Inadimplência desacelera em fevereiro

Segundo dados do SPC Brasil, a quantidade de dívidas também cresceu menos

As incertezas do cenário econômico e o crédito mais caro e difícil têm feito os consumidores recuarem na hora de comprar mais. É o que mostra pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que identificou desaceleração na inadimplência dos brasileiros em fevereiro, frente ao mesmo mês de 2014.

Enquanto a taxa havia crescido 3,12% em janeiro, no segundo mês do ano, a inadimplência cresceu menos, 2,33% – a menor variação desde o início da série histórica, iniciada em janeiro de 2011.

A quantidade de dívidas atrasadas também entrou em ritmo de desaceleração e apresentou alta de 1,81%, menor que o avanço de 2,4% registrado em janeiro.

Em números absolutos, o SPC Brasil estima que, em fevereiro, havia 53,6 milhões de devedores negativados, número equivalente 36,89% da população entre acima de 18 anos. Em janeiro, a estimativa era de 54,6 milhões.

Segundo os economistas do SPC Brasil, o crédito mais caro e mais difícil são os fatores principais da desaceleração. Esse novo ritmo da inadimplência, por outro lado, não tem relação com o aumento da quantidade de pagamentos de dívidas em atraso, porque o consumidor enfrenta dificuldades com a piora do nível de emprego e com a redução do poder de compra dos salários por conta da inflação.

“Os bancos e os estabelecimentos comerciais passaram a ser mais rigorosos e criteriosos na hora de conceder financiamentos e empréstimos, o que implica em uma menor oferta de crédito na praça. Como consequência, a inadimplência vem recuando mês após mês”, explicou, em nota, a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Dado que mostra esse movimento é a busca por crédito por parte dos consumidores, que recuou 10,7% em fevereiro, frente a janeiro, segundo dados divulgados pela Serasa Experian. Outro dado, que corrobora este cenário, é de vendas a prazo, que caíram 4,83%. 

Na comparação com janeiro, a inadimplência caiu 0,14% e o número de dívidas ficou praticamente estável, com leve alta de 0,1%.

Para o varejo, é importante notar que a queda do endividamento e da inadimplência são positivos para o setor a longo prazo. Quando a economia voltar a dar sinais de melhora, os clientes estarão com suas contas no azul e, com confiança maior, passarão a comprar novamente – mas desta vez, pagarão a conta no final. Bom para ele, para o varejo, que não fica no prejuízo, e para a economia. 

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