O abismo entre nativos e imigrantes digitais

Painel sobre redes sociais e Geração Z no Conarec mostra que empresas precisam se adaptar rapidamente a um novo tipo de consumidor.

 

Engajamento. Desafiador. Fundamental. Oportunidade. Possibilidades. Inovação. Transformação. Velocidade. Assustador. Nove palavras lançadas pela plateia ao final do painel “SnapChat, WhatsApp e Instagram – por onde anda e fala a Geração Z e sua distância das formas tradicionais de relacionamento com as empresas”, mediado por Jacques Meir, diretor de inteligência do Grupo Padrão. Essas palavras resumem bem o cenário formado pelas mudanças decorrentes da chegada de uma geração nativa digital.

“O SnapChat é o divisor de águas entre o nativo digital e o imigrante digital”, afirma Peter Gervai, diretor geral da Real Media. Para ele, a velocidade da comunicação torna o SnapChat, uma ferramenta que já conta com 100 milhões de usuários e que em dez segundos automaticamente apaga as mensagens recebidas, um recurso disruptivo. Como chamar a atenção de um cliente em poucos segundos, afinal?

“Essa é a forma como a Geração Z interage, não tem jeito. Essa geração nasceu com novos valores e se comunica por imagem. Ela não tem mais tempo para perder no SAC tradicional”, avalia Marcelo Coutinho, professor da FGV e diretor de inteligência do Terra. “E isso vale quando olhamos para fora da empresa e também para dentro dela: precisamos atrair o consumidor e reter o funcionário”, provoca. “O WhatsApp torna obsoleto o call center tradicional. Para alguns, é uma ameaça. Mas é um caminho sem volta”, acrescenta. Para Gervai, o caminho é não ter medo de perguntar e errar, sempre buscando adaptar a linguagem para os códigos de comunicação da Geração Z.

Para Jacques Meir, mediador do painel e diretor de conhecimento, conteúdo e inteligência do Grupo Padrão, velocidade é a palavra chave para entender esse novo consumidor. “A comunicação da Geração Z é instantânea, e com isso todo o mindset dele é diferente”, analisa.

O blogueiro Marcio Okabe, palestrante da Academia Konfide, mostra que o caminho é inevitável. “Quando surgiu, o Twitter era considerado coisa de adolescente. Hoje é ferramenta fundamental. É o que acontece hoje com o SnapChat”, compara.
Marcelo Coutinho busca em Charles Darwin uma saída: “quem sobrevive é o mais apto a mudar, não o mais inteligente ou mais forte. E os hábitos estabelecidos só mudam com o choque da realidade. Por isso, a melhor forma de convencer a empresa a mudar é mostrar que ela já está nas redes sociais, porque os consumidores a colocaram lá. Você vai querer dialogar com eles ou não?”.




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