Black Friday: oportunidade para lojas e consumidores

Apesar da má fama das edições anteriores, brasileiros estão dispostos a aproveitar os descontos da Black Friday. Mas as falhas estruturais vão além de preços inflados e entrega

Confiar nas promoções da Black Friday parece uma cilada, mas embora a versão brasileira do dia americano dos super descontos seja alcunhada com termos como ?Black Fraude? e ?preços pela metade do dobro?, uma pesquisa realizada pelo Zoom, com cerca de 10 mil pessoas, revela que 99% dos entrevistados pretendem comprar no evento e mais da metade, 59%,  confia que encontrará descontos reais. A Black Friday deve ter 61 compras por segundo e movimentar R$1,54 bilhão em 2014

E a sexta dos descontos fará até mesmo com que os brasileiros, que costumam deixar suas compras de natal para a última hora, adiantem a escolha dos presentes.  A ?Pesquisa Natal 2014 ? Revelação sobre o hábito de consumo dos brasileiros?, em sua quinta edição, antecipa as tendências relacionadas ao período de festas natalinas. Uma parte significativa dos consumidores pretende antecipar as compras para novembro, 43% ? o maior índice já indicado para este mês, na série histórica de cinco anos da pesquisa.

Mas o nosso jeitinho brasileiro parece ainda não ter conseguido captar com exatidão o espírito da data. Comprar na Black Friday brasileira ainda é até 20% mais caro que nos Estados Unidos. Segundo simulação da agência ViajaNet, promoções no varejo nacional durante a data não superam economia de viagens de compras no exterior. Mesmo com as promoções e descontos oferecidos pelo varejo brasileiro na Black Friday, que acontece mundialmente no dia 28 de novembro, ainda sai cerca de 17% mais barato viajar para os Estados Unidos e comprar os produtos lá do que participar aqui. Buscando desconstruir esta imagem negativa, houve um encontro que reuniu 112 varejistas do setor online para lançamento de uma campanha com o objetivo de dar credibilidade à ação de vendas, chamada ?Black Friday Legal 2014?, segundo o sócio-fundador da Officina di Trade.

?A intenção é auxiliar o consumidor brasileiro no momento de decisão das compras online, onde todos os varejistas que assinarem o compromisso de manter as boas práticas do comércio eletrônico neste dia da ação promocional de vendas terão estampadas em seus sites o selo homônimo ao nome da campanha. Com isso, o varejo online brasileiro busca conquistar grande parcela da projeção de vendas para a data, no valor de R$ 1,2 bilhão que representa um crescimento de 56% relativo ao ano de 2013. Penso que esta alta adesão dos consumidores às compras online não deixa de ser uma grande oportunidade ao varejo tradicional (lojas físicas) para atuar de forma diferente e inovadora na busca de atrair estes consumidores e alavancar suas vendas nesta data – que parece já ter ganho os corações e os bolsos dos brasileiros?, afirma.

Mas como fazer com que a Black Friday contribua positivamente para o seu negócio? Para Gabriel Drummond, cofundador da Intelipost, plataforma especializada em gerenciamento de logística para o pré e pós-venda, é preciso pensar nos processos internos da loja, a empresa pode reforçar suas equipes de picking, packing e expedição, se preparando para as horas extras. Os centros de distribuição devem ser reorganizados para facilitar a vazão de produtos que são as apostas da promoção. A operação deve fluir tranquilamente, assim como o controle de qualidade. Nesse momento, errar dentro de casa é um pecado capital. “Fora de casa, o nível de controle cai drasticamente. O desafio é garantir que as transportadoras entreguem no prazo acordado, mantendo sua qualidade, sem danos a produtos, extravios etc”, afirma. “O trabalho não termina com a entrega. O lojista precisa ainda avaliar indicadores de desempenho, tanto internos (qualidade no picking/packing, tempo para expedição etc) quanto externos, como o desempenho das transportadoras e o atendimento dos prazos oferecidos aos clientes. Os aprendizados devem ser usados não só na preparação para o próximo pico, mas, inclusive, em negociações futuras com as transportadoras”, completa.

A Defensoria Pública de São Paulo lançou uma cartilha sobre os diretos de quem realiza compras pela internet e dá dicas para evitar transtornos durante a data ? que foram frequentes e eloquentes nas edições anteriores.  

Os problemas vão além das corriqueiras faltas de produtos em estoque e da inflação dos preços reais com descontos fictícios (a metade do dobro). Aparentemente bancos e comércio eletrônico não tem uma estrutura para suportar essa ocasião. É o que afirma um recente estudo da Return Path, líder mundial em Email Intelilligence, que analisou o domínio de 96 bancos e 255 e-commerces brasileiros e nenhum deles possui proteção completa contra emails fraudulentos, ou seja, a solução capaz de bloquear a mensagem antes mesmo que ela chegue à caixa de entrada do internauta, o que evitaria as frequentes fraudes da data.

