Consumo infantil: influenciáveis e influenciadoras

Hoje crianças participam ativamente de 80% das decisões de compra da família e o aumento do poder de decisão de consumo entre crianças chega cada vez mais cedo, ou seja, atualmente crianças cada vez menores sabem o que querem e como conseguir

Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) para o portal Meu Bolso Feliz aponta que 52% dos pais compram produtos que os filhos querem, mesmo que a família esteja com o orçamento estourado. Os produtos mais comprados para os filhos nos últimos três meses foram jogos, celulares e notebooks, seguidos por roupas, programas de passeio, calçados e brinquedos.

Segundo a Associação Dietética Norte Americana Borzekowiski Robinson, bastam apenastrinta segundos para uma marca influenciar uma criança. Hoje crianças participam ativamente de 80% das decisões de compra da família e o aumento do poder de decisão de consumo entre crianças chega cada vez mais cedo, ou seja, atualmente crianças cada vez menores sabem o que querem e como conseguir.

O governo federal relançou em 2013 a cartilha “Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade”, publicação que faz parte da série Cadernos de Consumo Sustentável, lançada pela primeira vez em novembro de 2012.

Algumas dicas dadas por AdrianaRodopoulos, economista que se dedica ao estudo da Ciência Comportamental Aplicada, explica de que forma o “Consumo Emocional” pode afetar a vida das pessoas do ponto de vista financeiro e humano. Para evitar que as crianças tornem-se

• é importante entender que nós não somos aquilo que consumimos.

• ter em mente que ganhar dinheiro dá trabalho.

• sempre que surgir o desejo por alguma coisa, ensine a criança a diferença entre uma necessidade e não um desejo. “Fazer uma simples pergunta, como: eu quero ou eu preciso? Muitas vezes isso é o suficiente para conseguirmos adiar uma compra”.

A aprovação em abril desde ano de uma resolução que considera abusiva a publicidade infantil, emitida pelo Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), deu início a um verdadeiro cabo de guerra envolvendo ONGs de defesa dos direitos das crianças e setores interessados na continuidade das propagandas dirigidas a esse público.

Para o Idec, tendo como base o artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, a publicidade direcionada ao público infantil é abusiva pois se aproveita da deficiência de julgamento da criança. O Conselho Federal de Psicologia afirma que “além da menor experiência de vida e de menor acúmulo de conhecimentos, a criança ainda não possui a sofisticação intelectual para abstrair as leis (físicas e sociais) que regem esse mundo, para avaliar criticamente os discursos que outros fazem a seu respeito”.

No entanto, o próprio Conar diz que o código da entidade "proíbe o apelo imperativo de consumo infantil e propõe que os anúncios devam refletir cuidados especiais em relação à segurança". O órgão é contra a resolução do Conanda, e diz que "a mão pesada do Estado é uma afronta à liberdade de expressão e vilipendia o direito de cada família brasileira criar seus filhos da maneira que achar correta". A Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos) também emitiu nota dizendo que a medida "tira da criança o direito do acesso à informação".

De qualquer maneira, da mesma forma que a entrada de milhões de brasileiros no mercado de consumo criou a necessidade de educar financeiramente a população, a exposição das crianças a todo o tipo de informação de consumo, para que essa hiperexposição não faça com que as crianças cresçam com o sentido de que ter é ser.


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