Crise na indústria de autos?

Produção de veículos no Brasil cai 22,4% em agosto na comparação anual, diz Anfavea

As montadoras de veículos no Brasil viram nova queda na produção em agosto, outro mês marcado por vendas abaixo das expectativas, refletindo fraca atividade econômica e parca oferta de crédito.

Enquanto a produção de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus caiu 22,4 por cento sobre igual mês do ano passado, a 265,9 mil unidades, as vendas diminuíram 17,2 por cento em igual base, para 272,5 mil unidades, informou nesta quinta-feira a associação que representa o setor, Anfavea.

“As vendas ficaram abaixo da expectativa inicial”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Moan, a jornalistas. Na comparação com julho, a produção subiu 5,3 por cento, mas as vendas caíram 7,6 por cento.

Já no acumulado dos oito primeiros meses do ano, a produção chegou a 2,1 milhões de veículos, recuo de 18 por cento sobre mesma etapa de 2013, com as vendas caindo 9,7 por cento, a 2,2 milhões de unidades.

O forte declínio na produção de automóveis tem como pano de fundo um cenário de demanda mais fraca no mercado interno, com seletividade dos bancos em aprovar financiamentos e com as montadoras seguindo pressionadas por estoques elevados.

As exportações da indústria também vêm sendo atingidas: em agosto, houve queda de 50,6 por cento sobre um ano antes. No acumulado do ano, o recuo é de 38,1 por cento, com 235,4 mil veículos exportados, informou a Anfavea.

Para Moan, a situação no segundo semestre deverá ser melhor que na primeira metade do ano, devido em parte à melhora na oferta de crédito a partir da última semana de agosto, tendência que deve se estender até o fim do ano.

A Anfavea manteve as expectativas para o ano, que tinham sido reduzidas em julho, para projetar recuo de 10 por cento na produção, declínio de 5,4 por cento nas vendas no mercado interno e queda de 29,1 por cento nas exportações.

Apesar de reconhecer que as estimativas para 2014 ainda representam “desafio bastante grande”, Moan disse que a Anfavea não fará revisões antes de setembro e outubro, para sentir o impacto sobre o setor de medidas implementadas pelo governo com o objetivo de estimular a concessão de crédito.

“A redução média dos juros em bancos não vinculados a montadoras é um fator. Alguns bancos estão ofertando prazos de pagamentos de até 60 meses para entradas de 30 por cento. Sabemos que esse é um mecanismo que facilita”, afirmou.

Em agosto, a indústria automotiva mostrou queda de cerca de 1.400 postos de trabalho ante o mês anterior, somando 148.892 trabalhadores empregados. Segundo Moan, a redução reflete iniciativas tomadas pelas empresas para ajustar a produção à demanda.

O horizonte mais fraco para o setor tem feito uma série de montadoras concederem férias e diminuírem jornadas, também levando o governo federal a adiar para o fim do ano aumento de carga tributária que deveria ter ocorrido no final de junho.

A Fiat seguiu como líder de vendas de carros e caminhões leves em agosto, com cerca de 56,2 mil licenciamentos, segundo a Anfavea. A Volkswagen ficou em segundo lugar, com cerca de 48,43 mil veículos ante cerca de 38,8 mil carros da GM. A Ford vendeu por volta de 22,6 mil veículos.

* Via Reuters

 

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