Fusões e aquisições: o caminho para chegar lá

Executiva da KPMG no Brasil fala sobre o momento do varejo brasileiro em relação a fusões e aquisições

Para Inayara Kjarer, sócia-líder de Integração e Separação da KPMG no Brasil, ?não existe receita mágica? quanto o assunto é fusão e aquisição no varejo. Mais importante do que um exemplo ou um caminho a seguir, para a executiva, o planejamento, a atenção aos detalhes, assim como a captura de valores e entendimento de pessoas e cultura de uma organização valem muito mais do que qualquer tipo de especulação momentânea.

O varejo brasileiro já viveu dias melhores para esse modelo de alavancagem de negócios, diz Inayara. Todavia, enquanto alguns setores estão ?congelados?, outros se beneficiam em virtude do aumento de poder de compras das classes C e D.

A velocidade com que o mercado vem se modificando e evoluindo também revela que o empresariado deve estar atento para o melhor momento de fusão com outros players ou de aquisições para novos negócios.Inayara Kjarer, sócia-líder de Integração e Separação da KPMG no Brasil

Em uma entrevista exclusiva ao portal NoVarejo, Inayara Kjarer, destaca os principais recortes deste modelo de negócio no Brasil.

NOVAREJO – Como você analisa o momento do varejo brasileiro no que diz repeito a fusões e aquisições?

Inayara Kjaer – Vivemos um momento de expansão, que já esteve mais aquecido. Na verdade, o momento econômico brasileiro faz com que as decisões de investimentos sejam repensadas, já que algumas empresas estão ?congeladas? frente a um futuro nebuloso. Por outro lado, as empresas estão atrás de eficiência operacional e redução de custos e fusões e aquisições são caminhos para chegar lá. As transações que estão sendo concluídas são mais pensadas e seguras e outras que estão em discussão passam por uma avaliação mais profunda para a decisão, alongando o processo decisório.

Para os próximos meses quais são os setores onde o interesse será maior nessa estratégia de mercado? E quais regiões do Brasil estão mais receptivas a isso?

Farmácias, moda, confecções e material de construção serão os de maior potencial de transações, mas segmentos como o de supermercados, onde a consolidação já é maior, também deverá experimentar algumas transações. Quanto as regiões, dado a menor maturidade e grau de concorrência, associado a mercados com maior potencial de crescimento decorrente do aumento de poder de compras das classes C e D, as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste serão as de maior potencial de crescimento e, automaticamente, com  maior probabilidade de transações de M&A.

No ano passado percebemos um crescimento muito grande de aquisições e fusões no setor de educação e farmácia. A que se deve essa evolução nestes mercados?

O baixo índice de consolidação em farmácias, o aumento do poder de compra das classes C e D e o processo de transformação das farmácias em mini-supermercados, associado ao crescimento do setor de saúde, tornaram este segmento um nicho em potencial. Algumas plataformas de consolidação foram formadas e outras ainda deverão aparecer, permitindo a este setor uma maior consolidação. O crescimento econômico brasileiro e a ascensão das classes inferiores também estão por trás das aquisições no setor de educação. O setor esta em plena consolidação e esperamos mais aquisições e fusões nos próximos meses.

Quando um empresário deve repensar seu negócio e vislumbrar a possibilidade de uma fusão como alavanca competitiva?

Todos os dias. Na verdade, a velocidade como o mercado vem se modificando e evoluindo, mostra que todo empresário deve estar atento. Normalmente o momento crítico é o momento onde a empresa precisa tomar a decisão de continuar a ser pequena ou mudar de tamanho ou categoria para se tornar uma empresa média/grande e operar com controles mais eficientes e eficazes e um custo operacional maior, que colocará a companhia em um patamar de custos de empresa grande, mas com receitas de empresa média/pequena. Enfim, neste momento, ou a empresa se torna uma plataforma consolidadora, ou será consolidada.

Fusões e aquisições passam por um processo de adaptação na cultura de uma empresa. Como mitigar possíveis obstáculos e legitimar novos processos para que haja harmonia e menos dor de cabeça para o empreendedor?

Não existe receita mágica, mas sim planejamento e atenção, a captura de valores, pessoas e cultura. A maioria das empresas erra logo no inicio da integração, não definindo uma estratégia clara. Há uma tendência a fazer listas e não se passa o tempo necessário pensando e decidindo o que integrar (e o que não integrar), como e quão rápido fazê-lo. O foco na captura de sinergias também e essencial. Sinergias não vêm sozinhas, devem ser calculadas e planejadas para assegurar que sejam capturadas. Outro ponto importante, sem dúvida, é o cultural. É de extrema importância entender as diferenças culturais entre as empresas e mapear aonde haverá problemas. Ao desenvolver a cultura da nova empresa também não funciona ficar escolhendo valores ou “o melhor” de cada empresa. A nova cultura deve ser aquela que responde as necessidades da nova empresa integrada.

Inayara Kjer será uma das painelistas do ?Brazilian Retail Week ? BR Week? deste ano, o maior,  mais completo e inovador evento do mercado de varejo brasileiro.

Realizado pela revista NOVAREJO, com organização da Padrão Eventos, o BR Week acontecerá nos dia 28 (Visitas Técnicas), 29 e 30 (Congresso) de julho no Hotel Transamérica, em São Paulo. Saiba mais clicando aqui.

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