Fim de convênio fecha as portas do Centro Pró-Autista

Com 110 pacientes carentes, o centro que atende crianças e adolescentes com autismo tem convênio quebrado com a Secretaria da Saúde do estado

 
Um convênio entre o Centro Pró-Autista (CPA), um dos maiores em assistência a crianças e adolescentes com autismo, e a Secretaria da Saúde do Estado foi rompido no mês passado por falta de acordo entre as partes. A entidade alega que está há quatro anos com déficit devido aos custos dos pacientes atendidos pelo convênio.

?A maior parte das crianças recebe atendimentos diários. Temos 32 técnicos de várias áreas e outros profissionais envolvidos. O valor repassado pelo Estado é de R$800 mensais por aluno, mas nosso custo é de R$1500. Não há como manter essa situação. A instituição é filantrópica?, diz Wanderley Domingues, presidente do CPA, à Folha de S. Paulo.

Uma resolução técnica da secretaria, de 2013, determinou que o CPA teria que contar com enfermeiros e fisioterapeutas. Porém, segundo a instituição, essa mudança encarece em R$ 20 mil a folha salarial do centro.

Segundo o governo, o rompimento do convênio partiu do CPA por não aceitar as condições, e que há vagas para os pacientes em outros serviços.

A quebra da rotina de tratamentos de uma criança com autismo, de acordo com especialistas, pode provocar retrocesso nas conquistas de meses de terapias.

E quem precisa?
As famílias afetadas já foram avisadas pela instituição sobre a descontinuidade dos tratamentos, que envolvem fonoaudiologia, musicoterapia, educação física, atendimento psicológico e outras terapias, segundo o jornal Folha de S. Paulo. Parte dessas famílias está se mobilizando para entrar na justiça pedindo que o Estado reestabeleça o convênio.

?O CPA, além de ajudar meu filho, me capacita a ser mãe que ele tanto precisa. Assisti avanços durante o tratamento que outros julgaram impossíveis?, diz Aline Marques, mãe de Caio, 3, que frequenta o centro há quase um ano, à Folha de S. Paulo. ?A incerteza de tratamento adequado nos assombra. De janeiro para cá [quando pais foram avisados da crise], sinto que o estou perdendo. Tudo pelo que lutamos tanto está se deteriorando?, afirma.

Os pais alegaram que não encontrarão em centros públicos de atendimento a mesma qualidade e os resultados do centro especializado.

O governo
De acordo com a Secretaria da Saúde, as novas metodologias de atendimento, estabelecidas em 2013, preveem ?atendimento mais humanizado, com equipes multiprofissionais?. Segundo a secretaria, as outras instituições conveniadas ?se adequaram às novas metodologias?.

O governo afirma que a informação de que os valores são insuficientes paras as despesas é falsa.  Segundo a secretaria, há vagas para os pacientes em serviços de saúde mental.

Até o fim deste mês, as crianças continuarão no CPA por uma decisão liminar conseguida pela secretaria na Justiça.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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