Empresa fatura com ?iscas? sedutoras na internet

Talvez você nunca tenha ouvido falar sobre uma empresa chamada Taboola, mas o que ela faz já pode ter te irritado várias vezes.

Sabe aquela matéria em que você clica e te redireciona para outro site patrocinado? Quem nunca clicou em notas como “Pílula de emagrecimento controversa varre o Reino Unido”, “15 inconvenientes de ser mulher”, “Nove pessoas que você não vai acreditar que existem”, “Perigo! Não assista isso com sua mulher!”, que atire a primeira pedra.

Esse é o trabalho do Taboola, uma das principais fornecedoras de reportagens patrocinadas em sites de notícias e fofocas. Quando você chega à parte inferior das páginas, há fotos e links para três, seis ou oito histórias externas, geralmente sob os títulos “Mais histórias da internet” ou “Você pode gostar”.

Na maioria das vezes os títulos que tentam fazer você clicar não são muito intelectuais, e as fotos que os acompanham costumam mostrar celebridades ou mulheres de biquíni (ou ambos).

Críticos têm descrito o conteúdo da Taboola (e seus rivais) como “spam”, “click-isca”, “degradante”, “representando uma corrida para o fundo do poço” e outros termos depreciativos.

No entanto, 400 milhões de pessoas no mundo clicam nos links da Taboola a cada mês, e o negócio, fundado em 2007, agora tem um faturamento de US$ 250 milhões (aproximadamente R$ 610 milhões) por ano.
Histórias populares

A Taboola, que é essencialmente uma empresa de publicidade digital hi-tech, foi criada em Israel por Adam Singolda, que havia trabalhado por quase sete anos como um oficial em uma unidade de criptografia de elite das Forças de Defesa de Israel (IDF).

Apesar de a tecnologia usada pela empresa ser sofisticada, o modelo de negócios da Taboola é simples. Sites de notícias não têm que pagar para usar seus links e recebem uma parcela da receita de publicidade que a Taboola ganha do anunciante por trás de cada história promovida.

Para muitos grupos de jornais que estão observando as vendas de jornais de papel despencarem, a Taboola proporciona uma nova fonte de receita digital, ajudando a sustentar seus sites.

 

Mas por que o conteúdo da Taboola é tão irritante?

Singolda, de 32 anos, presidente-executivo da empresa, brinca que somos os únicos culpados. “O problema é que, para cada pessoa que odeia uma matéria, muitas outras adoram e clicam nela”, diz ele.

“Então nós registramos como uma história popular e deixamos em cima, para que mais pessoas possam vê-la. Se ninguém tivesse clicado nela, ou tuitado sobre isso, teríamos removido o link.”

Ele acrescenta: “Um jornalista uma vez reclamou que sempre via histórias sobre [a estrela de reality show] Kim Kardashian no Taboola. Então eu perguntei se ele já havia clicado nelas, e ele disse que sim. Respondi: ‘Então por que está reclamando comigo?”

No entanto, a Taboola parece ter considerado a crítica, pois há um ano introduziu uma ferramenta para permitir que as pessoas removam de suas páginas histórias que não gostam.

E, contanto que um leitor de um site de notícias em particular não remova os cookies que reconhecem quem acessa o site, o software da Taboola vai lembrar suas preferências.

Então, se alguém clicar uma vez para remover um link de uma reportagem sobre Kim Kardashian, esta deve ser a última vez que eles a veem via Taboola.

Singolda insiste que o software da empresa está ficando cada vez mais sofisticado na forma de proporcionar às pessoas o conteúdo adicional que elas podem querer.

Se alguém lê muitas matérias sobre vinho, a Taboola tentará fornecer matérias patrocinados relacionadas a vinho.

 

Liderança do Exército

Embora Singolda tenha tido a ideia para o Taboola após deixar o Exército, ele diz que o serviço militar desempenhou um papel vital, pois lhe deu formação e experiência gerencial.

Programador talentoso e menino prodígio em matemática desde criança, foi escolhido para o programa de treinamento de informática do IDF assim que iniciou seu serviço militar obrigatório. Depois, se formou como melhor aluno da turma na classe de treinamento para oficiais.

Com 20 anos, liderava uma equipe de soldados que fazem trabalho de criptografia – aquele que permite, por exemplo, que um general israelense use o celular de forma segura.

“Não havia dinheiro no mundo que você pudesse pagar para ter essa experiência”, diz ele.

“Eu aprendi como liderar uma equipe e o que fazer para que todos trabalhassem juntos. E, como era o Exército, eu não poderia dar a ninguém qualquer recompensa financeira. A única maneira de levar as pessoas a fazer coisas era inspirá-los.”

O Exército também permitiu que Singolda conhecesse pessoas que foram com ele para o Taboola.

Ele teve a ideia para a empresa após deixar o Exército, quando morava com seus pais.

Conseguiu o apoio de um “investidor anjo” e, com alguns funcionários e nenhum volume de negócios por quatro anos, desenvolveu o software antes mesmo de o Taboola ser lançado para os clientes.

Hoje ele tem 200 funcionários e seu conteúdo é usado por sites de notícias famosos como o USA Today e o Huffington Post.

Embora a sede da Taboola seja em Nova York, a empresa tem um grande escritório em Tel Aviv. É uma entre muitas empresas de alta tecnologia sediadas em Israel.

Singolda diz que Israel é tão forte em tecnologia por inúmeras razões, incluindo a formação que o serviço militar proporciona e a cultura empreendedora do país.

E, embora alguns funcionários do Taboola sejam reservistas das FDI chamados para servir durante o recente conflito em Gaza, Singolda diz que a empresa não foi afetada.

Em vez disso, a Taboola está tentando agora uma novo investimento multimilionário, pois pretende se expandir para todo o mundo – com ou sem Kim Kardashian.

* Com informações da BBC

 

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