Alerta: precisamos investir melhor o budget de pesquisa

“Não existem fórmulas, existem contratos com parceiros já conhecidos que entregam. O que entregam? Dizem o que? Impacta o que? Como influenciam? Aliás, faz sentido?”

Por: - 1 mês atrás

Não existem fórmulas, existem contratos com parceiros já conhecidos que entregam. O que entregam? Dizem o que? Impacta o que? Como influenciam? Aliás, faz sentido?

Chega aquele relatório recheado de “verdades” que te tranquilizam: temos um caminho.

Lidamos com um meio no qual a mão de obra é desqualificada, falta formação técnica, moral, ética e teórica. Tudo, ou quase tudo, no mundo das pesquisas de mercado se constrói na base das generalizações. É tirar o todo pelo particular, é colocar a mão de obra barata para absorver a matéria-prima que irá impactar na sua decisão. Assustado? Pois é!

Lidamos com o medo da fraude – prática bem comum em grandes empresas que incharam e perderam qualidade. Há um setor chamado “verificação” no qual os pesquisadores seniores se ocupam em vigiar os novatos, aqueles que ganham por produção sem qualquer engajamento sobre o que estão fazendo no campo temático. Hoje pesquisam intenção de voto para presidente e amanhã estarão envolvidos com o seu produto. Vai lá, pergunta, isso, tem que ser rápido senão o entrevistado foge, pergunta logo antes que ele entre no metrô. Ah, mas ele não respondeu as últimas seis perguntas – olha para um lado, olha para o outro e marca uns “x” aí sem ninguém ver. Pronto. Mais um questionário aplicado para contabilizar meu ganho.

Confira a edição online da revista Consumidor Moderno!

Esqueça a pesquisa de mercado.

Esqueça aquele grupo focal organizado na sala de espelho.

Esqueça a ida à casa do consumidor fingindo intimidade.

Esqueça perguntas feitas pelo telefone.

Esqueçam os questionários aplicados na rua ou na base virtual de consumidores.

O design do “ppt” vai continuar fazendo os seus olhos brilharem mais do que o conteúdo? Até quando? Porque se você não estiver lá de verdade, se você não exercitar a empatia, se você não for criterioso com recrutamento ou souber ligar os pontos… desista.

Se não houver repertório teórico para INTERPRETAR os achados de campo e criar a ponte serão tempo e dinheiro jogados no lixo. Sim, eu disse lixo.

As decisões estratégicas serão as mesmas, os estereótipos reafirmados e o Brasil continuará sendo traduzido pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Recife.

Quer inovar? Comece conhecendo os brasileiros, de preferência de perto e de dentro.

Não, eu não faço pesquisa de mercado, a gente prefere desenvolver estudos: o conhecimento é um artesanato intelectual.