Internet e mobile banking equivalem a 47% das transações bancárias

Pesquisa destaca o uso de smartphones como grande impulsionador do crescimento e aponta como as instituições bancárias tornaram-se os maiores investidores em tecnologia do país

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5 de setembro de 2014

Internet e mobile banking responderam por quase a metade das transações realizadas no ano passado (47%), ante 37% dos canais tradicionais (caixas eletrônicos, contact center e agências bancárias), segundo a mais recente edição da Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária, que traz dados consolidados de 2013.

O estudo foi realizado pela Federação Brasileira de Bancos – FEBRABAN em parceria com a Strategy& (anteriormente conhecida como Booz & Co) e conta com a participação de 18 instituições bancárias que operam no Brasil e correspondem a 97% da rede de agências do país. Os dados foram complementados por outras associações e órgãos governamentais, inclusive internacionais, a fim de ampliar e aprofundar a análise das informações.

Os dados da pesquisa impressionam pelo ritmo da expansão dos canais digitais. Em 2009, a participação desses canais era de 31%, 16 pontos percentuais abaixo em relação à pesquisa de 2013. Parte importante dessa evolução se deve ao crescimento do mobile banking.  O volume de transações nesse canal aumentou, em média, 270% ao ano entre 2009 e 2013, a maior taxa média anual entre todos os meios, subindo de 12 milhões para 2,3 bilhões nesse período. No mesmo intervalo, a participação dos smartphones no número total de operações subiu de praticamente zero para 6%. Somente nas transações sem movimentação financeira, como em aplicativos para consulta de saldo, a participação do mobile banking subiu de 4% para 10% entre 2012 e 2013.

Grande parte dessa popularização pode ser atribuída ao uso em larga escala de smartphones. “A conveniência para o cliente e os investimentos dos bancos em segurança eletrônica mostram que o mobile só tende a ganhar importância”, diz Gustavo Fosse, diretor setorial de tecnologia e automação bancária da FEBRABAN. 

A pesquisa estima que em até dez anos o Brasil poderá atingir níveis de penetração de smartphones semelhantes aos verificados em países desenvolvidos, ao redor de 80%. No fim de 2013, a parcela da população com celulares inteligentes foi estimada em 27%, evidenciando o espaço para o aumento da relevância do canal para fins bancários. Entre 2009 e 2013, o número de contas correntes com mobile banking registrou crescimento médio anual de 134%, atingindo 11,3% da base de contas do ano passado.

Os investimentos em tecnologia para o setor bancário também cresceram. Em 2013, os bancos que operam no Brasil gastaram cerca de R$ 20,6 bilhões em tecnologia, entre despesas e investimentos – um ligeiro avanço em relação a 2012, quando o montante foi de R$ 20,1 bilhões. Trata-se de um volume equivalente a 17% dos gastos em TI no Brasil, o que torna o setor bancário o maior investidor em tecnologia dentre todas as indústrias no país.

Internet banking e o papel das agências

O acesso aos serviços bancários pelo computador também segue em crescimento. O número de contas correntes acessadas pela Internet sobe vigorosamente desde 2009, a uma taxa média anual de 19%, alcançando a marca de 41,8 milhões em 2013 – o equivalente a 40% do total. O volume de transações via internet banking também avança a uma taxa anual de 23%, passando de 7,3 bilhões para 16,6 bilhões entre 2009 e 2013. A pesquisa estima que esse crescimento está diretamente ligado à maior difusão do acesso à Internet pelos brasileiros. Enquanto 31% da população do país era usuária da rede em 2007, esse número subiu para 52% em 2013.

Apesar do crescimento do Internet banking, as agências bancárias continuam com números expressivos. A média de transações mensais com movimentação por conta corrente é equivalente para agências e Internet banking (2,3 e 2,5 transações respectivamente). Se considerarmos somente as contas que usam internet, o número de transações com movimentação financeira sobe para 6,2 por mês. O número de contas correntes por agência também cresceu, de 4.148 em 2009 para 4.511 em 2013.

Mesmo com a consolidação das tecnologias de autoatendimento online, o número de agências e postos de atendimento bancário continua se expandindo, com crescimento anual médio de 3% entre 2009 e 2013. O aumento é impulsionado principalmente por áreas que oferecem maiores oportunidades de expansão da rede nos últimos anos, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Nessas regiões, as taxas médias anuais de crescimento são de 7%, 6% e 4%, respectivamente, maiores que a do Sul (3%) e a do Sudeste (2%).

Outra frente de investimento dos bancos em conveniência de atendimento foram os caixas eletrônicos. O número de ATMs (na sigla em inglês) tem mantido um crescimento médio anual de 2%, e a quantidade de transações por máquina também tem se elevado: passou de 47 mil em 2009 para 57 mil em 2013. Um dos motivos que a pesquisa destaca para o aumento de transações por caixa eletrônico é a maior presença de terminais considerados completos: aqueles que funcionam com pelo menos dois recursos, como saques e depósitos. Além disso, em 2013, a porção de aparelhos adaptados para pessoas com deficiência chegou a 90% do parque instalado.

 

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