Google e Yahoo: diferença está no que se busca e não no que oferecem

É certo que as mudanças na tecnologia tiveram grande impacto, muitas vezes revolucionário. Mas o pensamento incremental e ampliado tende a ser subestimado pelas empresas na maior parte do tempo

Como é possível atingir grandes feitos alargando os próprios limites? Como é possível conciliar as inovações tecnológicas com um propósito claro, capaz de falar intimamente às pessoas? É certo que as mudanças na tecnologia tiveram grande impacto, muitas vezes revolucionário. Mas o pensamento incremental e ampliado tende a ser subestimado pelas empresas na maior parte do tempo.
Está manhã em Cannes, tivemos duas apresentações que revelaram os contrastes na visão de duas gigantes da internet e da tecnologia: Google e Yahoo.

Nikesh Arora, Chief Business Officer do Google fez uma apresentação de grande impacto que arrancou aplausos repetidas vezes da platéia que lotava o Auditório A do Palais em cannes. A base de sua apresentação foi a maneira Google de trabalhar, seu propósito e seu jeito de pensar o mundo e a tecnologia.

Nikesh trouxe as lições mais importantes em sua experiência com os times de trabalho e desenvolvimento no Google. O executivo enfatizou que todo o processo do Google é orientado pela identificação das premissas. Pensar em problemas cotidianos e estabelecer quais as premissas que tornam o problema um desafio. A matéria-prima é sempre a informação disponível, o conhecimento humano. Assim, as equipes estabelecem os passos iniciais mas definem um caminho fechado para as soluções. O aparentemente impossível é possível pensando em soluções como obras abertas.

A partir das premissas, as falhas são bem-vindas por trazer aprendizado surpreendente no processo. Ou seja, o Google se caracteriza por acreditar no aprendizado constante. Logo depois, o problema é enquadrado na filosofia corporativa de resolver problemas do cotidiano de modo simples. Oferecer ao complexo uma resposta simples é uma obsessão na empresa.

Percebam que trata-se de um método de resolução de problemas intrinsecamente ligado à cultura da empresa. Definem-se premissas, elabora-se o problema, buscam-se soluções simples para trazer utilidade a vida das pessoas e das sociedades.

Essa e a diferença ente Google e a Apple e outras empresas de tecnologia. A empresa de Cupertino procura oferecer produtos e ideias bem acabadas, sofisticadas, simples, mas que tenham a obsessão pelo estilo limpo, bem acabado, final. O Google preocupa-se em trazer simplicidade e utilidade para o máximo de pessoas. É isso o que inspira projetos como a internet wifi em balões, o carro sem motorista e o Google Glass. Transcender a função de uma empresa de tecnologia e torná-la útil, necessária e parte da vida das pessoas. Pode-se dizer que o Google está orientado para pensar em si mesmo como uma empresa que por ter acesso a muita informação precisa desenvolver essa informação na forma de ideias que resolvam problemas. É um propósito que orienta, engaja e mobiliza seu público interno.

O Yahoo, comandado por Marissa Mayer, que fez a apresentação logo em seguida a de Nikesh, quer ser apenas uma empresa inspiradora, capaz de entreter a vida e os hábitos cotidianos mundo afora. Sua apresentação, embora correta, foi fria, destituída do propósito que possa fazer do Yahoo uma empresa… Inspiradora. Uma contradição? A busca que motiva o Google não motiva nem encontra ressonância no Yahoo. Como a maior parte das empresas, o Yahho preocupa-se com o seu produto, seus serviços, seu design, sua visão mas não necessariamente busca transcender seu talento de forma diferente ou mais conectada com as pessoas e suas motivações mais puras.

O discurso do Google mostrou-se tremendamente poderoso e encontrou imediata repercussão e emparia com a platéia. Ao mostrar causos como o do órfão indiano que localizou sua família de origem por meio do Google Maps, ao do senhor que teve uma experiência única e incrível de olhar para a paisagem no carro que dirigia automaticamente, sem motorista, o Google colocou o lucro que obtém naquilo que vende na perspectiva de que ele retorna para a sociedade. O projeto da internet wifi em balões é notável, já que trata-se de uma solução simples, baseada apenas em recursos naturais: energia solar e ventos. Uma tecnologia primária como os balões junta-se à uma tecnologia nova – a internet – para permitir acesso a milhões de pessoas no mundo.

Enquanto o Yahoo adota o discurso certeiro da busca pela relevância e da conexão com as emoções cotidianas, o Google coloca-se a serviço das pessoas. Há uma diferença crucial no que é feito e entendido do negócio e dos rumos da empresa.

Nikesh Arora finalizou a sua apresentação dizendo que o método Google aspira servir o mundo. A empresa entende que precisa buscar soluções simples para dar utilidade efetiva e permanente para cada vez mais pessoas. As expectativas mudam constantemente e é por isso que faz-se necessário adaptar-se e ser flexível para acompanhar essa mudança permanente de expectativas.

Há algum tempo, bastava escrever a pergunta na barra de buscas. Mas agora, como falar com o seu smartphone e fazê-lo entender o que você pergunta para que ele traga a melhor resposta? Isso exige ciência computacional de grande sofisticação. Ainda assim, é necessário tornar esse processo mais simples e mais intuitivo.

A padronização da plataforma móvel por meio do Andróide também encanta eco na busca pela simplificação. O You Tube também. Ambas as plataformas permitiram que pequenas revoluções na educação e no desenvolvimento de aplicativos ganhassem impulso em poucos anos. Hoje é praticamente impossível não pensarmos em boa educação sem o auxílio das boas aulas disponíveis na plataforma de vídeos.

O resumo das apresentações e da visão do Google e do Yahoo é justamente o entendimento que elas fazem de seus negócios e seus propósitos. O Yahoo enxerga-se como empresa de mídia e de entretenimento, procurando audiência. O Google entende-se como empresa de tecnologia e que assumiu para si a missão de fazer a tecnologia colaborar com as pessoas e impactar positivamente a vida dos homens e das mulheres, onde quer que eles estejam, sem preconceitos e sem distinções.

Agora, qual das empresas faz mais sentido para você?

*Jacques Meir é Diretor de Conhecimento de Inteligência de Negócios do grupo Padrão.

 

 






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