Náusea em viagens pode ser tratada, conheça o “mal do movimento”

Conflito de informações entre o labirinto, que sente o movimento, e a visão, que acredita que o corpo está inerte, causa sintomas. Aprenda a prevenir e remediar

Por: - 5 anos atrás

Viajar nas férias é o que todos querem, mas para alguns o trajeto pode ser um verdadeiro martírio. A cinetose, conhecida como o mal do movimento, é uma disfunção do sistema vestibular (conjunto de órgãos do ouvido e cérebro responsável pela manutenção do equilíbrio), que se manifesta quando o corpo está parado e o entorno está em movimento ou o inverso, como em viagens de carro, ônibus, barco ou avião.

Síndrome do movimento pode ser atenuada. Imagem | SXCCom isso, muitos viajantes passam suas viagens com vertigens, enjoos e dores de cabeça. O otorrinolaringologista Eduardo Bogaz, do hospital São Camilo de São Paulo, explica que os sintomas da cinetose aparecem ainda na primeira década de vida. Além do mal-estar sentido durante as viagens, é comum a criança ter vertigem paroxística da infância (crise rápida de vertigem que acomete crianças saudáveis) e enxaqueca, como distúrbios associados. "Se não tratada, a disfunção do sistema vestibular pode acompanhar a pessoa por toda a vida", diz o médico.

Apesar da alta incidência de casos, o médico alerta que a doença é raramente tratada. Segundo ele, “o mais comum é, ao longo da vida, a pessoa se acostumar com a condição e se adaptar”. Ele esclarece que a reabilitação vestibular é feita por meio do treinamento com realidade virtual e conta com o acompanhamento de um fonoaudiólogo. Porém,
infelizmente, ainda são poucos os pacientes que recebem o diagnóstico e procuram pelo tratamento.

Entre as medidas preventivas, o especialista recomenda a ingestão de medicamento antiemético (para prevenir a tontura e a náusea) antes da viagem, evitar olhar objetos ou situações em movimento, como a paisagem na estrada, e ventilar o local, abrindo as janelas do carro. "Essas ações auxiliam a prevenir a crise, mas não tratam o problema. O labirinto de quem tem este tipo de disfunção do sistema vestibular é mais sensível e, dependendo dos hábitos de vida e condições de saúde da pessoa, pode vir a desenvolver alguma labirintopatia no futuro, como a labirintite", finaliza.