Brasil cai no ranking dos mais atraentes para investir, mas ainda é promissor

País cai em ranking dos mercados emergentes mais atraentes para investimentos varejistas, mas ainda está entre os primeiros cinco colocados

A edição 2014 do estudo Global Retail Development Index, realizado pela consultoria AT Kearney para avaliar a atratividade de 30 mercados emergentes para investimentos estrangeiros no varejo, colocou o Chile pela primeira vez como o país mais interessante do mundo para a entrada de empresas globais. Apesar de sua população pequena e grande saturação do mercado em diversos segmentos, como supermercados e lojas de materiais de construção (o que levou empresas locais como Cencosud e Falabella a investir agressivamente no exterior), o Chile se destaca por um crescimento de mercado acima da média (4,4% no ano passado, índice que deverá se manter pelo menos até 2016), boa infraestrutura e ambiente regulatório pouco burocrático.

A América Latina se destacou na edição 2014 do levantamento, com três dos cinco países mais bem colocados no ranking. O Uruguai foi o terceiro colocado, enquanto o Brasil caiu do primeiro para o quinto posto. De acordo com a AT Kearney, o País, que havia ficado na liderança do ranking em 2012 e 2013, sofreu com o ?PIBinho? dos últimos anos (+1% em 2012 e +2,3% no ano passado), com a aceleração da inflação e o desaquecimento das vendas do varejo (+4,3% em 2013, metade da expansão do ano anterior). Por outro lado, a baixa taxa de desemprego e a força da classe média continuam fazendo do Brasil um destino muito atraente de investimentos.

Nos últimos meses, redes como Apple, Forever 21, Gap, Topshop e Cencosud ampliaram sua presença no país, mas o fechamento de 25 lojas do Walmart (por conta da redução dos lucros no País em virtude do aumento de custos) mostra que nem tudo são flores nesse mercado.

O índice do GRDI é subdividido em quatro itens: atratividade do mercado, risco do país, saturação do mercado e pressão do tempo (urgência em entrar no país para não perder oportunidades), cada um deles indo de zero a 100, sendo 100 o melhor caso (alta atratividade, baixo risco, baixa saturação e alta pressão de tempo). O Brasil obteve 99,4 pontos em atratividade do mercado, devido à combinação de crescimento de renda e grande população. O risco do país, porém, ficou em apenas 59,8 pontos, motivado principalmente pelas barreiras burocráticas, altas taxas de juros e estrutura tributária.

No que se refere à saturação de mercado, o Brasil alcançou apenas 48,7 pontos, uma vez que setores como o supermercadista apresentam poucas oportunidades, mas foodservice e vestuário, entre outros, são segmentos em que ainda há muito espaço para consolidação. Por fim, no que se refere à pressão do tempo, o País teve apenas 33,2 pontos, muito abaixo de mercados como China, Armênia e Georgia no que se refere á urgência de início das operações. Com isso, o Brasil alcançou 60,3 pontos no ranking geral, pouco abaixo dos Emirados Árabes Unidos, quarto colocado na lista, com 60,5.

De acordo com a AT Kearney, o ciclo de investimentos estrangeiros no varejo emergente obedece a um ciclo composto por quatro fases. Na primeira, de abertura, ocorre o crescimento da classe média, os consumidores estão dispostos a comprar em formatos modernos de varejo e o governo derruba barreiras de entrada. É o estágio em que o Brasil se encontrava em 2005, por exemplo. Atualmente, o País está no segundo momento, de destaque, em que há terrenos disponíveis a um preço acessível, os consumidores demandam marcas globais e o varejo passa por uma reorganização. No estágio de maturidade (em que hoje se encontram países como China e Rússia, ou ainda as regiões mais desenvolvidas do Brasil), torna-se difícil encontrar bons pontos comerciais e a competição local é bastante sofisticada. Já na fase de fechamento (onde se encontram países como México, Polônia, Hungria e África do Sul e determinados setores do varejo brasileiro, como o supermercadista), os pontos comerciais são muito caros, a concorrência é intensa e a única forma de entrada no país ocorre por meio da aquisição de players locais.

A competitividade no varejo é o principal tema do Brazilian Retail Week, o maior evento do setor na América Latina, que acontece nos dias 28 a 30 de julho em São Paulo. Tecnologia, multicanal, rentabilidade, logística, inovações e o resultado de pesquisas realizadas com os consumidores serão alguns dos destaques. Inscrições podem ser feitas no site http://www.brweek.com.br/

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