Mobilidade e qualidade de vida: a diferença entre ter ou não

Como o consumidor-cidadão pode ter sua vida modificada com algumas melhorias

Por: - 5 anos atrás

 Infraestrutura, segurança, reformas, cidadania, custo. Essas são algumas coisas que, quando modificadas e melhoradas, podem fazer a diferença no caminho para o trabalho ou para a diversão.

 Mobilidade urbana
– Oi?
– Como é o nome?
– Não entendi, pode repetir, por favor.

 Mobilidade urbana é a cidade oferecer para a população condições para que ela possa se locomover de um lugar para outro, independentemente do tipo de transporte que será utilizado para a locomoção.

 Mas, afinal, qual seria a solução em mobilidade para o consumidor-cidadão? Entrevistamos o superintendente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), Luiz Carlos Mantovani Néspoli para responder essa pergunta.

 Segundo Luiz, o deslocamento, a viagem, são mal avaliados em função de alguns indicadores:

*tempo de viagem;

*congestionamento;

*o fato de estar em um ponto e não saber que linha passa, a que horas passará, quanto tempo falta para o próximo ônibus;

*quando o ônibus chega na parada, você pode ou não ter a possibilidade de embarcar em função da lotação;

*custo da tarifa.

 ?Deslocar todo mundo é preciso, a população consome a cidade ? trabalho, lazer, saúde, educação ? a cidade oferece tudo isso ao cidadão?, comenta. Luiz explica que o que gera o maior número de problemas para quem usa o transporte coletivo é a divisão desigual  entre viagens de automóveis e de transporte público.

?Hoje, de cem viagens realizadas, você tem 40% feitas por pedestres, mais ou menos 30% por ônibus e outros 30% por transportes individuais. Essa divisão gera congestionamento porque, esse uso do automóvel ocupa 80% do espaço viário. Então, enquanto você tiver muito mais gente andando de carro, você não só terá o congestionamento prejudicando estas pessoas, como as que utilizam o transporte coletivo?, afirma Luiz.

O transporte público, diferente do automóvel individual, não pode mudar seu itinerário ou horário de saída, o ônibus tem roteiro, pontos de parada, o que torna impossível a fuga dos congestionamentos diários dos grandes centros urbanos.

Luiz Carlos cita algumas medidas que podem fazer com que isso mude. Confira:

?    dividir o espaço em função do volume de passageiros que são transportados. Por uma faixa de tráfego passam 1200 automóveis por hora. Considerando que, em média, tem um, 1,5 passageiro por carro, nessa mesma faixa de tráfego passa, então, por volta de 1500 pessoas. Em um sistema de ônibus bem feito, nessa mesma faixa de tráfego passam 10 mil pessoas; em um sistema de ônibus mais sofisticado, 20 mil e, aumentando a sofisticação, pode chegar até 30 mil. Então o sistema viário deve ser usado de maneira mais racional, mais inteligente. Isso pode ser feito com a construção de faixas exclusivas de ônibus;

?    qualificar o transporte coletivo: as calçadas precisam ser melhores porque as pessoas chegam até o ônibus ou metrô, andando. A maioria delas é estreita, esburacada, tem bloqueios, nem sempre a travessia de rua é segura. Os pontos precisam ser bem iluminados, com informação e abrigo;

?    confiança ? é uma das coisas que o usuário valoriza e muito em um serviço. Se você vai ao metrô de São Paulo, sabe que a cada dois minutos passa um trem. Você pode até estar na plataforma em um momento ruim e ter que esperar dois, três trens para poder entrar. Mas, mesmo assim, você sabe que a espera está bem definida: dois, quatro, seis minutos. Quando se trata do ônibus você não sabe se faltam dez, quinze ou cinco minutos para ele passar. Essa ansiedade é menos ofensiva em uma estação de metrô e nós precisamos trazer isso para a rua. Como? Quando você vai ao ponto de parada, você precisa ter noção de quanto tempo vai levar para essa linha chegar até você e isso se chama regularidade;

?    conforto ? uma coisa é você estar em Itaquera, em um metrô lotado, sabendo que em 25 minutos estará no Brás ou na Sé; outra coisa é você vir do Campo Limpo, da Vila Brasilândia, em um ônibus, pegando um ?mar de congestionamento? em sua frente, com um desconforto muito maior porque o corredor do ônibus é mais estreito, tem degraus, e sem saber que horas você chegará;

?    o custo do sistema de transporte precisa ser acessível às classes de renda mais baixas. Isso você consegue fazer com o vale transporte, com o bilhete único, que você tem a possibilidade de trocar de transporte sem pagar novamente ou pagando a metade, ou com uma tarifa mais baixa subsidiada pelo município.
?Quando você vai ao cabeleireiro, no bar, no dentista, como consumidor, você exige que o produto seja bom, com entrega na hora, condições confortáveis de atendimento. É o mesmo princípio: o usuário do ônibus deve ter essa exigência, com a diferença de que, no caso do transporte, ele não tem alternativa, o que faz com que ele acabe se submetendo ao produto que existe. E é aí que o estado entra, com o papel de melhorar esse produto?, finaliza Luiz Carlos.

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