Tempos de crise na web gratuita
Como a crise econômica afetará o conteúdo gratuito da web?
Poucos anos atrás a idéia de conteúdos gratuitos na web alcançava todo o seu vigor. Agora esse futuro gratuito está menos incerto.
O jornalista Andrew Keen, que diz “odiar todas as coisas gratuitas”, recentemente deu entrevista à Wired, dizendo que a crise econômica deixará a gratuidade de muitos serviços da web com os dias contados. “O ponto básico é que trabalho gratuito é ótimo quando todos estão com dinheiro e empregados. Mas quando a crise chega a atitude perante o dinheiro muda. O desemprego está aí e a idéia de trabalhar de graça vai se tornar um absurdo total”, diz.
É um argumento que conflita diretamente com o mantido por Chris Anderson editor-chefe da Wired (o mesmo de Cauda Longa), que defende o modelo gratuito para a web - inclusive para a revista e seu próximo livro.
Mas Keen defende que as mídias online estarão em melhor situação se começarem a remunerar os colaboradores com dinheiro, do que as que não o fizerem. “Significará o sucesso de Knol sobre Wikipedia, de Mahalo sobre Google e de Hulu sobre o YouTube.”
A Wikipedia, por exemplo, já começou seu pedido de socorro. É possível ver, ao entrar, no banner superior mensagens que se intercalam pedindo doações para sua manutenção do site. “A Wikipedia está aqui quando você precisa dela – agora ela precisa de você. Doe agora”, diz a frase na barra superior.
A Wikipedia é operada pela Wikimedia Foundation, uma corporação beneficente, que possui status de isenção fiscal, sediada em São Francisco, California. O apelo é pela continuidade do serviço e da qualidade. Diz a tela onde se inserem os dados do cartão de crédito para doação (com três opções de valor US$ 30, US$ 75 e US$ 100): “Como uma organização sem fins lucrativos apoiando uma comunidade global de voluntários, esforçamo-nos para trazer mais e melhores informações em todos os idiomas, para pessoas em todo o mundo, gratuitamente e sem a inclusão de propagandas. Sua doação irá nos ajudar a manter a Wikipédia em funcionamento e torná-la mais útil para você”. Até agora o site já recebeu mais de US$ 2 milhões em doações – a meta é chegar a R$ 6 milhões.
As previsões de Keen ganham um reforço especial com as descobertas do recente estudo de setembro de 2008 da Rubicon Consulting. Nele, mais da metade dos usuários de internet disseram estar dispostos a pagar US$ 2 por mês para usar o Google.
Mas possuir um modelo baseado nessa cobrança, por outro lado, tem seu preço. Em tempos de crise fica também mais magra a carteira para gastar em serviços de web. Mais de um terço dos sites de conteúdo pago pesquisados pela MarketingSherpa em abril de 2008 disseram que já estavam sentindo os efeitos da crise. Cerca de 25% disseram que embora não tivessem registrado queda nos registros, esperavam-na em breve.
Sites que os americanos estariam dispostos a pagar US$ 2 por mês para usar
| 52% |
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| Yahoo! | 22% |
| YouTube | 19% |
| Wikipedia | 18% |
| 17% |
|
| eBay | 16% |
| MapQuest | 14% |
| amazon | 13% |
| MySpace | 12% |
Fonte: Rubicon Consulting; www.emarketer.com; setembro de 2008


