consumidores. No vídeo abaixo, um usuário do Twitter suspeita da versão da Amazon no incidente com o casal de Portland. Ele mostra (aos 0’57’’) que o alto-falante da empresa não responde a palavras quem soam como “Alexa”.

Também teve gente que usou do bom humor: “Como garantir que a Alexa não está te espionando”.

“Não se preocupe, Alexa não está te espionando. Ela só está informando confidencialmente outros humanos sobre as suas atividades”.

Por outro lado, existem aqueles que defendem que tudo não passou de um mal-entendido. O portal Wired comparou a situação a quando esquecemos o celular desbloqueado no bolso e o smartphone disca para um contato aleatório.

“Evitar alto-falantes inteligentes é válido, mas todo esse debate acerca do Echo, da Amazon, está muito mais para um celular desbloqueado no bolso do que para um caso de espionagem”, defendeu Lily Hay, repórter da Wired.

Sinônimo de confiança

Apesar de toda a discussão envolvendo a marca, a Amazon já provou que tem a confiança de muitos norte-americanos. Um serviço exclusivo do Amazon Prime permite que entregadores da empresa entrem na casa dos consumidores sem que eles estejam lá. O Amazon Key in-home abre a porta dos usuários usando um sistema de segurança da própria empresa.

Depois de entrar na casa dos clientes, a empresa expandiu recentemente o serviço Amazon Key para carros. Os clientes autorizam as montadoras a acessarem o sistema de segurança dos veículos e abri-los para que os entregadores da companhia deixem as compras dentro do carro, no porta-malas ou no banco de trás.