Comida saudável versus transtornos alimentares

Se a dieta é tornou-se a parte mais importante da sua vida e os alimentos passaram a ser mais que uma necessidade, mas uma preocupação, cuidado, você pode ter ortorexia

Foto de batata doce no Instagram. Brigadeiro de aveia. Alimentos sem glúten e o culto à tapioca. A alimentação saudável saiu dos consultórios e academias e hoje é um dos tópicos mais recorrentes nas timelines de redes sociais, nas ruas, no ambiente de trabalho e nas casas.

Parece que atualmente é preciso evitar glúten, sal, açúcar, gordura trans, colesterol, alimentos processados, carnes com antibióticos e uma lista extensa de outros vilões a todo custo. Nada errado em buscar mais saúde, mas quando esse tipo de comportamento torna-se obsessivo, pode ser um sinal de uma doença pouco conhecida, a ortorexia.

O distúrbio é a obsessão pela alimentação saudável. Os pacientes ortoréxicos excluem alimentos que consideram ?impuros?, com a justificativa de que podem conter herbicidas, pesticidas ou substâncias artificiais e se preocupam em excesso sobre as técnicas e materiais utilizados na preparação dos alimentos. Essa obsessão leva à perda de relações sociais e insatisfações afetivas que, por sua vez, favorece a preocupação obsessiva sobre a comida, fazendo da dieta a parte mais importante de suas vidas.

O programa ?Meu Prato Saudável?, parceria do Instituto do Coração (InCor) e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP com a LatinMed Editora em Saúde, alerta a população sobre o problema.

Segundo a médica Elisabete Almeida, diretora-executiva do programa, o distúrbio surge quando a pessoa passa a ser excessivamente preocupada com o que come no dia-a-dia, adotando hábitos de alimentação radicais como, por exemplo, conferir um a um os nutrientes e calorias de cada alimento, deixar de comer fora de casa e preferir exclusivamente os alimentos ditos ?naturais?.

Alguns fatores que podem desencadear esse distúrbio são: modismos alimentares, o culto ao corpo e a excessiva publicidade de produtos supostamente saudáveis ou enriquecidos. ?Os ortoréxicos costumam levar essas tendências a níveis extremos?, diz Elisabete. A médica alerta que é preciso evitar excessos, mesmo quando se trata de saúde. ?Se virar obsessão, certamente será mais prejudicial do que benéfico?, diz. A condição vira um problema quando há o corte radical de determinados alimentos, o que pode gerar até uma deficiente de certos nutrientes.

Lançado em 2012, o ?Meu Prato Saudável? é o maior programa de orientação alimentar do Brasil e tem como objetivo conscientizar a população a manter um peso saudável, já que o sobrepeso atinge 50% da população.  Trata-se de uma reinterpretação da ?pirâmide alimentar?, para facilitar o entendimento de uma alimentação equilibrada, com alimentos que os brasileiros já estão habituados.

A metodologia do ?Meu Prato saudável? ensina: preencha metade do prato com verduras e legumes (crus e cozidos) e a outra metade, divida em carboidratos (arroz, massas, batata, mandioca ou farinhas) e proteínas (animal e vegetal). ?Preocupar-se com a alimentação saudável é diferente de ser ortoréxico. A diferença está no grau de preocupação com o alimento ingerido e na restrição de nutrientes que são essenciais ao organismo?, conclui Elisabete.

 

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