Nove verdades inconvenientes sobre investimentos

O economista e investidor Richard Rytenband esclarece alguns mitos e cita nove verdades inconveniente sobre investimentos

Por: - 4 anos atrás

Quer investir e não sabe por onde começar? Primeiro é preciso ter algumas informações básicas. Por exemplo, os investidores avaliam uma retração de 0,5% no indicador neste ano. Mas para 2016, o mercado continuou prevendo alta de 1,5%.

Ou seja, ainda dá para investir no Brasil. Mas como nem tudo são flores, o economista e investidor Richard Rytenband alerta para nove dificuldades que o novo investidor pode enfrentar. Veja quais são:
 
1. Investir em dólar no longo prazo tem sido um péssimo negócio

É muito comum as pessoas se sentirem tentadas a comprar dólares quando as cotações sobem rapidamente. Mas este tem sido um bom investimento ao longo do tempo? Não. De 1995 a 2014 o rendimento nominal do dólar comercial foi de 214,93%, mas em compensação, a inflação oficial (IPCA) ficou em 299,41% no mesmo período. O que significa que há quase duas décadas o rendimento do dólar está perdendo feio para a inflação (uma perda real de 21,15%).

2. Não basta ganhar da inflação quando a cobrança dos impostos incide sobre o rendimento nominal

Antes de mais nada, para um investimento proporcionar ganho de poder aquisitivo ele deve sempre superar a inflação do período, pois de nada adianta ganhar 10% ao passo que o nível geral dos preços subiu 15% no mesmo período, por exemplo. Agora imagine uma situação em que um investimento obteve o rendimento nominal de 19,27% durante o período de 2012 a 2014. Por coincidência esta foi exatamente a variação da inflação oficial no período, portanto com muito custo este investidor manteve pelo menos seu poder aquisitivo correto? Se neste percentual já foram deduzidos os custos da transação e os impostos, sim, caso contrário, na verdade este investidor teve uma perda de poder aquisitivo.

3. Os recursos aplicados no FGTS perdem poder de compra a cada ano

Nos últimos 10 anos, os recursos depositados no FGTS tiveram um rendimento nominal de 58,71%, porém a inflação oficial (IPCA) neste mesmo período foi de 82,10%. O que significa que os recursos apenas na última década tiveram uma perda de poder aquisitivo de 12,84%. Esta poupança compulsória tem sido um mecanismo de destruição do poder de compra de parte dos salários dos trabalhadores. Já passou da hora da questão da remuneração do FGTS ser revista. Sempre que faltar dinheiro para investimentos, lembre-se que 8% do seu salário já foi investido compulsoriamente e ainda para perder da inflação.    

    
    
4. Perder apenas os 3 melhores meses de alta da bolsa fazem diferença no longo prazo

De 1995 a 2014 o rendimento nominal do ibovespa foi de 1047,98%. Sem os 3 melhores meses do período (de um total de 240 meses), o rendimento cairia para menos da metade, em 490,21%. Quando ouvir que a questão do timing não é importante no mercado acionário no longo prazo lembre deste gráfico. E o mesmo seria válido para quem escapasse dos 3 piores meses do período. Há bons e maus momentos para investir em ações.    

    
    
5. Comprar dólares nos momentos de maior tensão não tem sido um bom negócio

No auge do pessimismo e volatilidade, o dólar chegou a bater R$ 4,00 em outubro de 2002. Imagine que alguém impressionado com o movimento trocasse seus reais por dólares. Se estes mesmos R$ 4,00 pagos por 1 dólar, tivessem sido investidos em algo que apenas acompanhasse a variação da inflação oficial (IPCA), hoje ele teria o equivalente a R$ 8,59 (pelo IGP-M seria R$ 9,41). Entretanto, se esse mesmo alguém houvesse mantido em dólares a sua poupança, sem qualquer tipo de rendimento – papel moeda guardado na gaveta por exemplo – este teria em 20 de fevereiro de 2015 cerca de R$ 2,87.

6. Há ciclos de altas e baixas nos preços dos imóveis

Assim como em qualquer ativo, o preço dos imóveis é cíclico, há ciclos de alta e baixa. Um bom exemplo é o ciclo de baixa do início do Plano Real até meados de 2008. Muitos desconhecem este ciclo graças a chamada ilusão monetária, enquanto os preços dos imóveis pouco se valorizaram nesse período, a inflação acumulada aumentou significativamente. Um bom exemplo foram os apartamentos em diversos bairros de São Paulo que do início do Plano Real até o começo de 2008 apresentavam rentabilidade real (quando descontamos a inflação oficial do período) negativa de até 40%. Portanto, mesmo sem o estouro de uma bolha imobiliária, os imóveis podem se desvalorizar. Nada mais natural que os preços flutuem, seja para cima e para baixo.

7. No longo prazo até a poupança superou com folga o dólar

De 1995 a 2014,descontada a inflação oficial do período,  a poupança obteve um rendimento de 90,72%, enquanto o dólar uma perda de 21,15%. Portanto, até mesmo a poupança tem superado o rendimento quando comparado ao dólar.    
    

8. Investir em renda fixa tem riscos e volatilidade

Virou quase um mantra dos investidores conservadores afirmar que só investem em renda fixa. E o argumento apresentado é que não há riscos envolvidos.  O investidor de renda fixa deve ter a consciência de 3 riscos básicos, o de crédito, mercado e liquidez. O de crédito diz respeito ao emissor do título não honrar o pagamento, o de mercado que o preço do título pode oscilar e o de liquidez que pode ser ou não difícil negociar este título junto ao mercado.

9. Não somos uma pátria investidora

Ainda falta muito para desenvolver o hábito de investir e dominar ao menos os conceitos essenciais de cada investimento. Os dados da última radiografia do investidor brasileiro, levantados pelo Ibope em parceria com a Anbima, mostraram que em maio de 2011 51% dos entrevistados não tinham nenhum tipo de investimento. No caso de investimento em ações, apenas 3% declararam investir em ações.

 

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