Produtos orgânicos: heróis da saúde ou vilões do meio ambiente?

Os resultados de alguns estudo chocarão as pessoas que escolheram consumir produtos orgânicos a fim de evitar produtos químicos e os malefícios de embalagens e aditivos. Mas o meio ambiente e a sua saúde podem não estar tão protegidos assim por esses produtos

Famílias que restringiram seu consumo a alimentos frescos e orgânicos, muitas vezes de produtores locais, que não tiveram contato algum com plásticos tiveram seus níveis de bisfenol-a e ftalatos aumentarem após cinco dias de mudança na dieta. Ambas as substâncias estão associadas ao plástico e embalagens e podem causar distúrbios endocrinológicos que podem ter uma série de efeitos nocivos na saúde humana e alterar as funções hormonais normais.

Os resultados surpreendentes contradizem um estudo divulgado em março de 2011, que mostrava que uma família reduziu drasticamente a exposição a estas substâncias evitando alimentos enlatados, embalagens de plástico e recipientes de plástico em favor de alimentos frescos e orgânicos.

Mas, apesar disso, a quantidade de exposição a um ftalato, DEHP, ultrapassou a dose considerada segura considerado por órgãos ambientais internacionais. Então o que acontece?

Uma pesquisa, pulicada no Journal of Exposure Science and Environmental Epidemiology, sugeriu que a contaminação não estava nas embalagens, mas na comida propriamente, em especial no leite e especiarias cultivadas no solo.

Sarah Janssen, cientista sênior do Natural Resources Defense Council, que monitora essa questão, escreveu:

“DEHP e dezenas de outros ftalatos foram aprovados como aditivos alimentares desde a década de 1960 pelo FDA. Eles podem ser usados em vários tipos de equipamentos utilizados no processamento de alimentos, incluindo tubos, luvas, correias transportadoras, tampas, embalagens, envoltórios de plástico, adesivos e tintas.

Se você pensar sobre todo o processamento que o leite passa por partir do momento em que sai da vaca até que seja colocado na garrafa de leite, ela entra em contato com um monte de tubos e outras peças de plástico que poderiam levar moléculas de DEHP para o leite . Na medicina clínica, já sabemos que os tubos de PVC podem conter grandes quantidades de DEHP e que quando a tubulação com DEHP entra em contato com líquidos gordurosos, quantidades significativas de DEHP são transferidas para o líquido. Mesmo a FDA reconheceu isto em dispositivos médicos. Produtos lácteos e leite entram em contato com muitos tubos de plástico durante o processamento, o que poderia explicar por que eles estão contaminados com DEHP.

No entanto, não é óbvio como especiarias podem tornar-se tão altamente contaminadas com o produto químico. O consumidor comum ingere alimentos lácteos (às vezes até os vegetarianos) e temperos (mesmo porque não há notícias de dietas que impeçam o consumo de temperos). E Janssen diz que os resultados não são definitivos suficientemente para oferecer orientação instrutiva para os consumidores.

O lado negro da agricultura orgânica

Todo mundo sabe que culturas orgânicas são melhores para a saúde e, presume-se, não causam danos ao meio ambiente. Mas nem só de benefícios se faz o cultivo de orgânicos. Um novo estudo conduzido por pesquisadores israelenses revela uma tendência preocupante:

A Universidade Ben-Gurion de Negev e o Volcani Center descobriram que existe ônus na maravilhosa cultura orgânica: a agricultura orgânica intensiva baseada em matéria orgânica sólida, como esterco compostado misturado ao solo antes do plantio resulta em significativo escape de nitrato pela zona vadosa da terra (porosa)  para as águas subterrâneas.

Por outro lado, agriculturas intensivas semelhantse que implementaram fertilizante líquido através da irrigação por gotejamento, como comumente praticado na agricultura convencional, resultou em taxas muito mais baixas de poluição da zona vadosa e águas subterrâneas.

Embora a poluição de águas subterrâneas seja geralmente atribuída a uma grande variedade de produtos químicos, a principal causa para o encerramento de fontes de água potável é uma alta concentração de nitrato na água do aqüífero.

 

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