Uma adolescente, a IA, emojis e uma resposta para problemas de saúde

O Cannes Lions traz uma inovação criada por uma adolescente para a questão da saúde: um bot combinado com muita inteligência. Veja essa história

Por: - 4 semanas atrás

No verão anterior ao seu último ano no ensino médio, Alexandra Philp Reeves ajudou uma amiga do Google a recuperar sua condição recém-diagnosticada e o que elas acharam aterrorizou as garotas. Por um lado, elas eram hiperconectadas e tinham acesso ilimitado à informação via internet, redes sociais e aplicativos de saúde. No entanto, o dilúvio de informações as assustou, pois elas se defrontaram com a terminologia médica, a verificação da confiabilidade do conteúdo e ainda avisos legais assustadores. O painel “Como uma adolescente reimaginou os cuidados de saúde usando bots e AI” juntou Alexandra Philp Reeves, Fundadora da emojiHEALTH, o Dr. John Reeves, fundador da conversationHEALTH e, como moderadora, Lexi Kaplin, Chief Product Officer da conversationHEALTH, para mostrar como esse paradoxo de informações inspirou Alexandra a criar emojiHEALTH – um bot de bate-papo de saúde projetado para envolver e ativar adolescentes.

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John Reeves iniciou o painel perguntando se, na plateia, havia pessoas que acreditavam que em dois anos várias marcas teriam bots para cuidar da nossa saúde e, em 10 anos, muitos médicos estarão desempregados. Ele explicou que nos últimos 20 anos a quantidade de informação sobre saúde disponível para as pessoas aumentou absurdamente. Isso porque as pessoas iniciaram, no âmbito digital, a falar muito sobre seus medos e expectativas sobre questões de saúde. O médico também afirma que essas conversas e o conteúdo são os reis de uma nova era na abordagem da saúde. E dessa forma, as pessoas falam entre si e certamente falarão e farão consultas pessoais, 24×7 com bots. Esse processo será dramaticamente acelerado como os assistentes virtuais e o uso da voz para acessar a internet e exercitar conversas com bots. E da mesma forma, que os bots falarão com os pacientes e as pessoas, comunicarão o estado delas para os sistemas de saúde. Na verdade, nossa. Informação monitorada ficará disponível na nuvem e seremos monitorados provavelmente o tempo todo.

Alexandra e seu bot

Alexandra é filha do Dr. John Reeves e contou sua história. Ela ficou muito interessada sobre a condição de saúde de uma colega e mais espantada ao ver tanta informação desconexa sobre saúde no Dr. Google. Nessa busca, ela aprendeu e intuiu que deveria criar um bot para adolescentes, no âmbito do Facebook Messenger, com uma linguagem simples e apropriada para essa faixa etária. Usou e abusou de emojis, gifs, conteúdo divertido e visual para compartilhar conteúdos rápidos, simples, diretos. Ela enviava apenas cinco mensagens por dia. Nada mais. E o que aconteceu? Milhares de pessoas começaram a interagir com o bot como se ele fosse humano. Sua intuição foi notável. Ao invés de fazer um app, ela criou um bot que pudesse ser utilizado por adolescentes e que não permitisse fazer julgamentos. O bot, em sua neutralidade, representou uma nova plataforma de conteúdo aplicado à saúde, mais amigável, dedicado à conversação e capaz oferecer informação relevante de modo diferente. Para Lexi Kaplan, o uso dos bots para saúde faz muito sentido. Ele pode aprender, pode utilizar linguagem natural, adequada aos diferentes públicos, reconhecer automaticamente com quem interage e ainda trazer sistemas de reconhecimento.  Pode confirmar se o remédio utilizado por uma pessoa é o correto a partir de uma foto.

Gripe: pergunte ao seu bot

Ao analisar a jornada de conversação do bot de Alexandra, ela conseguiu verificar como o algoritmo do bot conduz de modo muito sutil a interação com o usuário abordando cada vez mais o lado clínico, reduzindo a pressão e a ansiedade emocional, naturais a quem sofre com algum problema de saúde. Então, estamos realmente entrando em uma era na qual os bots farão parte de nosso bem-estar e cuidados com nossa saúde. “Prover informação qualificada, que faça sentido e forneça educação confiável para as pessoas comuns é uma conquista extraordinária para a saúde pública”, afirma Lexi, esta é uma evolução natural que faz de nossa saúde um assunto que pode ser tratado de forma mais sensível e qualificada. E, nesse sentido, os assistentes virtuais comandados pela voz, as plataformas que forneçam informação relevante para as pessoas e dotarão os médicos profissionais multitarefas, com maior capacidade de pesquisa e diagnósticos mais precisos. Sim, os bots, como Alexa, serão muito úteis para tornar a saúde mais acessível e eficiente para toda a sociedade. Os impactos dos bots voltados aos cuidados com a saúde mudarão também os modelos de negócio dos planos de saúde. Alinhados com startups que oferecem plataformas de exames de custos reduzidos, há toda uma transformação digital em curso que remodelará o mercado de saúde mundo afora.