Projeto O3b: Internet para todos

Rede de satélites pretende levar banda larga mais barata aos usuários que vivem em regiões mais pobres e isoladas do planeta

Por: - 50 anos atrás

O sonho de universalizar e democratizar um serviço cada vez mais básico para o desenvolvimento de toda a sociedade, a Internet, não é apenas exclusividade do Google ( projeto Loon), se não também do projeto O3b ( referência aos outros 3 bilhões de seres humanos que não tem acesso a Internet no mundo).

Trata-se de uma iniciativa da Sociedade Europeia de Satélites (SES), que colocou na semana passada, oito satélites de comunicação em órbita (quatro já estavam orbitando desde 2013) como os quais aspiram romper a brecha digital entre Norte e Sul e aos poucos abrir a porta da sociedade da informação conectada a países emergentes ou em vias de desenvolvimento.

Esta rede supracontinental oferecerá cobertura de banda larga à metade da população mundial e facilitará a oferta de conexões mais baratas aos usuários que vivem em regiões mais pobres e isoladas. Situados a 8.063 km da Terra, na órbita equatorial, esse grupo de satélites permite cobrir uma vasta zona do planeta: do Sudão até o Brasil, do Paquistão a Micronésia. Ao redor de 180 países da Ásia, África, America Latina, Oriente Médio e Pacífico, onde o acesso a Internet é tecnicamente complexo ou economicamente impossibilitado, seus habitantes poderão se beneficiar desse sistema. Os gestores do projeto argumentam que acesso a Internet de alta velocidade ?é um direto de todos e não um privilégio?.

Para a consolidação do projeto O3b foi construído uma rede estratégica de antenas de recepção de sinais (parabólicas gigantescas) que entregam o sinal às operadoras locais, que, por sua vez, se encarregam do fornecimento da Internet aos cidadãos, as organizações governamentais ou a empresas que carecem de uma conexão mais rápida e barata.
O projeto conta com o incentivo da SES (que detém 45% do capital), do próprio Google, HSBC e Liberty Global (companhia internacional de telecomunicações), além de outras entidades como Development Bank of Southern Africa (DBSA), Sofina, Satya Capital, Northbridge Venture Partners e Allen & Company.

O empresário e fundador do projeto O3b, Greg Wyler, concebeu a ideia em 2005, quando trabalhava em Ruanda para levar o telefone às zonas rurais daquela região. Naquele momento contar com cabos imensos em grandes extensões territoriais, como desertos e selvas, não era nada prático, e tão pouco barato. Porém, desde o início a intenção de Wyler não era exclusivamente estabelecer uma comunicação, mas de ajudar as pessoas daquela região a se desenvolverem economicamente e a se prevenirem contra desastres naturais ou até mesmo conflitos bélicos.

De acordo com Luis Sánchez-Merlo, presidente de SES na Espanha e America Latina o O3b não é uma ONG, sim uma empresa, porém sua função social é decisiva também para essas regiões. ?Em tempo recorde e de forma simultânea, milhões e milhões de pessoas poderão conectar-se com a sociedade da informação e, por tanto, o futuro. Um futuro cheio de desafios que só poderão afrontar mediante a eliminação dessa brecha digital?, disse o presidente da SES em nota ao jornal El País.

Segundo o executivo, havendo os ajustes necessários e tudo transcorrendo bem em outubro ou novembro deste ano a rede de 12 satélites já estará disponível comercialmente. O projeto O3b planeja também o lançamento de mais quatro satélites adicionais para 2015 ? quantidade que poderia ser ampliada sempre que necessário.

A vida útil desses artefatos é de 12 anos e apresenta uma menor latência (tempo de retorno de sinais), 0,1 segundo. A maioria dos satélites de comunicação tradicional está locada a 36.000 Km e com um tempo de reposta de 0,5 segundos. As primeiras antenas de recepção atingiam 4 metros de altura. A segunda geração dessas antenas, de aproximadamente 10 metros, facilita ainda mais a recepção dos sinais.

Ponto positivo para o Brasil, por exemplo, país que requer cada vez mais uma infraestrutura de rede robusta, frente a grandes eventos como os Jogos Olímpicos de 2016 e uma demanda exponencial e em vias de baixa velocidade e intermitência do sinal. Por aqui o projeto O3b tem a representação da empresa Ozônio Telecomunicações, que terá sua estação terrestre no estado do Amazonas, primeiro a ser beneficiado com o projeto.

Com informações de El País