As selfies e seu legado comportamental

Registrar os momentos com vídeos, atualizações de status e selfies é inevitável, mas podemos estar ultrapassando os limites. É o que pensa o pesquisador Andrew Hoskins, da Universidade de Glasgow, na Escócia.

Caso você ainda não tenha percebido, este foi o ano da selfie. O termo em inglês faz referência aos autorretratos. Na prática, a palavra surgiu em 2012 e, no ano passado, foi eleita a palavra do ano pelo Dicionário Oxford da língua inglesa.

Mas, neste ano, sua popularidade decolou de vez. O termo foi mencionado 92 milhões de vezes no Twitter neste ano, 500% a mais do que em 2013.

Além disso, uma selfie se tornou o post mais republicado na história Twitter. A foto feita pela apresentadora Ellen Degeneres no Oscar, onde apareciam diversas celebridades de Hollywood, foi retuitada 1 milhão de vezes na primeira hora em que estava no ar. Até hoje, já foi republicada mais de 3,3 milhões de vezes.

 

A imagem também foi considerada a foto do ano pela revista Time.ra fotos vem crescendo exponencialmente graças à internet e aos smartphones”, disse a revista. “Fotos viajam muito rápido por diferentes plataformas, atingindo milhões de pessoas em questão de segundos. E isso ficou evidente na foto feita por Ellen DeGeneres.”

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Também neste ano, a Copa do Mundo foi o evento mais falado no Twitter, com 672 milhões de tuítes comentando o campeonato.
Mesmo no Mundial, a selfie fez-se fortemente presente.

A foto tirada pelo jogador alemão Lukas Podolski junto com a chanceler Angela Merkel durante a celebração do título da seleção do país foi uma das fotos mais populares da rede social.

“A loucura em torno da selfie continua e não dá sinais de que esteja perdendo força”, disse Lewis Wiltshire, diretor de parcerias de mídia do Twitter no Reino Unido, ao jornal The Daily Mail. Por isso, se você estiver cansado da mania do autorretrato, assim como muitas pessoas, respire fundo: 2015 vem aí e, junto com o novo ano, uma enchurrada de selfies nas redes sociais.

 

Estamos exagerando?

Manter-se conectado a todo momento, segundo Hoskins, já é parte integrante da experiência de estar em qualquer lugar e se tornou uma espécie de compulsão. Isso ajudaria a explicar, por exemplo, a polêmica levantada pelos autorretratos tirados durante o funeral de Eduardo Campos.

O pesquisador, que fundou a publicação especializada Memory Studies, fala até mesmo de um “esvaziamento da memória” à medida que as pessoas se tornam mais dependentes das buscas online e guardam extensos arquivos e fotos pessoais digitais que nunca serão visualizados.

“A memória sempre se faz no presente. Ainda não entendemos a magnitude da maneira como a tecnologia mudará nossa memória no futuro”, disse o pesquisador à BBC Brasil.

O professor fala sobre um fenômeno que ele chama de compulsão pela conectividade. “Então a pergunta a se fazer é por que as pessoas estão tirando selfies? Por que elas estão constantemente registrando tudo? É em parte a ideia do que é estar em um espaço público hoje, o que é entender uma certa experiência ou evento. A tecnologia sempre esteve presente nesse sentido, mas para mim há um ponto em que chegamos longe demais. É quando registrar o evento se torna mais importante do que ver o que está sendo registrado. Acho que esse momento estamos vivendo agora”.

* Via BBC.




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