Um dia na cidade financeira Santander

Todos os anos, o Banco Santander reúne cerca de 40 jornalistas dos meios de comunicação mais importantes dos países latino-americanos  

* Enviado especial a Madri, para o XIII Encontro Santander América Latina

Todos os anos, o Banco Santander reúne cerca de 40 jornalistas dos meios de comunicação mais importantes dos países latino-americanos nos quais a empresa mantém atividades: Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, México, Peru, Porto Rico e Uruguai. Trata-se do Encontro Santander América Latina que em 2014 atinge a sua 13ª edição. O Encontro compreende um curso de dois dias sob responsabilidade da Universidade Complutense de Madrid com um dia de abertura extra-classe dedicado a apresentações com maior peso sobre o cenário da instituição e da economia global. Este ano, o tema central é "Inovação a serviço do Cliente". Palestrantes internacionais de alto nível debatem e discutem questões sobre a qualidade do relacionamento com clientes no setor financeiro e experiências em outros setores.

O evento também inclui uma visita à "Cidade Financeira Santander" em Boadilla Del Monte a cerca de 20 km de Madrid. Nesta visita, os jornalistas puderam conhecer a sede deste banco que é considerado um dos mais sólidos e inovadores do mundo.

A agenda deste dia dia 02/07 foi inteiramente dedicada a uma visão macroeconômica global e um exame detalhado sobre os números da instituição. O programa incluiu uma apresentação do CEO global da Telefonica SA, José Maria Álvarez-Palette López sobre a evolução digital e um almoço de boas-vindas.

A primeira impressão ao ingressarmos na Cidade Financeira é de surpresa. O ambiente traz construções totalmente integradas a um projeto paisagístico especialmente desenhado para as necessidades do banco e o respeito aos princípios mais rigorosos de sustentabilidade. Cerca de 80% da área é ocupada por vegetação com árvores seculares magnificas, lagos artificiais que permitem autonomia de até 2 anos sem regime regular de chuvas e o máximo de aproveitamento de luz natural nas dependências. A estrutura compreende um campo de golfe para uso de jogadores a partir de 16 anos de idade e um rating básico, auditório para 1000 pessoas e um centro de processamento de dados totalmente seguro e praticamente invulnerável com disponibilidade de energia mesmo que haja falhas na rede elétrica. O ambiente retrata uma organização voltada para a organização, harmonia com o meio ambiente, respeito ao colaborador e valores sólidos de busca por inserção em culturas locais.

A abertura da agenda na Cidade Financeira foi conduzida pelo CEO do Banco Santander – Javier Marin. Com extrema desenvoltura e segurança, o Executivo espanhol mostrou diversos números que atestam a solidez da instituição. Javier destacou que o fato do Santander concentrar 45% dos negócios em países emergentes e 55% em países emergentes o torna muito resistente a crises além de contribuir para a grande capacidade de geração der citas do banco. Com efeito, o Santander é o único grande banco global europeu que não recorreu a aportes de capital para enfrentar a crise financeira de 2008. Da mesma forma, a sua opção de atuar como banco comercial – 84% das receitas provém dos serviços originados na atividade mais "varejista" – também reduz sensivelmente os riscos da operação.

Na seqüência, pudemos assistir a uma apresentação do CEO da Telefônica SA, José Maria Álvarez-Palette López, que fez uma exposição sobre a explosão de dados na era digital, a brutal transformação provocada pela expansão da base de usuários de smartphones e as dramáticas mudanças culturais, sociais, econômicas, políticas e comportamentais que a mobilidade já provocou e irá provocar. Álvarez-Palette destacou que o setor de telecomunicações tem de arcar com esse crescimento vertiginoso do tráfego de dados com investimentos visionários, particularmente em mercados emergentes e está sujeito a uma legislação "arcaica e anacrônica" que não responde aos desafios dessa nova realidade. O executivo mostrou que a equação de valor desta nova era digital traz questões complexas e de difícil compreensão. Uma empresa como a Vivo do Brasil, com duas décadas de atuação, vinculada à Telefônica SA, apresenta valor de mercado similar ao do recém-nascido WHATS APP. Isso faz com que a capitalização por empregado da Vivo, com seus mais de 20 mil colaboradores seja de cerca de US$ 1000,00 por empregado ao passo em que o Whats app apresenta o mesmo indicador na faixa de incríveis US$ 360 mil por colaborador.

Evidentemente que a noção de valor está mudando de modo acelerado. Questionado por Consumidor Moderno sobre como a Telefônica enxerga o Março civil e a neutralidade da rede no Brasil, Álvarez-Palette disse que "o Brasil e a Alemanha assumiram um papel de protagonizmo nesse debate mundial mas que é necessário ampliá-lo, para que as empresas provedoras de acesso móvel possam assegurar a privacidade, a segurança e a integridade dos conteúdos".

A última apresentação do dia foi realizada por Alejandra Kindelán – Subdiretora Geral do Serviço de Estudos e Política Pública do Banco Santander.
A executiva apresentou uma visão alentadora da situação econômica mundial, particularmente da Europa, com uma modesta mas consistente recuperação dos níveis de emprego e reformas que trazem maior dinamismo para as combalidas nações da região.

Particularmente sobre a performance da América Latina, Brasil, Chile e México à frente, Alejandra mostrou otimismo com o México pelo ímpeto reformista recente e com a manutenção do modelo chileno mesmo que agora declaradamente o país busque um crescimento mais "inclusivo". Questionada por Consumidor Moderno, sobre os cenários para o Brasil pós-eleições, Alejandra disse ser inevitável que o chefe do executivo, eleito ou reeleito adote uma agenda de reformas para fazer o país crescer de acordo com seu potencial. Em sua apresentação, a executiva procurou mostrar que a situação brasileira, ainda que apresente fundamentos sólidos demanda novas políticas para impulsionar a produtividade e o investimento.

O que mais chamou atenção, no entanto, foi a firmeza com que o Santander adotou o respeito e o serviço ao cliente como elemento estratégico fundamental. Uma série de novas ações serão comunicadas nos próximos dias mas já se sabe que Pequenas e Médias Empresas, novos produtos para alta renda e simplificação extrema dos produtos e serviços para facilitar o relacionamento com a classe média emergente são pilares dessa nova visão.

Jacques Meir é Diretor de Conhecimento e Inteligência de Negócios do Grupo Padrão e viajou a convite do Banco Santander.

 

 




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