Le Coq Sportif abre primeira loja no País

Nos anos 80, lojas multimarcas revendiam a Le Coq no Brasil. No entanto, empresa considera esta a sua entrada oficial no varejo brasileiro

A Le Coq Sportif demorou 132 anos para chegar ao Brasil e abrir sua primeira loja própria. Fundada em 1882 por Emile Camuset, a marca ficou conhecida no mundo quando patrocinou o Tour de France, uma das maiores provas ciclistas do planeta. Para o Brasil, o planejamento envolve abrir 12 lojas em quatro anos.

A Consultoria SPR trouxe a marca para o Brasil e é dona da flagship store no shopping Morumbi, em São Paulo. O diretor comercial, André Giglio, adianta que a marca está passando por um reposicionamento. ?Trabalhamos o renascimento da marca e o Brasil faz parte desse plano de expansão?, comenta.

Giglio justifica a demora da Le Coq Sportif em chegar ao País. ?Tinha muito a se fazer lá na Europa, a marca não queria arrumar um problema ?do outro lado do mundo??, argumenta. A crise no mercado europeu, porém, fez muitas multinacionais olharem com bons olhos para o Brasil.

Para o diretor, o mercado brasileiro amadureceu. ?O Brasil foi a bola da vez dos últimos anos e apareceu no radar de muita marca internacional. A entrada de um novo público consumidor também começou a viabilizar novos negócios?, aponta.

Segundo André Giglio, o sistema tributário brasileiro também contribuiu para adiar a vinda da marca. ?Mais do que a alta carga tributária, temos que enfrentar a complexidade tributária e a falta de constância nas normas. Onera esse aqui, desonera esse aqui, é muito confuso. Imagine uma marca de fora que decide se estabelecer aqui sem um parceiro local. Vai apanhar por quatro anos?, reclama.

Mas, para ele, essas dificuldades tornaram os executivos brasileiros mais preparados. ?Aprendemos a navegar em mares turbulentos. Essa flexibilidade é nossa maior vantagem?, afirma Giglio. De qualquer forma, a Le Coq considera uma responsabilidade grande entrar em um país, passando seu conceito, design, estilo e, principalmente, considerando a cultura local.

Mesmo anunciando essa postura, na prática a marca do ?galo esportivo? não pretende mudar muito seu mix de produtos. Apenas a padronagem para o pé do brasileiro será modificada.

A marca francesa defende sua tradição, totalmente vinculada ao esporte. Patrocina o Chelsea, PSG, as seleções da França e Argentina e Michel Platini. ?Uma coisa é ?tradicional?, outra coisa é estar ligada à tradição. Mesmo quando não criamos um produto de performance, mesmo assim ele continua sendo um produto esportivo porque o design remete a isso. O retorno sentimental em torno da marca também é recorrente?, comenta.

Franqueados

Quem quiser abrir uma franquia, vai investir pelo menos R$ 400 mil para uma loja de 40 a 50 metros quadrados. As lojas são propositalmente pequenas devido aos altos custos imobiliários no Brasil. A promessa é R$ 10 mil de lucro mensal.

O foco de expansão hoje está nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. ?É a franquia que proporciona ao franqueado ganhar dinheiro e cabe a nós ajustar ao seu modelo. Procuro um franqueado que possa se dedicar ao negócio e que conheça muito bem a região onde vai montar a loja?, observa.

Giglio não descarta a hipótese de trabalhar com um master franqueado ?Se aparecer algum desenvolvedor de área ou multifranqueado que me entregar o que a marca exige, não tenho nenhuma restrição em concentrar as lojas na mão de um operador. Mas por enquanto isso não existe?, explica.

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