Cinco fatos sobre sobre design de consumo que você precisa saber

Mais do que um novo layout para um estabelecimento comercial, o design de consumo promove um diferencial competitivo. Conversamos com Maurício Queiroz, arquiteto que cunhou o termo

Design de consumo é um termo criado pelo arquiteto Mauricio Queiroz. Há mais de 20 anos no mercado, Queiroz trouxe a funcionalidade da arquitetura e o bom gosto do design para dentro de espaços comerciais.

Mais do que um novo layout para uma loja, o design de consumo promove um diferencial competitivo. Por meio de estudos e análises, Queiroz trabalha desde a comunicação visual da empresa, observando o posicionamento da marca no mercado, detalhes da logística e espaço, até hábitos de consumo de seus clientes, os melhores pontos de abertura das lojas e a viabilidade da implantação de sistemas de franquias.

Um de seus grandes projetos foi para rede brasileira de móveis e decoração Etna. Nela, o arquiteto pode explorar todo o potencial de aplicação do design de consumo. Tudo foi pensado para que o consumidor interaja com os produtos de forma funcional e sensitiva, dando a nítida impressão de como será o ambiente que ele imagina para sua casa. Além disso, o local é adaptado para reuniões entre arquitetos e clientes, espaço para demonstração de produtos e praça de alimentação. Aspectos que trazem conveniência e potencializam vendas.

Num mercado cada vez mais competitivo, o design de consumo pode ser a chave para o sucesso. Para compreender e ampliar sua importância fizemos cinco perguntas essências para Mauricio Queiroz.

mauricio queiros 003Consumidor Moderno- Podemos dizer que o Brasil tem uma assinatura em design de consumo?
Maurício Queiroz – Sem dúvida. Aqui e fora do Brasil. Tanto o empreendedor quanto o consumidor já perceberam a importância e o diferencial da aplicação do design de consumo. Mesmo porque esse termo nasceu da necessidade de explicar meu próprio trabalho. Na época não havia uma definição exata para o mercado sobre tudo aquilo que eu e minha equipe estávamos desenvolvendo. Que basicamente é entender uma marca os pontos de contato com o consumidor e materializar todo seu potencial de negócios num ponto de venda.

CM: Cite algumas marcas no mercado brasileiro que você considere referências na utilização do design de consumo.
MQ: Etna, Café do Ponto, Empório NAKA, Pandora e Le Creseut. Trabalhamos com todas elas. Cada uma dessas marcas tem sua particularidade na aplicação do design de consumo. Mas no fundo todas se beneficiaram do design como elo entre seus produtos e clientes.

CM: O empreendedor brasileiro investe em design para alavancar seus negócios?
MQ: Sim, investe. Hoje uma loja não pode ser apenas um deposito de produtos. Muitas marcas brasileiras já entenderam isso. Infelizmente outras ainda não. Acham que loja bonita espanta cliente. Nessa hora quem ganha é o e-commerce. É como sempre digo, design de consumo é aquilo que você não vê. Por exemplo, a partir do momento que meu cliente entende a importância da distribuição de produtos dentro da sua loja como uma forma de atrair a curiosidade e o potencial de compra do consumidor, ele já começa a perceber a importância do design de consumo para seu negócio. Daí pra frente fica fácil valorizar todos os outros atributos e benefícios desse conceito para o sucesso comercial daquela loja.

CM: Como a tecnologia tem influenciado o design de consumo nos últimos anos e, particularmente, seus projetos?
MQ: Acredito que ela nunca pode ser considerada como finalidade num projeto de design de consumo. Ela deve ser uma aliada. Deve deixar a operação e a interação com o consumidor mais ágil e funcional. Soluções de rastreamento como RFID e Beacons são muito bem vindas. O futuro para o varejo está na conveniência, dessa forma, o design de consumo, aliado a tecnologia, pode potencializar vários atributos e o próprio negócio. Eu não separo a tecnologia do design eu a utilizo.

CM: O design de consumo está ampliando sua penetração em novos mercados? Quais seriam as novas fronteiras?
MQ: Ele é um conceito em ?beta?, ou seja, ele está sempre evoluindo. Assim como o comportamento do consumidor. O mais importante é compreender que essa evolução depende da harmonia entre os desejos do empreendedor e os desejos dos consumidores. É difícil, já que na maioria dos casos o empreendedor pensa mais em números, estoque e o consumidor em conveniência, melhor atendimento, mais atratividade. É nessa balança que o design de consumo atua. Seu sucesso depende muito mais do arrojo do que do cuidado do empreendedor. O que percebo hoje é um interesse de setores onde o preço do produto é um detalhe. Em Lisboa, por exemplo, estamos trabalhando num projeto de uma loja de relógios de altíssimo valor agregado, peças únicas, feitos à mão, cujo valor é superior a sua usabilidade. Podem até ser utilizados, mas devem ser conservados para as próximas gerações, pois tem um valor de autenticidade e exclusividade perenes, que transcendem o tempo de vida do próprio dono. A forma de mostrar ao consumidor toda essa importância foi pensar a loja com uma galeria de arte. Ou seja, esses relógios – comparados a verdadeiras obras de arte – poderiam estar em um museu, mas estão ali ao alcance do consumidor. Assim trabalhamos o design de consumo neste projeto. Ou seja, neste momento o design de consumo se prestou a um propósito muito maior, por meio dele criamos um valor tão inestimável para aquele produto quanto a sua própria perpetuidade.

 

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