O Brasil está caro: consumidor reage à alta com ações na Internet

Site que compara preços de imóveis; página no Facebook que boicota comércio no Rio. O consumidor brasileiro faz barulho e os órgãos de defesa do consumidor procuram entender o lado de quem compra e de quem oferta. Mas qual será a saída para um Brasil cada vez mais caro?

Por: - 5 anos atrás

Recentemente o Valor online revelou os abusos nos preços de alguns serviços e produtos praticados no Rio de Janeiro e apresentou movimentos que demonstram como o cidadão carioca tem reagido a esta “inflação pontual”. O designer Toinho Castro criou o movimento no Facebook: "Rio $urreal – Não pague" e atraiu mais de 118 mil seguidores em menos de uma semana.

 

Outro exemplo: “Tem algo errado ou estamos ricos" (www.estamosricos.com.br), outro canal na Internet, idealizado pelo servidor público Wagner Fernandes, que compara preços e qualidade de imóveis em grandes cidades brasileiras e no exterior. Seu blog já atraiu mais de 400 mil visitantes desde novembro de 2013.
 
Alguns números no Rio: R$ 6 por um coco; R$ 20 por um misto quente na praia; R$ 7 por uma cerveja em lata (vendedores ambulantes); R$ 280 por uma moqueca de peixe para duas pessoas em um restaurante tradicional da cidade; R$ 22 por uma pipoca no espetáculo do Cirque du Soleil, a manteiga é cobrada a parte R$ 3 (não entendi essa parte, coisa de carioca).
 
Bom, se realmente “tem quem pague”, existe um bom negócio para quem vende. Se tem quem faz movimento contra, tem quem acompanhe. Se tem barulho – e alto – todos ouvem. E se existe denúncia deveria existir coibição. Agora, onde está a Senacon e Procons?
 
Outro recorte: Enrico Fermi, presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), disse em nota ao site O Dia estar revoltado com a discussão iniciada entre governo e o setor hoteleiro sobre potenciais abusos em tarifas cobradas durante a Copa do Mundo. "Não devo satisfação a governo nenhum", afirmou ao veículo. O representante da classe hoteleira rebate as críticas que começam a surgir com a divulgação das diárias que estão sendo fixadas para a hospedagem nas cidades que sediarão jogos da Copa.
 
A mesma matéria informa que, “segundo levantamento do site de comparação de preços de hotéis Trivago (http://www.trivago.com.br), a diária média para casal cobrada atualmente na cidade do Rio de Janeiro hoje é de R$ 430. No Mundial de Futebol esse valor chega a R$ 1.142 – diferença de 165,5%. Nem no Carnaval o preço médio da diária de hotel no Rio é tão alta. De acordo com o Trivago, nessa época o valor médio é de R$ 865 por dia de hospedagem” (como o Trivago chegou a este número para a Copa também não entendi – a matéria não especifica).
 
Em contrapartida, Fermi se defende da discussão ao dizer na matéria que “840 hotéis firmaram, em 2007, parceria com a agência de viagens da Fifa, a Match, para comercializar pacotes para o evento”, que “a Fifa não faria a parceria se as tarifas não estivessem de acordo". (seu fosse a FIFA também estaria de acordo, desde que meu quinhão estivesse garantido, mas como não sou a FIFA, sigo relatando).
 
Neste caso específico dos hotéis, a secretária Nacional do Consumidor, Juliana Pereira, informou na matéria que as associações das três cidades pesquisadas Rio, Natal e Recife já se comprometeram a dar transparência para as tarifas, que irá consistir em dar a possibilidade do consumidor comparar as tarifas praticadas durante o evento esportivo com os períodos de maior demanda no calendário das cidades. (Ok. Comparo e ai, pra onde eu vou? Acampar na praia? Ou não vou? Melhor não ir).

A ação, explicou Juliana na matéria, é preventiva, e baseada na “boa fé” dos empresários. "Algumas pesquisas de preços saíram e decidimos conversar com o setor", explica. "Abusos são ruins para todo mundo. Os empresários fizeram investimentos e precisam de turistas o ano todo. Não dá para trabalhar de maneira a macular a imagem do Rio". (Fé, Desonra…então só nos resta rezar?).

Se o que foi acertado não for cumprido, diz, Juliana, a Senacon poderá agir, por exemplo, aplicando multas em quem praticar abuso de preço. A base legal será a análise do caso específico e o Código de Defesa do Consumidor. "Iremos fiscalizar o setor a partir de denúncias de consumidores, e temos ferramentas para comprovar abusos. A oscilação de preços é natural, mas não pode ser subjetiva, sem base em eventos anteriores." (Agora sim, tem que rezar com fé!).

Sem em alongar mais o assunto – e nem meter mais parênteses no relato – o que acontece nestes casos é o mesmo processo com os materiais escolares neste período do ano. Enfim, questões sérias que merecem a mão forte dos órgãos responsáveis pelo direito do consumidor. Consumir é bom para quem vende e para quem compra. Nos deixa feliz quando consumimos com prudência e escolhas corretas, mas nos entristece e nos enraivece muito quando ficamos sem escolhas e à mercê da extorsão.

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