Dos discos de vinil para as fitas cassetes, para os CDs e agora com os tocadores de mp3. A estrada foi longa e a inovação, sem tamanho. De repente, comprimimos num aparelhinho de 3cm x 2cm tantas músicas como nunca achamos que era possível e mudamos nosso modo de nos relacionar com elas.
E agora, sem alarde, os discos começam a voltar à cena, como uma inovação às avessas. As pessoas desejam ter de volta o barulhinho da agulha deslizando pelos sulcos de vinil. É um nicho que valoriza essa experiência – há um certo saudosismo envolvido, é verdade.
Os números impressionam. Se a indústria brasileira de CD registrou queda de faturamento em 2007 de 33%, o mercado de discos de vinil cresceu três vezes seu tamanho. Nos Estados Unidos, a receita com a venda de vinil em 2007 somou US$ 23 milhões, um aumento de 46,2% em relação a 2006, segundo a RIAA, associação americana da indústria fonográfica.
É, os discos estão voltando. Ed Motta lançou seu CD novo com versão em vinil especial para a Europa – seus “bolachões” vendem muito bem por lá. Lenine, por sua vez, que acaba de lançar uma nova coletânea, só vai mandar vinis para a Rússia – foi um pedido especial do país. Aliás, o cantor está lançando três versões para seu “Labiata”: é possível comprar o álbum em CD, disco e pen drive.
A Livraria Cultura e a Saraiva, desde 2006, reservam espaço especial para os discos e a procura só aumenta, apesar o preço mais salgado (a título de comparação, o último CD de Amy Winehouse sai por R$ 27,90, já a versão em vinil custa R$ 74,90).
Pra mim ficou uma lição. Uma inovação não invalida a outra. A capacidade de se reinventar, encontrar um novo mercado, um novo nicho, uma nova maneira de fazer negócio e criar um produto altamente desejado...
Fiquei com pena de ter-me desfeito do meu tocador de discos.
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