Economia compartilhada: o terror da formalidade?

Serviço de aluguel temporário de residências entre particulares terá um limite máximo de 90 dias por ano; novidade  impulsiona a chamada economia compartilhada

Por: - 50 anos atrás

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A chamam de economia compartilhada, onde startups pipocam mundo afora ganhando mercado e causando desconforto para setores tradicionais. Airbnb, a principal inimiga das redes hoteleiras, acaba de ser legalizada em São Francisco.

Edwin Mah Lee, de origem chinesa, prefeito da Califórnia, obteve sete votos a favor e quatro contra na fase de aprovação da Lei. Sua argumentação deixou claro que trata-se de uma hospedagem temporal e faz parte da categoria de economia submergida.

A partir de 2015 só os residentes permanentes poderão sublocar seus quartos, apartamentos ou casas por no máximo 90 dias ao ano. A Lei anterior, conhecida como ?A Airbnb?, permitia o limite de 30 dias. Agora, com o limite estendido, o proprietário deverá contar com um seguro de mais de meio milhão de dólares e comprovar residência no domicilio há mais de 275 dias. Outro ponto importante é a criação de um registro público no Departamento de Urbanismo da cidade declarando respeito ao limite de 90 dias, além de pagar impostos e manter registros que comprovem isso.

De acordo com os advogados do Airbnb, o serviço beneficia cidadãos, turistas e o comércio local, já que promove a descoberta de novos bairros e novas lojas à margem do tradicional circuito da cidade.

O custo médio de uma noite em hotel em São Francisco é de 230 dólares. As tarifas de Airbnb começam a partir dos 100 dólares.

De colchões de ar para uma empresa de milhões de dólares

Brian Chesky é o criador do Airbnb. Em 2008 ele comprou alguns colchões infláveis e ofereceu café da manhã para conhecidos que queriam assistir a um congresso e não encontravam hotéis vagos em São Francisco. Desde então, sua empresa vem acumulando rodadas de investimento que já superam a rede internacional de hotéis Marriot. Estima-se que seu valor de mercado ultrapasse os 10 milhões de dólares. Nada mal para quem não precisa manter um restaurante sequer nem trocar roupas de cama.

A lista de espaços oferecidos pela empresa supera os 550.000 com mais de 350.000 anfitriões em mais de 134.000 localidades em 190 países. Em São Francisco, estima-se que 180.000 visitantes optam por essa modalidade de hospedagem. Segundo a Airbnb, entre 2011 e 2012 seus hóspedes deixaram 56 milhões de dólares na cidade com gastos em lojas, restaurantes e passeios. Barcelona é a cidade mais demandada hoje do seu catálogo.

Por cada aluguel a Airbnb fica com 3% da transação. O hóspede paga adiantado e o anfitrião só recebe dinheiro depois da primeira noite o que garante que tudo coincida com as descrições publicadas na Internet.

Uma das chaves do sucesso da empresa é seu valor social, que utiliza o Facebook para que tanto hóspede quanto anfitrião entre em contato com as experiências de outros usuários.

Para seus colaboradores a empresa oferece horários flexíveis, computadores de última geração, guloseimas e refeições diárias e um incentivo muito especial: a cada trimestre a Airbnb entrega um voucher de 250 dólares que ajuda no pagamento de uma hospedagem do catálogo. Pode ser uma experiência em um castelo antigo ou em uma casa na montanha, por exemplo.

A vitória em São Francisco, muito esperada por todo o setor de serviços baseados na economia compartilhada como Uber, Lyft, Sidecar e Getaround – esta última permite pegar emprestado um carro de terceiro por horas ? abre um caminho seguro para a evolução desses negócios. Respaldados por leis esses mercados jogam agora a favor de um novo modelo de economia atrelado às novas tecnologias e ao comportamento disruptivo de indivíduos que buscam não só melhores ofertas, mas também novas experiências.