Faturamento das micro e pequenas empresas aumenta 9,7% em fevereiro

Receita total somou R$ 49,4 bilhões; desempenho foi beneficiado pelos dois dias úteis a mais que o mês teve em relação a igual período de 2013

As micro e pequenas empresas (MPEs) registraram faturamento real (já descontada a inflação) 9,7% maior em fevereiro deste ano do que no mesmo mês de 2013. A receita total do universo das MPEs foi de R$ 49,4 bilhões, ou R$ 1,2 bilhão acima da verificada em janeiro e R$ 4,4 bilhões a mais do que em igual período de 2013. Os dados são da pesquisa Indicadores Sebrae-SP.

“As micro e pequenas empresas foram favorecidas pelos dois dias úteis a mais que fevereiro de 2014 teve em relação ao mesmo mês do ano anterior, já que o carnaval foi comemorado em março; situações assim permitem maior movimentação para os negócios e suas vendas”, afirma o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano.

O setor com o melhor desempenho foi o comércio, cujo faturamento cresceu 12,4% em fevereiro deste ano em relação a igual mês de 2013. Na mesma comparação, os serviços apresentaram alta de 7,6% e a indústria, 6,3%.

Por regiões, o município de São Paulo faturou 11,1% mais em fevereiro ante fevereiro de 2013. O interior do Estado registrou crescimento de 10,5% quanto à receita real e a Região Metropolitana e o Grande ABC tiveram aumentos de 9% e 6%, respectivamente, quanto ao faturamento real, no mesmo período.

Os resultados positivos quanto ao faturamento real são sustentados pelo mercado consumidor interno. “O consumo no mercado interno tem sustentado as vendas das micro e pequenas empresas, principalmente nos setores de comércio e serviços”, explica o diretor-superintendente do Sebrae-SP.

“Especificamente quanto ao primeiro bimestre de 2014, houve uma aceleração no ritmo de crescimento do faturamento em relação ao mesmo período de 2013”, diz Caetano. Neste primeiro bimestre, o faturamento das MPEs aumentou 11% na comparação com os dois primeiros meses de 2013. Segundo Caetano, o resultado também é de aceleração em comparação aos números do segundo semestre de 2013, em que houve até resultados negativos. A base de comparação fraca (resultados relativamente fracos em janeiro de 2013) e o efeito calendário (maior número de dias úteis em fevereiro deste ano, devido ao carnaval) contribuíram para o resultado.

Ocupação e renda

Na análise do primeiro bimestre de 2014, as MPEs apresentaram aumento de 1,8% no total de pessoal ocupado, o que representa 256 mil pessoas a mais, no confronto com o primeiro bimestre de 2013.

No mesmo período, o rendimento real dos empregados das MPEs caiu 3% e a folha de salários paga pelos negócios de micro e pequeno porte registrou aumento real de 1,1%.Expectativas

Em março, os empresários, na sua maioria (55%), disseram esperar estabilidade no faturamento dos seus negócios para os seis meses seguintes. Em março de 2013 essa era a expectativa de 49% deles. Outros 29% aguardam melhora no faturamento da empresa e 6% esperam piora nos próximos seis meses.

Com relação ao comportamento da economia brasileira, 51% dos proprietários de MPEs têm expectativa de estabilidade para os próximos seis meses. Em março do ano passado esse grupo somava 54%. Já a parcela dos que acreditam em piora passou de 9% em março de 2013 para 17% em igual mês deste ano.

“A tendência é que as MPEs acompanhem o comportamento da economia do País como um todo, que por sua vez deve ter desempenho modesto. O mercado consumidor interno é quem deve ditar o ritmo do faturamento das MPEs”, afirma Caetano.

Segundo ele, um menor aumento do salário mínimo, inflação alta e perto do teto da meta e o crédito mais caro devem restringir a evolução do consumo interno e, consequentemente, os ganhos das MPEs.

Há algumas incertezas, que também devem ser consideradas, como o fato de que há risco de racionamento de energia elétrica em 2014, o que atrapalharia a economia doméstica. Por outro lado, os sinais de melhora nos Estados Unidos tendem a estimular o crescimento mundial, cenário que ainda é incerto.




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