O Brasil de 2030
Em 22 anos, o Brasil estará entre as oito maiores economias globais, acumulando um PIB de R$ 2,4 trilhões. As projeções são parte do estudo Ernst&Young e FGV sobre evolução da renda e mercado de consumo no país.
Como estaremos em 2030? Ernst &Young e FGV Projetos respondem: bem, muito bem. O PIB brasileiro terá um crescimento de 150% até 2030 e passará dos atuais US$ 963 bilhões registrados em 2007, para US$ 2,4 trilhões. O País terá um crescimento médio de 4% ao ano entre 2007 e 2030, um salto da décima para a oitava posição entre as maiores economias mundiais. Seremos o quinto maior mercado consumidor do mundo – hoje, somos o oitavo do ranking.
As conclusões são do estudo Brasil Sustentável – Crescimento Econômico e Potencial de consumo. “A percepção de estabilidade econômica fez surgir entre as empresas a necessidade de se discutir previsão”, destaca Fernando Garcia, consultor da FGV Projetos.
As grandes tendências de evolução da renda e do consumo são essenciais para o planejamento das empresas dos mais diversos setores da economia. Como essa, do crescimento do PIB que irá impactar diretamente a economia do país. “O Brasil já percorre a trilha do crescimento equilibrado e não é irreal antever sua participação qualificada no contexto mundial. O crescimento de 150% leva em consideração fatores como taxa média de investimento de 22,7% e a expansão da força de trabalho a 0,95% ao ano”, explica Garcia.
Consumidores mais instruídos
Em 2030, o aumento da escolaridade da mão-de-obra passará de 7,8 anos de instrução formal, para 11,3, e teremos números de aumento médio de produtividade próximos aos de países desenvolvidos, 0,93% ao ano – mas ainda inferior ao ritmo da China (1,37%).
Mercado Consumidor
O estudo indica uma mudança profunda do perfil da sociedade brasileira, que verá o estreitamento de sua pirâmide social, com o crescimento das classes de renda intermediária. “Até 2030, a renda do brasileiro terá crescimento de 3,1%, podendo chegar a 3,8%”, revela Garcia. Em valores absolutos, o mercado de consumo saltará de um total de vendas de R$1,41 trilhão (2007) para 3,30 trilhões (2030).
As maiores responsáveis por esse número serão as classes com renda familiar entre R$4 mil e R$16 mil , que passarão a gastar mais com habitação e serviços de utilidade pública. A participação das famílias com renda mensal de R$ 2 mil irá diminuir, em virtude da migração para classes de renda mais elevadas.
Antes bares, agora farmácias
A maturação do mercado consumidor ocasionará mudanças significativas no perfil do consumo, que irá se sofisticar. Aqui, estão as oportunidades. Cairá a parcela de despesa familiar com bens de consumo não-duráveis, como alimentos, fumo e bebidas, combustíveis e transporte em geral; e crescerão as despesas com habitação, saúde, higiene e educação. A ampliação da renda e a mobilidade social do País ainda redefinirão o mercado de alimentos, com altas contribuições do segmento de comida industrializada e da alimentação fora de casa.
Cenário global
Não parece exagero supor que o atual estágio de globalização é relativamente estável e, caso não se aprofunde, deverá no mínimo permanecer como está. Ainda, a globalização tende a favorecer os países que têm uma parcela significativa de seu vigor econômico condicionada pelo comércio exterior, caso do Brasil e de seus principais parceiros, como os Estados Unidos e a China. Embora a globalização siga em ritmo forte, há fatores capazes de contê-la e mesmo promover retrocessos. É importante considerar que:
- ao mesmo tempo em que premia a eficiência, a globalização provoca uma concentração de renda e afeta profundamente
mercados locais, gerando resistências e tensões permanentes. Os impasses nas negociações sobre os acordos
mundiais de comércio são um exemplo emblemático disso;
- conflitos, mesmo em escala regional, podem comprometer substancialmente importantes fluxos de comércio e de capitais;
O mundo em 2030
As dimensões geopolítica e demográfica são essenciais para qualificar as perspectivas de crescimento. Destaques:
- a Ásia e a Oceania, em grande medida alavancadas pelo desempenho econômico chinês, aumentarão expressivamente
sua importância mundial, ostentando um crescimento médio da renda de 4,8% ao ano, superior ao verificado na América do Sul (3,5%), nos Estados Unidos (2,7%) e, sobretudo, na Europa (1,7%). A população asiática crescerá menos do que a média mundial;
- os Estados Unidos, mesmo com um crescimento do PIB comparativamente menor, continuarão sendo a maior e uma das mais pujantes economias do mundo, com altas taxas de produtividade e de remuneração do capital;
- o Oriente Médio preservará sua condição de região estratégica, merecedora de particular atenção em razão de suas
reservas de petróleo e do alto potencial de conflitos entre países e grupos religiosos ou étnicos;
- a América do Sul ganhará importância relativa em razão de seu crescimento econômico maior que o da média mundial, em especial o brasileiro, e da valorização de suas reservas energéticas (petróleo, gás, biodiesel e etanol);
- a África Subsaariana terá a mais alta taxa de crescimento populacional do planeta (2,1%).
-o crescimento econômico vigoroso de países em desenvolvimento com grande peso populacional – como o Brasil, o México e a Índia – será elemento importante de diminuição dos fluxos migratórios para as áreas mais desenvolvidas;
- das cem economias analisadas, o número de países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) chegará a 59
em 2030, contra 37 em 2005. A melhora do indicador reflete a elevação da renda per capita, dos níveis educacionais e
também da expectativa de vida em nível mundial.
- O crescimento global nos próximos anos está em grande medida condicionado ao desempenho dos Estados Unidos e dos países em desenvolvimento, sobretudo a China, a Índia e o Brasil. Em razão disso, o PIB mundial deverá sofrer uma expansão mais forte no período 2007-2017, a uma taxa de 3,9% ao ano. No período posterior, sofrerá uma desaceleração pela perda de ímpeto da China, que sairá de uma média de 7,9%, no primeiro período, para 5,5%, entre 2017 e 2030. A Índia
sofrerá uma diminuição de ritmo proporcionalmente maior, de 4,4% para 2,6%. Os Estados Unidos, em contrapartida,
sofrerão uma aceleração, de 2,5% para 2,8%.
- A Europa apresentará taxas de crescimento menores, de 2,1% e 1,4%, respectivamente. Os melhores desempenhos serão
de Grã-Bretanha (1,9% e 1,5%) e Espanha (2,2% e 1,5%). A Rússia sofrerá uma forte queda em seu ritmo de desenvolvimento
(de 3,2% para 0,7%) em conseqüência da queda progressiva de produtividade e da diminuição significativa de sua força
de trabalho, ocasionadas por um processo de redução populacional observado desde os anos 1990.

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