Snapchat: o fantasminha camarada da geração Z

O Snapchat reúne lógicas que fazem mais sentido para o público de 12 a 18 anos; um novo nicho de mercado para as marcas

Um fantasminha que assombra e vai embora em, no máximo, dez segundos. Esse é o modus operandi do Snapchat, o aplicativo que propõe conversas móveis rápidas e divertidas. O público mais jovem adorou a novidade, mas parece que para por aí. Assim, vem a questão: por que o Snapchat funciona melhor para a geração Z?

Jacques Meir, diretor de conhecimento e conteúdo do Grupo Padrão, explica: o público alvo é de 12 a 18 anos. ?Snap é estalar de dedos. É um chat instantâneo, momentâneo, impulsivo. Tem muita aderência justamente com uma geração que vive, se educa e se desenvolve a base de estímulos muito rápidos, muito intensos?, explica.  

Fora seu caráter efêmero, o fato de o usuário selecionar para quem vai o conteúdo compartilhado é um dos destaques do app. Felipe Silva, consultor de tecnologia e instrutor de sistema iOS da Impacta, acredita que essa atração é uma relação cultural bastante ligada à forma como os pais educam e monitoram seus filhos. ?Para uma geração que é monitorada a todo o momento, inclusive por redes como Facebook e Instagram, ter um pouco de privacidade é algo bem singular e atrativo?, ressalta.  

Na visão de Silva, no entanto, a maior adesão do público pré-adolescente é algo especificamente brasileiro. ?Nos Estados Unidos, o Snap é mais popular que o Twitter entre o público de 18 a 34 anos, com 33% de presença nos smartphones. O app traz um grande diferencial em relação a qualquer outra rede social: a privacidade?.

Com a grande exposição existente atualmente, este ponto é bastante atrativo. ?A questão aqui é que os mais jovens querem fazer coisas inusitadas, sem supervisão e, melhor ainda, sem provas que os comprometam ? justamente a proposta do Snap. Ele é liberado para maiores de 18 anos, mas acredito que no Brasil o interesse desse público é menor porque já possuem certa liberdade que os mais jovens ainda não têm?, explica o professor.

 

Pontos de vista

?Para os mais velhos, o conteúdo é relevante. Para os mais jovens, o que é relevante é o momento?, aponta Meir. O roteiro é comentar e descartar, já que a vida é intensa, cheia de estímulos. ?Eles não podem perder tempo com conteúdo que vai ficar lá por X tempo, não faz o menor sentido para eles?.

 Ao mesmo tempo, esse público tem mais dificuldade de se comunicar. ?Eles são conhecidos como geração silenciosa. Cresceram totalmente conectados e isso torna mais fácil mandar uma mensagem SMS do que dar um bom dia pessoalmente. O Snap faz esse tipo de conexão?, acredita Silva.

 

E para os negócios?

Para aproveitar comercialmente, o primeiro passo é entrar no clima do app, conforme explica Gabriel Rossi, consultor e especialista em mídias sociais. ?A grande questão para as marcas é não entender a tecnologia, mas o comportamento desse publico, o consumidor que está lá. Essa geração confia mais nos amigos do que nas instituições, a estratégia precisa saber disso?.

?Um app que mexe com impulso é excelente para compra por impulso?, destaca Meir. ?Se uma ferramenta de geolocalização fosse acoplada ao Snapchat seria perfeito. A questão é saber usar?. Redes de fast food como Taco Bell e Mc Donald?s já começaram a utilizar.   

Rossi recorda, no entanto, que não é qualquer marca que pode utilizar o app como recurso. ?É preciso entender o público alvo lembrar que não dá para fazer algo rígido. Precisa ser descontraído, seguindo o ambiente?.

 

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