Os números da economia subterrânea brasileira

Bens e produtos cuja participação não é contabilizada pelo governo deve atingir R$ 830 bilhões em 2014

Por: - 4 anos atrás

A economia subterrânea é aquela em que a produção de bens e serviços não é reportada ao governo. Em 2014, sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve alcançar 16,2% este ano, o que representaria queda de 0,1% na comparação com 2013. Isso é o que revelou o Índice de Economia Subterrânea, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) e pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre). Em valores absolutos, a estimativa é de que o índice supere R$ 830 bilhões em 2014.

Esse dado indicaria maior lentidão na redução da informalidade no país, impactada pelo baixo crescimento da economia, segundo os pesquisadores do índice,. ?A economia está desacelerando, assim como o crédito, e o emprego cresceu pouco. Isso tem impacto direto no trabalho formal, que naturalmente cai, cedendo espaço à informalidade?,  disse Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da FGV-Ibre.

Para o pesquisador, nem mesmo a implantação da Medida Provisória 615/13, que estende desonerações para novas atividades, modificará o cenário.  ?O alívio da carga tributária já atingiu a maior parte dos setores e seus efeitos já foram captados?, disse.

Para o presidente-executivo do Etco, Evandro Guimarães, as desonerações devem passar a ser analisadas sob uma ótica mais duradoura. ?É o momento de levar a cabo a tão esperada simplificação tributária, de modo que a desoneração atinja de forma mais ampla os setores produtivos da economia?, disse.

Embora seja ainda um número inexpressivo, a representatividade de modelos econômicos alternativos é um caminho irreversível. Exemplos de como isso ainda não abalou com números, mas já com ideias é a guerra dos taxistas europeus (e a gênese da guerra entre os brasileiros) e aplicativos como o Uber, que permitem que qualquer cidadão com um carro possa fazer uma corrida ou oferecer uma carona.

Pode parecer que isso está muito longe da realidade brasileira, mas a Copa do Mundo trouxe esse universo para dentro das nossas casas. Literalmente. Com sites como o AirBnb, que permite transformar uma residência normal em hospedaria.

Por essas e outras, não se pode deixar impressionar pelo pífio crescimento de 0,1% no segmento, mas é preciso atentar para a mudança comportamental trazida por esse modelo e para a ideia de que o antes utópico desejo do negócio próprio hoje pode seguir diretrizes bem diferentes das impostas pelo mercado formal.

* Com informações da Agência Brasil