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Dinamarca, Vivienne Westwood e pensamentos sustentáveis

by Ticiana Werneck — last modified 25/09/2008 21:42

Vivienne WestwoodNão sou cliente da Porto Seguro, mas pensei em ser após conhecer o projeto dos bicicletários (serviço oferecido pela seguradora que empresta bicicletas gratuitamente aos segurados em estacionamentos na cidade de São Paulo). A bicicleta emprestada deverá ser devolvida até às 20h do mesmo dia em que foi retirada, em um dos estacionamentos da rede Estapar participantes do Projeto – há também os paraciclos para os clientes estacionarem a ‘magrela’. A idéia é “incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte, desafogar o trânsito e estimular os segurados a adotarem hábitos mais saudáveis”, explica o release.

Ok, em termos de causa está perfeito. Pedalando, o ciclista pratica exercício físico e, ao mesmo tempo, tira um veículo de circulação das ruas, reduz a emissão de poluentes, economiza o dinheiro que seria gasto para abastecer o carro e, principalmente, beneficia a própria saúde. Mas se pensarmos em business, tem alguma coisa aqui que eu perdi. Vamos imaginar que em alguns anos a moda pegue, as pessoas realmente passem a usar suas bikes como meio de transporte e deixem os carros de lado. Como o seguro auto Porto Seguro vai sobreviver?

Pensei nisso e automaticamente me lembrei de Vivienne Westwood, a dama-designer dos sapatos de luxo, e seu manifesto contra o consumo. Isso mesmo que você leu. Ela, cuja grife caríssima vende sapatos pelo mundo inteiro, é a maior garota propaganda dessa campanha, e recentemente inclusive esteve no Brasil divulgando um manifesto anticonsumo.

Pensei também no Mc Donald´s e sua campanha por uma alimentação mais saudável – mas continua vendendo hambúrgueres, batatas fritas e refrigerantes em toneladas.

Contrasenso ou não, vivemos a época das bandeiras. Empresas levantam as delas e nós escolhemos quem seguir.

Em relação à Porto Seguro, me identifiquei imediatamente com a causa. O trânsito é algo que me deixa muito aflita, e essa idéia é brilhante. Mas como disse: e a perenidade do negócio?

BicicletasQuestionei a assessoria de imprensa. A resposta demorou um pouco mais veio. Segundo Fábio Luchetti, vice-presidente executivo da Porto Seguro, “é um erro pensar que as pessoas deixarão de ter automóveis ou de fazer seguros. O que pode hipoteticamente acontecer é uma queda no valor do prêmio, já que o carro poderá ser menos utilizado. Isso dependerá muito de cada usuário”.

Perguntei também sobre como vislumbram a curva de aceitação da idéia da bicicleta como meio de transporte mais "amigo do meio ambiente" no lugar do carro. Para Luchetti, esse é um processo lento e gradual, “cuja evolução depende de uma combinação de fatores, como maior consciência de cada um, melhor educação do motorista sobre as regras de trânsito em relação às bicicletas, políticas públicas de incentivo e infra-estrutura e etc”.

Verdade. A Dinamarca não é aqui. Em Copenhague, o transporte verde – leia-se a bicicleta, - é oferecido pela prefeitura. Já aqui em São Paulo, segundo levantamento de 2006 da Prefeitura, mais de 250 mil bicicletas circulam todos os dias pelas ruas e avenidas da cidade, apesar dos menos de 30 km de ciclovias existentes na metrópole.

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