Batom, salto alto e os clichês que não cabem às mulheres

Será que somos apenas seres com úteros e compulsão por sapatos? Não, mas infelizmente ainda somos retratadas de maneira frívola

Por: - 4 anos atrás

Com a proximidade do dia 8 de março somos bombardeados com notícias que falam sobre o ?empreendedorismo de salto alto?, ?motivos para contratar mulheres?, ?por que as mulheres são melhores gestoras?.

Por mais empoderador que isso possa parecer, a verdade é que esse tema (ou verniz empoderador) é absolutamente obsoleto. As questões de gênero estão cada vez mais em pauta, mas esse tipo de divisão homem mulher é tão velho quanto a piada do ovo e da galinha, o que nos leva ao seguinte fato: mercado, você é machista.

Você é machista quando tenta explicar que mulheres podem ser tão boas quanto homens. É machista quando fica cheio de dedos para falar que devemos ser tratadas com igualdade. Mais do que tudo, é absurdamente machista quando tenta dicotomizar e trazer à tona questões que deveriam ter ficado para trás há pelo menos um século.

A intenção não é ruim, as perguntas é que estão erradas.

Não é ?por que?. É como?

Como mulheres ainda deixam de ser contratadas ou promovidas a cargos mais altos porque seu corpo carrega a possibilidade de engravidar?

Como mulheres ainda ganham menos, mesmo realizando as mesmas tarefas que os homens?

Como ainda fazemos as mesmas perguntas que eram feitas na década de 1950?

Como ainda enxergamos mulheres APENAS como batom, salto alto e maternidade?

Se a resposta for objetiva e couber em meia dúzia de conselhos, desconfie. Afinal, demoramos quase dois séculos para conseguir formular as perguntas.

* Paula Furlan é editora do portal Consumidor Moderno.