Páscoa fica aquém da expectativa

Balanço foi divulgado hoje (22) pela Confederação de lojistas. Volume de vendas subiu apenas 2,55% em relação a 2013

Infográfico: Fernanda Pelinzon

A semana da Páscoa não foi boa para os lojistas do País, que tiveram o pior resultado dos últimos cinco anos. Na semana de 13 a 19 de abril, o crescimento nas vendas foi só de 2,55% em relação ao mesmo período do ano passado, que caiu em meados de março. Relatório foi divulgado hoje (22) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

No ano passado, o aumento foi o dobro de 2014: 5,31%. No ano anterior, foi parecido: 4,84%, em 2011, 7,26% e em 2010: 4,50%.De acordo com a CNDL, o ?desempenho reflete o baixo crescimento da atividade econômica brasileira e, de certa forma, já era esperado pelos lojistas?. O órgão já projetava um crescimento nesse patamar, só que ainda um pouco maior: 3,5%.

O pessimismo em relação às vendas projeta ressonância nas próximas datas comerciais, como por exemplo, o dia das mães, em maio. A conclusão é que o ano não traz grandes expectativas para o varejo. Já o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) atribui esse resultado ruim à média baixa salarial, juros altos e inflação acima dos últimos anos, o que diminui o poder de compra do consumidor.

Já o Serasa Experia Experian calculou que na semana da Páscoa, as vendas cresceram 1,6% em todo o país sobre a semana de 25 a 31 de março de 2013. Para o Serasa, esse percentual foi menor se comparado ao mesmo período do ano passado, que cresceu 5,6% em relação a 2012, e com a semana do Natal/13, que registrou alta de 2,7% ante o Natal de 2012.

Varejo estrangulado em 2014

Depois de tempos de aceleração no comércio, as estatísticas parecem estar identificando uma expectativa pessimista para o varejo no país. Pesquisas feitas na capital paulista indicam desaceleração nas vendas do comércio.

A FecomércioSP divulgou no último dia 17 que a confiança do paulistano no varejo é a menor dos últimos nove anos. Em abril, a queda foi de 4,4 na propensão à compra. Resultado igual, só em novembro de 2005. O otimismo em baixa tem como explicações os mesmos motivos: alta nos preços de alimentos e as taxas de juros elevadas mantidas pelo Banco Central.

Na mesma toada, o Procon e Dieese divulgaram no dia 19 que o preço médio da cesta básica do paulistano subiu 4,09% em março, passando de R$ 377,90 no dia 28 de fevereiro para R$ 393,37 em 31 de março. O tomate e a batata são os alimentos que tiveram maior alta.

Já o IBGE disse que o comércio varejista cresceu apenas 0,2% em fevereiro, número muito abaixo ao registrado nos últimos anos, quando a economia do Brasil se julgava imbatível e inabalável.
Analisando tantos números negativos, fica mais fácil entender o porquê de os varejistas estarem segurando as rédeas de suas economias, preferindo investir no que já conhecem e não arriscarem jogadas ousadas para suas empresas.

Com a Copa do Mundo e a chegada dos estrangeiros ao País, a tendência é que estes números melhorem, principalmente em junho. Mesmo assim, há muitos especialistas que questionam esta expectativa de aumento nas vendas para o varejo durante a festa do futebol. É pagar para ver ou investir com segurança?






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