De acordo com a Kapersky Lab, a maioria dos golpes chega por e-mail, com ofertas mirabolantes como um iPhone 5S por R$ 399,00 ou uma TV de 47 polegas por 799. Estas são uma das iscas usadas pelos criminosos:

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As mensagens maliciosas utilizam visual profissional, o mesmo usado pelos varejistas ao comunicar seus lançamentos ou promoções; o intuito dos criminosos é parecer o mais legítimo possível e não levantar suspeitas. Os criminosos também têm se preocupado em comprar e usar nos ataques domínios com nomes que parecem legítimos, como: black-monday.net, black-monday.info, walmart1blacknight.com, shoptimeblacknight.com, etc. Outro foco são as redes sociais: perfis falsos de empresas no Facebook e divulgações fraudulentas no Instagram estão entre suas armas.

Mas nem só de infortúnios se faz uma sexta-feira de descontos. Uma pesquisa realizada pelo Scup, ferramenta líder em monitoramento, atendimento, gestão e análise de mídias sociais, revelou que a interpretação acertada das citações sobre a Black Friday nas redes sociais, se utilizada em conjunto com as ferramentas de anúncios, aumenta a competividade dos varejistas de pequeno e médio porte e, portanto, torna-se uma oportunidade de funcionar como combustível para esse tipo de empresa. O levantamento indica que não há fidelidade às lojas nessa época e que a decisão de compra é feita de acordo com as melhores ofertas.

Embora a maioria dos consumidores já tenha definido os itens a serem adquiridos na sexta-feira, ainda há espaço para alavancar as vendas por impulso em tickets médio (até R$ 500). Segundo o levantamento, os consumidores preferem esperar a data para comprar livros e celulares que representam, respectivamente, 23% e 9% das menções de expectativa em relação ao evento. Pela primeira vez, a movimentação do que pensam os consumidores brasileiros durante o dia de promoções poderá ser mostrada em tempo real. A partir do monitoramento ?ao vivo? do que é dito nas redes sociais, o sistema NetBase apresentará a opinião dos internautas sobre, por exemplo, onde estão as melhores (e as piores) promoções, como está o atendimento das principais lojas e quais são os produtos mais procurados. O buzz Black Friday já pode ser conferido online em http://brandblackfriday.polisconsulting.com.br.

O primeiro cuidado que o consumidor deve ter ao comprar em liquidações como essa é o de identificar os produtos que se encontram realmente em oferta. ?Não é raro que estabelecimentos aproveitem o chamariz da liquidação para anunciar como promocionais itens com preços semelhantes aos verificados antes do período ou que tiveram seu preço elevado pouco tempo antes para simular um desconto maior. Essa prática é chamada maquiagem de preços e pode ser considerada publicidade enganosa e o estabelecimento que a adotar pode ser penalizado?, explica Christian Printes, advogado do Idec.

Veja as dicas do Serasa para comprar com segurança:

1.  Antes de ir às compras nesta Black Friday, veja o quanto pode gastar. Faça um levantamento das dívidas fixas e as contas já assumidas ou previstas que possui;

2. Planeje as compras. Reflita se está realmente precisando daquele produto. Discuta a necessidade da compra com a família;

3. Faça uma lista dos itens que pretende comprar. Essa é uma das regras básicas para evitar gastar por impulso. Com o papel nas mãos, o consumidor só vai atrás dos produtos que realmente estão na lista, sem cair em tentação;

4. Cuidado com descontos milagrosos. Pesquise preços, para saber se está mesmo fazendo um bom negócio ao comprar o produto no período da Black Friday;

5. Evite cair em golpes. Se for comprar um produto para receber posteriormente, verifique se a loja física ou virtual escolhida possui uma situação financeira estável, para não ser surpreendido com o recebimento de uma mercadoria inferior no lugar da que foi comprada ou, pior, ficar sem o produto para sempre. Entre os dias 28 e 30 de novembro, o consumidor de todo o país poderá fazer uma consulta gratuita para saber a situação financeira de qualquer empresa do Brasil antes de fechar um negócio Com a pesquisa (www.serasaconsumidor.com.br), é possível saber sobre a existência legal da empresa e se ela não está à beira da falência. O serviço é gratuito apenas durante os três dias da Black Friday.

6. Pesquise o mesmo produto em lugares diferentes, pois os preços podem variar muito. Algumas lojas podem ter estoques antigos e oferecer um valor mais baixo;

7. Fique atento aos preços dos produtos importados. Com a alta do dólar, eles podem ter ficado bem mais caros;

8. Cuidado com longos parcelamentos para não comprometer ainda mais a renda. O fim do ano está próximo e, neste período, os gastos aumentam ainda mais;

9. Lembre-se da proximidade com o Natal, além dos gastos de início de ano, como IPVA, IPTU, material e matrícula escolar, despesas com viagens etc.;

10. Cuidado ao usar o cartão de crédito. Ele dá a falsa sensação de que não está gastando. Verifique na fatura o valor total das compras antigas antes de fazer uma nova dívida com ele. Além disso, o pagamento integral da fatura é a melhor maneira de usar esse meio de consumo. Evite utilizar o pagamento rotativo.






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