Consumidor paulistano começa 2014 menos endividado

Pela segunda vez consecutiva, carnê e boleto lideram como meio de pagamento causador da restrição; 90% acreditam que em 2014 sua situação financeira será melhor e desemprego não é mais o maior causador da inadimplência  

O ano de 2014 já começa com o consumidor paulistano menos endividado, segundo a Psquisa do Perfil do Inadimplente realizada pela Boa Vista Serviços, com 1.110 consumidores no atendimento do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), na capital paulista, entre os dias 2 e 10 de dezembro de 2013. Esta mesma pesquisa mostra que a porcentagem dos que se declaram sem dívidas atingiu o nível recorde de 32%, o dobro do levantamento anterior.
 
Para 35% dos entrevistados, estas dívidas permaneceram estáveis e para 33% houve diminuição. Manteve-se em 47% a proporção de inadimplentes que julgam sua situação financeira sendo melhor que no ano anterior. A proporção dos que afirmam que a situação está pior aumentou, passando de 13% para 19%. Já a porcentagem dos que acredita que a situação financeira será melhor em 2014 atingiu 90%, ante 85% em setembro de 2013.
 
Pagamento das dívidas e nível do endividamento
 
A pesquisa da Boa Vista Serviços também identificou que 100% dos inadimplentes entrevistados pretendem pagar suas dívidas, total ou parcialmente, pelo segundo trimestre consecutivo.

Quando questionados sobre o nível de endividamento e o comprometimento da renda de suas famílias com o pagamento das dívidas. A parcela de pessoas que não tem outra dívida dobrou, passando de 16% para 32%, mas:.


 

 

Comprometimento de renda

19% tem mais da metade da renda comprometida com dívidas. Esse número era de 16% em setembro de 2013. Para 50% dos consumidores a renda está comprometida em até 25% para quitação de dívidas; e para 31% a renda familiar está comprometida entre 25% e 50%.
 

Os meios de pagamento que mais causaram a inadimplência dos consumidores foram:

Nas faixas de renda familiar de até 10 salários mínimos, a porcentagem de consumidores que declaram o carnê/boleto como causador da restrição atingiu 31%, e nas faixas acima de 10 salários mínimos foi de 29%.

Maiores causas de inadimplência

A aquisição de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos foi mais citada como causadora da inadimplência, atingindo 21% dos entrevistados. Para 18%, as dívidas não pagas originaram-se da compra de vestuário e calçados, 17% citaram a alimentação como gerador das dívidas e outros 17% mencionaram o não pagamento de contas com concessionárias públicas.
 
Para a faixa de renda acima de 10 salários mínimos, os pagamentos de contas de outros bens e/ou serviços foram os que ocasionaram a dívida para 22%; na faixa de até 3 salários mínimos foram os gastos com itens de vestuário e calçados (21%), enquanto na faixa entre 3 e 10 salários mínimos foram as aquisições de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos (22%).
 
O percentual de entrevistados com até quatro contas ou mais aumentou de 18% para 22% no 4º trimestre de 2013, segundo a pesquisa. Em contrapartida, os participantes que declararam possuir duas ou três contas reduziram de 34% para 30%, enquanto que o percentual que possui apenas uma conta manteve-se inalterado (48%). A maioria (51%) das dívidas não pagas está abaixo de R$ 1.000; mas 17% possuem dívidas abertas acima de R$ 5.000,00, 15% entre R$ 1.000 e R$ 2.000 e 17% entre R$ 2.000 e R$ 5.000.
 

Desemprego versus inadimplência
 
Recuou para 34% a parcela de inadimplentes que citaram o desemprego como a maior causa da inadimplência. A declaração de que o desemprego foi o responsável pela inadimplência reduziu três pontos percentuais em relação à pesquisa do 3º trimestre de 2013, tornando-se o menor percentual da série histórica.
                 
O descontrole financeiro como motivo da inadimplência permaneceu em 26% no 4º trimestre de 2013. Em terceiro lugar, 13% dos entrevistados declararam empréstimo de nome a terceiros como causa da restrição. Mesmo após recuo, o desemprego continuou como a causa preponderante nas faixas de renda familiar de até 3 salários mínimos (43%).
 
Para as faixas acima de 10 salários mínimos, o descontrole financeiro permaneceu como o motivo da incapacidade de pagamento com 30%, e voltou a ser o causador da restrição para as faixas de 3 a 10 salários mínimos (31%), segundo afirmação dos entrevistados.

 

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