O Brasil, segundo os designers de games estrangeiros

O nome Carlos Blanka é uma lenda no universo do mais famoso dos jogos de luta, o Street Fighter. Não sabe quem é ele? Ele é um dos raros exemplos de personagens brasileiros no mundo dos games que ganharam alguma notoriedade ao redor do mundo. Não que isso seja necessariamente positivo para a imagem do país e pior: é uma visão comum entre os desenvolvedores de games estrangeiros.

Por: - 49 anos atrás

O próprio Blanka é um exemplo. Imagine você que o representante brasileiro nesse jogo de luta era um homem comum que, de uma hora para outra, transforma-se em um ser mutante verde, com roupas rasgadas (e que mais parece o Hulk) e com a capacidade de eletrocutar os outros. E para tornar a coisa ainda mais bizarra, ele dá choque nos seus inimigos à beira de algum rio no Norte do país e em frente a alguma comunidade de casas feitas no sistema de palafitas.

No mundo dos games, o Brasil sempre foi visto com certo olhar estrangeiros: morávamos na selva amazônica ao lado de macacos ou monstros (como o monstro descrito acima) e todos éramos adeptos da capoeira.

Outro monstro brasileiro é Rikuo, um representante de uma civilização que vivia no fundo do rio Amazonas (oi?). Na verdade, ele parece saído da antiga cidade de Atlantis.

Darkstalkers - Rikuo Moves List

Entre os não monstros brasileiros e adeptos da capoeira há Richard Meyer (mais brasileiro impossível), um dos vilões de outro jogo de luta, o Fatal Fury ? jogo da sexta geração de videogames. O que chama a atenção é que ele enfrenta os bonzinhos da trama em uma boate nos Estados Unidos chamada Pão Pão Café. A capoeira ainda é a arte marcial de outro brasileiro no universo virtual das lutas: Eddy Gordo (que de gordo não tem nada) do jogo Tekken.

Toca para o Allejo

No futebol virtual, a maior lenda não é Pelé, Ronaldinho e Cia. No Super Nes quem dava às caras era Allejo, o craque do clássico jogo de futebol International Super Star Soccer, de 1994. Ele usava a camisa 7 e, por conta disso, houve quem o comparasse a Bebeto, que naquele tempo jogava na seleção canarinho com a mesma numeração. Ele era imbatível.

allejo

O tempo passou e os games passaram a respeitar o Brasil ou, ao menos, tornar mais plausível a recriação do país no universo gamer. Os jogos Fifa Soccer e Pro Evolution Soccer passaram a reproduzir fielmente os nossos craques nos games. Agora, até os times brasileiros estão lá.

Saindo do futebol, a visão estrangeira do Brasil agora não é mais mato: agora moramos em favelas, como é possível verificar nos jogos Call of Duty: Modern Warfare 2. Antes dele, outro jogo de guerra, Counter Strike, já exibia cenários em favelas e até em São Paulo.

O que esperar do futuro nos games? Que considerem cenários mais reais e não apenas ruas cheias de macacos, favelas e paradigmas nem sempre verdadeiros.