Ando muito de carro, consequentemente fico muito tempo no engarrafamento. E como muita gente, uso o modo mais fácil de me distrair, o velho e bom rádio. Há algum tempo, lembro de uma discussão entre os futurólogos de que o rádio estaria com os dias contados. Que nada. Está aí, mais forte do que nunca.
Recentemente, no segundo dia do Futurecom 2008, o jornalista Ricardo Boechat que mediava o principal painel do dia, abriu uma aspas entre as falas dos executivos de telecom para comentar exatamente isso. “Tenho 40 anos de jornalismo em televisão e jornal, há apenas 5 estou no rádio. Preciso dizer: a repercussão que tenho no rádio é impressionante, nunca vi nada igual. A interatividade e o alcance não podem se comparar às outras mídias”, disse.
Esse alcance tem inserido o rádio nas estratégias de marketing das empresas com uma certa posição de destaque. E não apenas como um megafone de seus spots comerciais. Ele virouo próprio meio. O que dizer das rádios Mitsubishi, Sul América e Oi, que operam na FM de São Paulo? Ainda é cedo dizer se será uma tendência, mas chama a atenção nas três a qualidade da programação, a escolha do repertório bem em linha com o posicionamento de cada uma.
É bom lembrar que vivemos um momento difícil para quem trabalha com marketing. Somos multitarefa, sempre conectados e cada vez mais desconfiados das mensagens publicitárias. Mas aqui nesse caso, nós estamos atentos. Incluo ainda outra vantagem do rádio. Os celulares viraram o “antigo radinho de pilha”. Cada vez mais pessoas vão trabalhar de ônibus ou metrô ouvindo rádio em seus celulares.
No caso da SulAmérica, sua estação de rádio, perto de completar dois anos, está inserida na estratégia de relacionamento. Objetivo? Oferecer um serviço, ser lembrada pelos donos de veículos e aumentar a participação no mercado de seguro de automóvel. Totalmente dedicada à cobertura do trânsito durante 24 horas, a rádio recebeu um investimento de R$ 30 milhões. De acordo com o presidente Patrick de Larragoiti Lucas, a rádio vem reforçar a vontade da empresa de crescer. “Temos uma participação de 10% no mercado de automóveis em São Paulo, com uma frota de 380 mil veículos segurados. Nossa meta é estar entre as líderes nos próximos cinco anos”, afirmou.
A rádio Mitsubishi traduz o espírito de liberdade, símbolo da marca. Une os temas aventura e emoção, com música e conteúdo. Os programas foram batizados em homenagem aos veículos da marca, como o Pajero Full in the Morning, programa de noticias e música da manhã, e o Outlander Live, programa musical apenas com versões ao vivo, entre outros.
O projeto, desenvolvido pela Agência África, é uma parceria da marca com o Grupo Bandeirantes e conta com nomes de expressão nesse meio em que a marca atua: o jornalista Fernando Solano, fala de esportes de aventura, o jornalista Celso Miranda traz o mundo do automobilismo, o piloto Guilherme Spinelli analisa as provas de ralis, Caco Alzugaray comenta sobre as corridas de aventura, a atleta Marina Verdini conversa sobre mountain-bike, e o velejador André Fonseca, o “Bochecha”, analisa os esportes náuticos. Tudo a ver.
Já a rádio Oi FM – também presente em Ribeirão Preto e Santos - traz o mote do “diferente”. Apresenta playlist com inspiração nas “free radios”, explorando a pluralidade, com diversos gêneros e tendências musicais; o conceito autoral e o apoio aos novos talentos da música.
A Oi foi pioneira na adoção de estratégias de marketing por conteúdo ao lançar a Oi FM em janeiro de 2005. Ao apresentar sua rádio, antes mesmo do início de sua operação móvel nestas cidades, a companhia reforça entre o público do Estado sua estratégia de marketing associada ao estilo de vida.
O diretor de Mídia e Conteúdo da empresa, José Luís Volpini, explica que “a Oi FM faz parte da estratégia de distribuição de conteúdo da companhia, focada em levar ao público uma programação orientada pelos conceitos de ousadia e inovação da Oi. A chegada a Ribeirão Preto, uma das maiores e mais representativas cidades de São Paulo, marca a entrada da Oi no mercado de grande visibilidade e potencial como interior paulista”, completa.
As três têm em comum um grande mérito: conseguem, através do rádio, associar sua imagem de empresa a um estilo de vida. E o melhor: a audiência está prestando atenção.
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