Equidade de gênero: as mulheres que agem como agentes de mudança

Durante o festival de Cannes, grandes ícones femininos, como Queen Latifah, contaram suas formas de atuar como agentes de mudança na sociedade atual. Veja

Por: - 4 semanas atrás

O que é preciso para ser um agente de mudança? Há profissionais excepcionais nos mais diferentes segmentos e indústrias que são verdadeiros agentes do caos, que canalizam sua criatividade ilimitada para nos levar a um mundo igual e melhor. Pense em gente como Madonna Badger, Chief Creative Officer da Badger & Winters, criadora da iniciativa #womennotobjects, Queen Latifah, cantora, atriz de TV, cinema, autora e empreendedora, Katie Curic, jornalista, produtora, podcaster e diretora de documentários. Personalizes empreendedoras e que mobilizam muitos fãs para fazer do mundo um lugar melhor. Esses talentos foram recebidos por Marc Pritchard, o genial Chief Brand Officer da P&G no painel “Agendas da Mudança”, durante o Cannes Lions. A sessão trouxe histórias inspiradoras e muitas ideias viáveis para atingir objetivos ambiciosos. Marc quis que suas convidadas mostrassem porque agem implacavelmente como uma força para a igualdade de gêneros e oportunidades – em toda a mídia, publicidade, entretenimento e todo o mundo criativo.

Confira a edição online da revista Consumidor Moderno!

“Essas mulheres trazem os ventos da mudança para a comunicação, autenticidade, coragem e força para fazer a diferença. Elas simbolizam a igualdade de gêneros, de ideais, de espírito e de perspectivas. Mas a realidade infelizmente continua a trabalhar com objetificação e preconceito contra as mulheres e os números mostram isso”, comentou, sem meias-palavras, Marc Pritchard. O executivo diz claramente que as campanhas mais bem-sucedidas das marcas da gigante de bens de consumo são aquelas que priorizam a igualdade de gênero. E ele afirma que esse é um processo sem volta. Madonna Badger conta que quando abriu sua própria agência, o sentimento mais corajoso e audacioso que teve e que a moveu, foi a decisão de viver e amar novamente. Para ela, a experiência que viveu desde então, a encoraja a viver mais cada dia e a tentar fazer mais, encontrar uma razão para ser persistente. Claro, não há facilidade na decisão de ser empreendedora em um meio tão acintosamente machista quanto a publicidade. E seu exemplo diz muito sobre o quanto a igualdade é um desafio das sociedades modernas, pelo menos aquelas que buscam serem mais civilizadas e amigáveis.

Inspiração

E o que moveu Queen Latifah e sua energia empreendedora? O que amotinou na sua trajetória de vida tão inquieta? Ela diz que sempre adorou esportes, todos eles, principalmente o basquete. Ela lembra das férias escolares, quando queria jogar com os meninos, basquete, beisebol ou qualquer outra coisa. Ela normalmente era ignorada por ser menina. “Isso me magoava e minha mãe falava que eu deveria falar para os meninos e lutar pelas coisas que eu queria fazer”, falou a atriz. Para Latifah, os últimos anos mostraram que era válido lutar para ser quem se é, ver mulheres ganhando dinheiro fazendo rap ou cinema. “Precisamos lutar pelo que queremos sempre”. Para Katie Curic, a história não foi muito diferente. Apesar de ser uma das mais famosas e corajosas jornalistas dos EUA, Katie combateu um câncer, cobriu terrorismo, política, entrevistou grandes líderes mundiais e se diz apaixonada por storytelling e devotada a ajudar as pessoas no mundo todo. Ela concorda que ainda há muito sexismo e mentalidade voltada a limitar o potencial feminino no mundo, no mercado. “Quando tive a oportunidade de ancorar o CBS Evening News (principal noticiário da rede americana), senti que poderia fazer alguma coisa para eliminar o preconceitos que estão latentes na sociedade”, observou a jornalista. Entender a trajetória dessas lideranças femininas é um exemplo para os negócios porque as empresas e o mercado podem combater esses estereótipos. “A propaganda pode impactar a maneira pela qual as pessoas aceitam a si mesmas, pode ser uma força do bem”, entende Marc Pritchard. A P&G, assim como a Unilever, entendem que igualdade de gêneros faz bem para as empresas, marcas e para os resultados.

Movimento

A mudança no rumo da igualdade de gênero como um processo natural não acontece sem atritos ou de modo acelerado. Indústrias como de tecnologia, publicidade, produção de entretenimento e jornalismo precisam de mais mulheres, maior diversidade no geral. Em tese, quanto maior a diversidade na tomada de decisões, maior a inclusão no interior das corporações e no mercado. Queen Latifah afirma que uma mulher não enxerga o mundo de modo diferente necessariamente por conta de seu sexo, e que é tempo de permitir que mulheres possam fazer mais filmes, também atrás das câmeras. Elas sabem usar as lentes e podem também fazer filmes de ação ou qualquer outro. Segundo a atriz, “Temos que tirar a pressão de sermos mais fortes, perfeitas ou de fazer melhor que os homens. E se temos a dádiva de carregar uma vida dentro de nós, temos o poder de trazer mais amor para o mundo”. Para Madonna, mulheres são mais confiáveis de modos diferentes, ao contrário do estereótipo de que elas não são dignas de confiança. “Elas têm mais MBAs que os homens e já ocupam 52% dos cargos de trabalho nos EUA. Se elas são confiáveis para isso, por que não seriam para cargos de liderança?”, questiona a publicitária. O CMO da P&G convidou todos a se juntar à campanha “agentes da mudança”. Ele acredita que todos que aspiram à mudança, devem aderir e difundir o movimento e alimentar a causa. Queen Latifah acaba de lançar um coletivo feminino que se empenha em produzir filmes com diretores e profissionais mulheres. Essa é uma oportunidade de marcas compartilharem valores e ideias que façam o mundo melhor. As mulheres estão famintas por informação, conselhos e inspirações que as motivem para seguir em frente rumo a um mundo mais igualitário. Ao final, o painel ainda trouxe um incrível número musical para inspirar a audiência a abraçar a mudança e lutar por ideais. A igualdade de gênero, mais que uma causa, vale a pena.