Exigente? Sim. Mas brasileiro ainda conta com a presença do governo

O desagrado do consumidor em relação aos poderes mostra que, quanto mais próxima a ligação entre o consumidor e a instituição, pior é a avaliação  

O brasileiro está mais criterioso e exigente – tanto nas relações pessoais, como de consumo de serviços públicos e privados. O relacionamento com o Estado, por sua vez, mostra-se complicada.

De acordo com a pesquisa "A percepção do consumidor-cidadão perante a qualidade dos serviços públicos e privados", realizada pelo Instituto Data Popular à pedido da organização da iniciativa A Era do Diálogo, 62% dos entrevistados dizem entender seus direitos como cidadão.

Esta compreensão, no entanto, traz também uma insatisfação com a política – conceito que, entre os cidadãos, é difamado. Nesse sentido, 55% acha que o país seria melhor sem nenhum partido político. Renato Meirelles, presidente do Data Popular, ressalta, entretanto, que são muitos os estudiosos que perceberiam que uma democracia não pode existir sem partidos políticos.

Pode-se analisar, entretanto, que a insatisfação do consumidor não está relacionada à instituição – visto que ¾ acreditam no poder do voto –, mas aos partidos que estão no poder no Brasil de hoje.

Nesse sentido, o desagrado dos brasileiros em relação aos poderes mostra que, quanto mais próxima a ligação entre o consumidor e a instituição, pior é a avaliação. Ou seja, o cidadão está mais insatisfeito com a prefeitura, do que com o governo do Estado e com a união.

A questão é: se o cliente for mal atendido no serviço privado, pode reclamar.  Mas, em relação aos serviços públicos, ele sente carência. "Para quem eu reclamo?", questiona Meirelles.

O uso do serviço público ainda é muito frequente. Na área de educação, são 81% os que utilizam escolas públicas; 75% fazem uso de saúde que não é privada e 59% usufruem de transporte fornecido pelo governo. Ao mesmo tempo em que acreditam que os impostos são altos demais, são favoráveis à oferta de serviços custados pelo Estado.

O Data Popular revela ainda que, apesar de estarem insatisfeitos, 61% dos entrevistados creem que a intervenção do Estado é positiva e esperam atitudes boas do governo. O brasileiro quer um Estado grande e eficiente – e o conceito de um Estado pequeno não faz parte de suas ideias.

 

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