Marcas brasileiras consolidam presença no exterior

Indústria e varejista de piscinas IGUI já tem 160 lojas no mundo. Giraffas apostou no mercado da Flórida e abriu dez pontos de venda

Muitos caminhos e diferentes estratégias levam à internacionalização de uma marca. A indústria e varejista de piscinas IGUI escolheu começar em países com idiomas semelhantes: Argentina e Portugal. Já o Giraffas optou por um mercado que tivesse grande porcentagem de consumidores latinos: o Estado da Flórida, nos Estados Unidos.

Ambas as empresas foram bem sucedidas: a IGUI é a rede brasileira de franquias com mais unidades no exterior, com 160 lojas em sete países. O Giraffas inaugurou sua décima loja na Flórida e se estabeleceu em segmento diferente do que ocupa no Brasil: fast casual, um estilo que entremeia o fast food e o casual dining.

Segundo o CEO do Giraffas, Alexandre Guerra, tal opção se deu pelo fato de o fast food nos Estados Unidos apresentar produtos desvalorizados e preços demasiadamente baixos. ?Por esse motivo, nos EUA competimos no fast casual: entregamos um produto e serviço com melhor qualidade, cobramos um preço mais alto por isso e o cliente está disposto a aguardar um pouco mais para receber o produto?, explica.

A internacionalização da IGUI começou em 2005 na Argentina, que hoje tem duas fábricas de piscina da marca, uma fábrica de produtos químicos e uma terceira para ser iniciada, além dos 90 franqueados. Diferentemente do Giraffas, que nos EUA é dono de todas as lojas, o IGUI franqueou suas unidades pelo mundo.

O presidente executivo da IGUI, Bruno Zanetti, conta que, mesmo com a crise econômica da Argentina, os negócios estão bem. ?Hoje o mercado da marca no país vizinho é até mais forte que no Brasil. Depois de tantas mudanças enfrentadas desde a década de 80 no Brasil, ficamos escolados para qualquer tipo de crise?, diz.

O projeto de internacionalização do Giraffas foi iniciado em 2007, mas a primeira loja só foi aberta quatro anos depois. O presidente Alexandre Guerra garante que a decisão de ir pra outro país não foi tomada porque faltava espaço no Brasil. ?Está muito longe de ter acabado o espaço nacional. É que internacionalizar agrega faturamento e imagem positiva para a marca. São crescimentos diferentes e complementares?, comenta.

Finanças

O Giraffas faturou R$ 800 milhões em suas 410 lojas no Brasil e nos EUA. O tíquete médio no Brasil é de R$ 20 e nos Estados Unidos, R$ 14. Foram fechadas 20 unidades no ano passado, um número considerado ?anormal? pelo presidente. A estimativa é de inauguração de 36 lojas no Brasil neste ano.

A IGUI faturou R$ 420 milhões no ano passado em suas 500 lojas, com previsão de R$ 500 milhões para este ano. O crescimento é de 30 franquias por ano, considerado ?moderado? pelos executivos. O faturamento médio é de R$ 100 mil por loja. O retorno financeiro por franquia é de 18 a 24 meses.

O presidente da IGUI conta que o perfil do seu franqueado é normalmente um casal que tenha afinidade com construção civil. ?Não precisa ser um engenheiro ou uma arquiteta, mas tem que gostar da área. Importante também que não tenha outra franquia: que seja exclusivo da IGUI?, diz.

O franqueado do Giraffas deve ter quatro habilidades: ser vendedor, um bom gestor de pessoas, um gestor operacional e um gestor financeiro competente. ?Todo mundo vai ter uma facilidade em determinado setor e uma fraqueza na outra. A nossa responsabilidade na escola de formação é aprimorar o que falta em cada empreendedor?, conclui Guerra.

Alexandre Guerra, CEO do Giraffas


Loja da IGUI em La Plata, na Argentina




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