O máximo da exigência

Cafeteria premium Blue Bottle eleva a gourmetização do café a níveis estelares

Uma das cafeterias mais conceituadas do mundo, a Blue Bottle Coffee foi aberta em 2002 pelo músico W. James Freeman. Nesta época, ele vivia descontente com os cafés disponíveis pela cidade de Oakland (Califórnia) e decidiu oferecer uma alternativa para os amantes da bebida, jurando para si mesmo que só venderia café até 48 horas depois da torra do grão. Tudo para garantir que os clientes o desfrutassem em seu ?pico? de sabor.

A primeira seleção que o cliente faz ao entrar em qualquer uma das unidades (hoje são 15 lojas) da Blue Bottle pelos Estados Unidos é entre uma das nove categorias possíveis, que definirá como o café será filtrado. 

A partir dessa escolha, as alternativas se multiplicam até as centenas de variedades possíveis, possibilitando a degustação de um café torrado cuidadosamente com aroma e sabor apurados.

São poucas as opções dentro da cafeteria que permitem adições de quaisquer substâncias à xícara que não o próprio café. A recomendação expressa é que a bebida seja consumida em sua máxima pureza. O New Orleans Iced é uma das únicas exceções e deve ser misturado com leite e açúcar orgânico.

Essa forma de conduzir o hábito de tomar café adotada pela Blue Bottle, de prepará-lo rigorosamente em busca de níveis ideais de qualidade e tornar seu deleite uma experiência única são características da ?terceira onda? do café no mundo. A divisão em fases foi criada por especialistas e ajuda a entender como a forma de consumir a bebida mudou através dos tempos.

A ?primeira onda? foi definida como uma época de valorização dos cafés tradicionais e sua disseminação ao redor do mundo depois da 2ª Guerra, uma época em que ele era muito mais apreciado por sua energia do que por seu sabor. A segunda onda veio com o Starbucks, com a melhoria da qualidade dos grãos da espécie arábica e a expansão das máquinas de espresso.

Para comparar Starbucks e Blue Bottle, a revista Fortune traçou um paralelo automobilístico. Para ela, a Starbucks seria um Honda Accord enquanto a Blue Bottle seria um Alfa Romeo Giulietta.

?O Alfa Romeo pode custar mais e exige um pouco mais de atenção, mas chega a um padrão estético que o Accord simplesmente não poderá igualar. O Café Blue Bottle se propõe a trazer o café de alto padrão para um público mais amplo?, publicou.

E não faltam amantes do café que concordem com a Fortune. A colunista do Guardián, Chérmelle Edwards, criou um manifesto pelo fim da ?Starbuckização? no mundo, condenando as empresas que tratam o assunto como simples business (prática adotada segundo a articulista pelas companhias Folgers, Sanka, Dunkin Donuts e Starbucks) e exaltando as que tratam café como arte (Stumptown, Blue Bottle, Intelligentsia e Counter Culture).

O fundador da Blue Bottle, James Freeman, é cultuado entre os baristas e degustadores. Em uma entrevista recente, Freeman revelou suas preferências para fazer café quando está em casa e mostrou que o faz como profissional mesmo em período de descanso.

Ele pesa os grãos em uma balança AWS e os mói em um Vaneli. Depois, os coloca em um filtro Kenaf n° 4 dentro de um gotejador de cerâmica Bonmac. Mas nada disso adianta se o líquido precioso não for servido em uma chaleira Takahiro. Todos estes produtos podem ser adquiridos nas unidades da rede.

Em uma hipérbole jornalística, a mesma Fortune chegou a dizer que a obsessão de Freeman pela procedência do café é tão extrema que ele não pode apenas citar os nomes das pessoas que o plantaram, mas consegue descrever as ?sombras das árvores sob as quais ele cresceu?. Entre os fornecedores de grãos para Freeman (etíopes, mexicanos e ruandeses) um é brasileiro: o café orgânico potiguar Santa Clara.

História

Originário da Etiópia, o café é consumido pelos humanos há mais de mil anos. As primeiras cafeterias surgiram na Meca e se expandiram para a Europa no século 14, quando o hábito de tomar café passou a ser associado aos encontros sociais.

Em 1687, durante a Guerra Austro-Turca (1683-1699), os turcos foram mal sucedidos em tomar a capital da Áustria e acabaram obrigados a deixar todos seus pertences para trás, entre eles as sacas de café usadas para alimentar seus camelos. 

Concomitantemente, o mensageiro vienense Franz George Kolshitsky foi considerado herói nacional e recebeu um vultoso prêmio do prefeito da cidade por ultrapassar as linhas inimigas e conseguir enviar uma mensagem para as tropas polonesas. 

Kolshitsky havia morado muito tempo na Arábia e aprendido como preparar o café. Com o dinheiro, comprou as sacas abandonadas pelos turcos e investiu na compra de um imóvel, inaugurando a primeira cafeteria da Europa Central, The Blue Bottle. O título da cafeteria norte-americana foi dado em sua homenagem.

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