Decidido e cauteloso: Carrefour retoma sua expansão

Após quatro anos de reestruturação, a varejista francesa vê, enfim, um solo fértil para seus planos de crescimento

?A última loja do Carrefour foi aberta em 2010?, lembra Charles Desmartis, CEO do Grupo no Brasil. Na ocasião, a varejista europeia enfrentava uma maré de perdas que foram contabilizadas em R$ 1,2 bilhão, consequência de desvios de contabilidade. Após quatro anos de reorganização, a francesa acredita que chegou o momento de relançar sua expansão.

Segundo o executivo, mais do que estruturação, tudo passou por uma arrumação. ?Compras, operação, administração, as áreas estavam muito desorganizadas. Agora, estamos em alguns setores onde há mais trabalho a fazer, temos novas agências contratadas e estamos muito ativos para completar o comitê executivo?, pontua.

Para Desmartis, esse processo dá condições para recomeçar a expansão. ?O nome do Carrefour se fortalece novamente e o interesse de viabilizar a abertura de unidades existe em diversas cidades do país?, afirma. Nos próximos 12 meses, devem ser abertas de três a oito lojas Carrefour de diferentes formatos, além de pelo menos oito unidades do atacarejo Atacadão.

Apoio

O presidente lembrou que as operações no Brasil têm recebido bastante apoio do Grupo. A organização da logística, a elaboração de novos conceitos de hipermercados e a reformulação do processo de frente de caixa contaram com especialistas mundiais. ?O grupo tem uma expertise que não temos ainda, que foi perdida no Brasil?, explica Desmartis.

Fora isso, conta, os executivos estrangeiros que visitam as operações brasileiras desejam transferência. ?Não só pelo país, mas pela resposta que sentem do pessoal brasileiro, que é muito aberto às ideias que vêm de fora. Isso é muito positivo?, completa.
    
Grandes resultados, pequenos passos

Desmartis enfatiza que existem projetos para instalar lojas do Carrefour em mais Estados brasileiros, mas tudo será muito bem estudado. Para abrir uma nova unidade, o planejamento envolve desde logística até análise dos produtos locais. O Atacadão, bandeira de cash & carry do Grupo, já está em 25 Estados, mas, no que se refere aos hipermercados e supermercados (Carrefour Bairro), a experiência precisa de lapidação.   

Mesmo assim, afirma, chegará um momento em que será necessária a presença da bandeira Carrefour no Nordeste. ?Sabemos que o nível de risco é mais alto, então temos que nos preparar para isso?, explica. ?Temos um plano ambicioso, mas será executado com cautela?.

De volta?

No fim de 2012, o anúncio da interrupção do funcionamento do e-commerce do Carrefour no Brasil surpreendeu o setor varejista. No entanto, para a empresa, foi um importante passo para a reestruturação necessária na época, quando as unidades brasileiras e europeias enfrentavam percalços.

Em assembleia geral de acionistas realizada em abril, em Paris, o presidente-executivo George Plassat revelou que planeja reviver as operações do comércio eletrônico brasileiro ainda em 2014.

Somada ao bom desempenho do e-commerce no país e à expressividade das atividades nacionais para o grupo francês, a decisão parece vir em bom momento. Ainda assim, a varejista irá de encontro com a Nova Pontocom, atual líder do comércio online nacional e pertencente ao grupo rival Casino.

No primeiro trimestre, os resultados obtidos pelo Carrefour foram impulsionados pelo mercado nacional, cuja alta nas vendas orgânicas chegaram a 8,3%. Os números gerais da companhia ficaram em torno dos 3,2%. Segundo Plassat, o grupo está ?convencido de que o Brasil é um país com o qual o Carrefour poderá contar, se fortalecer laços com parceiros locais?.

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