Amazon é acusada de atrasar entrega intencionalmente

Editora Hachette acusa Amazon de boicotar seus títulos nos EUA. Briga comercial entre as partes pode ser a razão dos atrasos

Tempo de leitura: 3 minutos

16 de maio de 2014

O jornal britânico The Guardian e o norte-americano New York Times informaram nesta semana que a Amazon.com está sendo acusada de atrasar de maneira proposital as entregas dos livros, especificamente os da editora Hachette. Atrasos estariam envoltos na névoa de uma briga comercial entre as partes, segundo a revista Forbes.

Procurada para comentar o possível impacto dessa situação para os consumidores brasileiros, a Amazon disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comentaria o caso.

Sophie Cottrell, porta-voz da editora Hachette, questiona o porquê de tantos livros estarem marcados como ?fora de estoque? no site da Amazon, enquanto estão disponíveis para pronta entrega em sites das concorrentes. E os que estão à disposição dos compradores estão sendo entregues em prazos elásticos, de duas a cinco semanas.

A situação atinge tantos livros novos quanto antigos. ?Alex Cross, Run?, de James Patterson, foi publicado no final de fevereiro. Quem pediu este livro nos EUA esperou cinco semanas para recebê-lo. Já ?NYPD Red?, de Patterson and Marshall Karp, demorou três semanas para chegar. O recém-publicado ?Everybody?s Got Something?, de Robin Roberts, tem demorado três semanas.

Antigamente, os livros disponíveis no site da Amazon chegavam a qualquer lugar dos Estados Unidos em no máximo dois dias. A porta-voz da Hachette acusa a Amazon de manter estoque mínimo, fazendo com que a entrega demore mais do que o normal. A varejista controla mais de um terço do comércio de livros nos EUA.

Motivos


De acordo com Jeremy Greenfield, da revista Forbes, os atrasos nas entregas decorrem de uma briga comercial da Amazon com a Hachette. A varejista estaria querendo que a Hachette aumentasse o ?co-op?, ou seja, o volume gasto em publicidade no site. Para Greenfield, a Amazon estaria até ameaçando modificar os preços dos títulos da forma que quisesse, para assim poder repassar livros mais baratos aos clientes e ficar com a glória só para ela. Em resumo, a varejista estaria querendo uma fatia maior das margens de lucro.

O presidente da Associação Americana de Autores, Gail Hochman, publicou uma carta em que condena qualquer tentativa por parte de empresas que, por conta de sua posição em uma disputa comercial, firam e punam autores e leitores inocentes. Hochman chega a comparar as ações àquelas tomadas para extorquir reféns, considerando-as ambas igualmente indefensáveis.

?Esta é uma tática brutal e manipuladora que, ironicamente, vem de uma empresa que proclama como seu objetivo satisfazer plenamente as necessidades de leitura e desejos dos seus clientes?, completou o presidente da entidade.

E no Brasil?

O site da Amazon no Brasil comercializa apenas e-books, embora a venda de livros físicos deva ser iniciada ainda neste semestre. A página da Amazon.com entrega alguns produtos, como livros impressos e games, no País. O cliente brasileiro pode escolher a velocidade de entrega de seu pedido entre os prazos: nove a doze dias úteis, sete a onze dias úteis, ou cinco dias corridos, no plano mais caro.

Pedir um best-seller como ?Unlucky 13? ou ?Alex Cross, Run?, de James Patterson e da editora Hachette, demora de nove a doze dias para chegar a um endereço na capital paulista, com um frete de US$ 4,99 (R$ 11). Unlucky é o primeiro colocado em vendas na lista dessa semana do New York Times.

Já se o cliente optar pela ?entrega acelerada?, o produto demorará de sete a onze dias úteis no trajeto e a taxa de entrega vai custar um pouco mais: US$ 13,99 (R$31). Se o leitor estiver com mais pressa, pode escolher a opção ?entrega prioritária?, que fará com que, segundo a Amazon.com, o livro esteja em suas mãos em cinco dias corridos, a um custo de frete de US$ 29,99 (R$66).




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